Dabul Recomenda | Moulin Rouge

Mesmo se você não curte musicais, vale dar uma conferida!

Bernardo Dabul

Moulin Rouge, um filme lançado em 2001 e dirigido por Baz Luhrmann, é um espetáculo do início ao fim. Dentre todos os méritos do filme, os que se destacam são a narrativa, a direção e as músicas. Hoje no 10 de 10 Recomenda pretendo falar um pouco sobre cada um desses elementos e o que os torna tão especiais no conjunto da obra. Vamos lá? ON WITH THE SHOW!

A História de Christian e Satine

É complicado falar sobre a narrativa sem dar spoilers, mas tentarei mesmo assim.

A história começa pelo fim, na verdade. Christian é um escritor ingês com fé nos princípios da “Revolução Bohêmia”, que foi para Paris em busca de sucesso. Encontramos o protagonista escrevendo a história de seu amor por Satine, uma dançarina do Moulin Rouge.

Resumindo MUITO, Moulin Rouge é um cabaret, onde dançarinas também são prostitutas, porém nenhuma delas é tão bela ou cobiçada quanto Satine. O dono/cafetão/homem com o bigode mais estiloso do mundo se chama Harold Zidler e, na tentativa de conseguir transformar o cabaret em teatro, marca um encontro “especial” entre Satine e um Duque rico. Em uma mistura de acidente e acaso, Satine termina encontrando Christian por engano e os dois quase instantâneamente se apaixonam. Porém a dançarina deve fazer o Duque acreditar que está apaixonada por ele para garantir que este fará o investimento no Moulin Rouge.

Sério, olha como é glorioso esse bigode!
Sério, olha como é glorioso esse bigode!

Naturalmente, se tratando de um amor onde um dos participantes vende seu corpo por dinheiro, a jornada dos protagonistas não é fácil. O casal deve manter seu amor em segredo, enquanto Satine precisa dar atenção ao Duque. Christian sente ciúmes e a situação só piora para os dois.

Seria uma história bem clichê, se não fosse por um pequeno detalhe (que prefiro não mencionar por conta de: spoilers), que é mencionado logo nas primeiras frases do filme. No início, este detalhe é o foco da atenção, porém com o decorrer da narrativa o envolvimento com a trama vai crescendo e o foco se volta para o espetáculo em cena. O espectador é tomado pelos personagens, músicas e narrativa em geral. Porém existem pontos ao longo do filme onde o detalhe do início volta como um tapa na cara, subvertendo a expectativa de como o final deve ser.

A história por si só já é ótima, mas é potencializada pela direção de Luhrmann e, convenientemente, este é o segundo ponto que abordarei.

A Visão de Baz Luhrmann

The Can Can can

Se tem uma palavra que define a direção é “esquizofrênica”. Você pode estar se perguntando agora como raios isso pode ser uma coisa boa. Deixe-me explicar.

Moulin Rouge tem vários momentos no seu decorrer. Estes podem ser emocionantes, alguns frenéticos e outros tensos. O filme constantemente muda de tom, mas nunca de uma forma que incomode o espectador.

Tomemos como exemplo duas cenas que envolvem o Zidler. No início, quando o personagem é apresentado, é um momento alegre, onde todas as dançarinas estão em cena. Os cortes são frenéticos e certos momentos são acelerados de forma cômica. Tudo tem um aspecto meio surreal, porém divertido. Já mais para frente no filme, Zidler é obrigado a pressionar Satine a ficar com o Duque, transformando-o temporariamente em “vilão”. Nesta cena, a câmera alterna somente entre a dançarina e seu cafetão, porém a ambientação é mais sombria, com apenas metade do rosto de Zidler exposto diretamente à luz. Assim, o personagem continua sendo o mesmo em ambos os casos, mas a forma com que é mostrado se altera junto com o tom do filme.

50 Tons de Zidler
50 Tons de Zidler

Também vale dizer que existe uma tendência para o absurdo na direção de Luhrmann. Vários elementos do filme são exagerados ao extremo, desde expressões e atuações dos personagens até as transições de um local para outro. Isso tudo cria um estilo próprio que acaba gerando uma experiência diferente do musical tradicional que todos estão acostumados.

Falando em musical, vamos falar sobre as músicas?

The Show Must Go On

Your Song

A trilha sonora de Moulin Rouge não é 100% original, sendo grande parte composta de músicas que eram famosas na época (e algumas até hoje). Your Song (Elton John), Smells Like Teen Spirit (Nirvana), Roxanne (The Police), Diamonds are a Girl’s Best Friend (Marilyn Monroe) e The Show Must Go On (Queen) são apenas algumas presentes no filme, estando a genialidade destas em sua execução inédita. Embora as letras e melodias sempre respeitem a obra original, o arranjo é completamente diferente. Assim, a trilha sonora ganha ar de novo e mescla perfeitamente com o momento da história em que é apresentada.

Roxanne, por exemplo, tem um arranjo no filme que puxa muitos elementos de tango. A letra original é usada para exemplificar como amar uma prostituta é complicado e a forma com que a versão se apresenta passa toda a sensação de paixão e luxúria associada a um novo amor. Ao mesmo tempo, um toque de tragédia permeia o número musical indicando que o romance está fadado ao fracasso.

Todas as músicas têm mensagens poderosas cujas instrumentações se combinam com as letras para entregar de forma grandiosa e épica o recado que o filme quer passar no momento. Quando falo que o filme é um espetáculo, é por causa destas cenas.

Fechando as Cortinas

Fechando as Cortinas

Estes são os principais motivos pelos quais estou recomendando Moulin Rouge, mas existem outras áreas em que o filme manda bem também, como elenco e figurino. Então se você não viu o filme, dê uma chance a ele. Realmente vale a pena, até mesmo para aqueles que não curtem tanto musicais! Tem o selo de aprovação 10 de 10!