Esperon Recomenda | O Nevoeiro (2007)

Hoje acordei com barulho de caças voando baixo aqui no Rio de Janeiro. Quando olhei pela janela, uma estranha névoa cobria a cidade. Assim que entrei no Twitter, vi que esse fenômeno não se limitava apenas ao meu bairro. Além disso, alguns tweets afirmavam que a polícia do exército havia passado pela Linha Vermelha. E cerca de uma hora depois, alguém postou um vídeo de um tanque passando pelo Centro.

Matheus Esperon

Hoje acordei com barulho de caças voando baixo aqui no Rio de Janeiro. Quando olhei pela janela, uma estranha névoa cobria a cidade. Assim que entrei no Twitter, vi que esse fenômeno não se limitava apenas ao meu bairro. Além disso, alguns tweets afirmavam que a polícia do exército havia passado pela Linha Vermelha. E cerca de uma hora depois, alguém postou um vídeo de um tanque passando pelo Centro.

“Ah, Esperon, são apenas treinamentos de segurança pra Copa do Mundo”, você, cético, deve estar pensando. Mas eu sei a verdade: o exército abriu um portal interdimensional. Ou seja, nós estamos vivendo o plot do fantástico O Nevoeiro, de 2007.

07

Após uma violenta tempestade castigar sua cidade, David Drayton (Thomas Jane, o Justiceiro! Solta a cornetinha!) e seu filho correm rumo ao supermercado com medo de que seus mantimentos se esgotem. Lá, eles pegam água, Danoninho e lasanha da Sadia (apenas o essencial), e vão pra fila pagar. Mas um estranho nevoeiro toma conta da região em meros minutos, o que faz com que David, Billy e outras pessoas fiquem presas no supermercado. Logo David descobre que há algo de sobrenatural envolvido e que, caso deixem o local, isto pode ser um erro. Um erro MORTAL! *PAM, PAM, PAAAM…*

Baseado no conto homônimo de Stephen King, O Nevoeiro é suspense do início ao fim. Não se engane: por mais que haja perigo lovecraftiano lá fora, o principal foco do filme são as interações humanas que rolam dentro do supermercado. Quanto tempo vai demorar pra que as pessoas, presas e desesperadas, comecem a se voltar umas contra as outras? Ainda mais quando há uma personagem religiosa que faz o seu ódio pelo Joffrey de Game Of Thrones parecer puro amor. ;)

O filme em si é super bem dirigido por Frank Darabont (diretor de Um Sonho de Liberdade) e tem uma história que te deixa na beira da cadeira, roendo as unhas. O roteiro é amarradinho, sempre numa crescente de tretas™ que só aumenta o suspense, e os personagens são muito bem escritos e desenvolvidos.

Mas o ponto alto do longa certamente é o final. Não vou dar spoilers, fique tranquilo, mas é certamente um dos melhores e mais corajosos desfechos que eu já vi num filme. E olha que não tem nada a ver com o final do conto original! Pontos pra produção que resolveu arriscar e criou uma conclusão infinitamente superior à do King.

Enfim. Vá logo assistir a O Nevoeiro pra aprender o que fazer agora que o Rio de Janeiro tem o seu próprio portal interdimensional. Tem na Netflix! Ah, dê um desconto pros efeitos especiais do filme. Ele é uma produção modesta de 2007, ok? ;D

Este texto foi originalmente postado no Eleve Seu QI.