5 motivos que comprovam o sepultamento do rock

Nesta terça-feira (13), dizem que se comemora o Dia Mundial do Rock, mas seria melhor deixar isso para o Dia de Finados.

Carlos Alberto Junior

O sexagenário rock está realmente velho e nos últimos 20 anos ele já foi dado como morto inúmeras vezes. Seja pelos fãs do gênero, como ídolos que outrora estampavam as capas da Rolling Stones. Nesta terça-feira (13) comemora-se o tal Dia Mundial do Rock, mas a pergunta que fica é: que rock?

Neste artigo cito 5 motivos que podem explicam, pelo menos em partes, o definhamento do rock.

1 – O Rap

O movimento que nasceu como contracultura, rebelde e anti-sistema, é agora a cultura pop global. Sim, esse é o rap, mas um dia também foi o rock, há… uns 40, 50 anos atrás. E com a chegada dos anos 2000 o gênero símbolo da rebeldia já não era mais ousado, ou trazia algo de novo.

Foi assim que o mainstream começou, lentamente, a substituir o desgastado rock pelo então jovem rap. Seja dentro das próprias bandas de rock no início do milênio, como o Limp Bizkit e Linkin Park na gringa, como com o Charlie Brown Jr. e o Planet Hamp aqui no Brasil.

Outro fator determinante foi o surgimento do Eminem, afinal um rosto branco era ótimo para parecer nas revistas ou na telinha da MTV. Com o decorrer dos anos 50 Cent, Jay-Z e Kanye West também sempre apresentavam hits em todas as mídias.

2 – Oasis

Mas para o rock chegar nessa fase de marasmo e falta de criatividade, existem alguns “culpados”. Eu poderia citar as bandas de grunge que não sobreviveram aos anos 2000 ou o rock farofa (que eu gosto) do Foo Fighters, mas talvez a banda que melhor sintetiza essa mediocridade seja o Oasis.

Assim como a banda de Dave Grohl, acima citada, o Oasis se estabeleceu em uma fórmula e alimentou uma discografia com dezenas de “Wonderwalls”. Nem mesmo The Strokes ou Arctic Monkeys conseguiram fazer o rock ressurgir após o estrago feito pelos irmãos Gallagher.

3 – Gorillaz

Curiosamente, o Gorillaz, banda de trip rock que balançou o mundo na virada do século, também tem uma forte relação com Oasis. Uma vez que o líder do projeto, Damon Albarn, também liderava o Blur, grupo de rock que rivalizou com Oasis durante os anos 90 lá na Terra da Rainha.

Mas o que põe o Gorillaz nessa lista não tem nada a ver com Oasis, pelo contrário, o projeto é marcado por algo que os irmãos de Manchester nunca fizeram: inovação. Esse frescor vai desde os fatores musicais, como na narrativa dos discos ser totalmente necessária de elementos audiovisuais.

Essa mistura de jazz, com rock e rap, baixo grave, samples e histórias em quadrinhos era tudo que o rock não trazia desde o Nirvana.

4 – As novas bandas de rock

Seria injusto dizer que hoje não existem boas bandas de rock hoje em dia, porém a maioria está no underground e não são suficientemente relevantes quanto alguns rappers, por exemplo, que conseguem transitar tão bem nessas duas camadas.

Então as novas bandas de rock acabam nascendo já datadas, uma vez que suas referências são grupos que já não fazem tanto sentido nos anos 2020, soando assim como covers com músicas autorais, como a genérica Greta Van Fleet e as dezenas bandas desse revival do rock psicodélico causado pelos excelentes primeiros discos do Tame Impala.

5 – Os rockeiros

Assim como no motivo anterior, o público também parou no tempo. Eles querem novos Black Sabbath e Zeppelin, mas se surge um Greta Van Fleet, eles também reclamam pela falta de originalidade.

E se falar de política então? Não pode! O rock era aquele jovem rebelde e que lutava contra o sistema na juventude, mas hoje é um velho e acomodado que acredita em tudo que lê no zap. Ele não aguenta o novo e critica o ousado. Quer reclamar ao mesmo passo que não permite que ninguém dê pitado na dele. Sim, já pode enterrar!