Review | A vontade de inovar começa viva, mas morre antes do final de ‘#Alive’

O novo filme de zumbis da Netflix não tem fôlego pra manter suas boas ideias iniciais até o fim.

Matheus Esperon

Com a pandemia do coronavírus, surgiu um novo (e temporário, se tudo der certo) gênero de cinema muito curioso: os filmes que coincidentemente se encaixam perfeitamente na realidade que estamos vivendo.

São filmes lançados esse ano que não foram escritos e gravados com a pandemia em mente (assim eu espero kkkk), mas têm elementos que conversam diretamente com a situação de quarentena mundial, seja de forma mais sutil, como ‘O Poço’ (Netflix, 2020), ou mais direta, como no novo filme de zumbis da Netflix, #Alive.

O jovem streamer Oh Joon-woo (Ah-In Yoo) se vê preso em seu apartamento (☑) quando uma epidemia começa na sua região (☑), transformando as pessoas em volta – e dentro – do seu prédio em zumbis (se você assumir que zumbis são seres que não pensam e lembrar de alguns tipos de cidadãos que afloraram durante a nossa pandemia, dá pra dar um ☑ aqui também).

‘#Alive’ tem muitas ideias interessantes – literalmente desde o começo, com o apocalipse zumbi sendo desencadeado abaixo da janela de Joon-woo antes mesmo da marca de dois minutos de filme. Sob o olhar chocado e impotente do protagonista (e de nós mesmos, já que o ponto de vista da ação é majoritariamente do apartamento pra rua), o surto inicial é muito bem dirigido, resultando numa cena impactante e caótica, que estabelece com competência o cenário de isolamento que serve como base de quase todo o filme.

A ideia de colocar um jovem altamente ligado em tecnologia num cenário de zumbis é explorada de forma tímida, mas  já rende algumas sacadinhas criativas no roteiro, como o uso de um drone (coisa que deve ser inédita no gênero) e a dificuldade de acessar o rádio pelo celular por não ter fones com fio em casa, por exemplo.

Mas logo os dias vão passando e fica claro que nem a tecnologia pode salvar Joon-woo da escassez de recursos, fazendo com que o protagonista vá do desespero à desesperança, numa atuação excelente do carismático Ah-In Yoo. E é aí que, infelizmente, o filme parece perder o fôlego de trazer novidade ao gênero de zumbis.

Depois de uma mudança no microuniverso confinado de Joon-woo, ‘#Alive’ passa a repetir diversos clichês que já vimos em outros filmes do gênero – especialmente ali perto da metade quando o filme começa a abandonar sua premissa de isolamento do protagonista, que era justamente o ponto mais interessante de toda a produção.

Daí pra frente o filme vai se tornando cada vez mais genérico, contando com duas grandes reviravoltas da narrativa que podem ser vistas chegando lá de longe a última surpresa não só é extremamente forçada como também muito cafona. Nada da metade pro fim é suficiente pra tornar o filme ruim, mas com um começo tão promissor, ‘#Alive’ deixa aquela frustrante sensação de ser um filme divertidinho que poderia ter sido muito melhor…

Divulgação

#Alive

Um filme divertido que, num gênero tão saturado quanto o de zumbis, mostrou potencial pra trazer coisas novas logo no comecinho – mas é uma pena que essa vontade de ser diferente morra antes mesmo do final do filme.

  • Premissa muito interessante
  • Ótimo começo
  • Excelente atuação de Ah-In Yoo
  • Podia ter explorado mais o uso da tecnologia
  • Cai em clichês do gênero
  • Final muito forçado e cafona
Nota: 3/5