Divulgação

‘Love and Monsters’ é o ‘Zumbilândia’ com monstros em vez de zumbis (e isso é ótimo)

Extremamente divertido e com um universo interessantíssimo, filme se destaca mesmo sendo maaais uma história pós apocalíptica.

Matheus Esperon

Com o fascínio milenar da humanidade pelo fim do mundo (os maias não fizeram um calendário até o ano do buffet liberado, perceba), não é surpresa que “apocalipse” seja um dos tipos de filme mais populares e recorrentes das últimas décadas.

E justamente com tantas produções já tendo abordado diferentes tipos de fim do mundo, fica difícil qualquer novo filme ou série conseguir apresentar uma história nova, sem repetir tudo que a gente já viu por aí. É por isso (e muito mais) que Love and Monsters, filme da Paramount que ia pros cinemas, mas acabou sob demanda por causa da pandemia, é uma das grandes surpresas — e destaques — de 2020.

Sete anos após o “Apocalipse Monstro”, quando animais da Terra se transformaram em monstros gigantes, destruíram a superfície do planeta e mataram cerca de 98% da população, o covarde Joel (Dylan O’Brien) decide deixar a segurança de seu bunker subterrâneo pra ir atrás de sua namorada, localizada em outro bunker a mais de 120km de distância.

A história de ‘Love and Monsters’ é diversão do começo ao fim. Sem a preocupação, ambição e ilusão de ser uma trama digna de Oscar (como falamos aqui no 10de10, não é nenhum drama iraniano), o roteiro ainda consegue fazer um trabalho competente na progressão da jornada de Joel, conectando bem cada acontecimento e gerando desafios interessantíssimos a serem superados.

Os roteiristas claramente beberam da fonte de ‘Zumbilândia’: ambos contam com ritmo acelerado, narração em off (quando algum personagem narra os eventos do filme sem aparecer em cena) e protagonistas em processo de aprendizado sobre os melhores jeitos de sobreviver (ambos literalmente fazem anotações sobre o mundo, pra você ver como o “modelo” é parecido).

Mas isso tá longe de ser ruim, especialmente porque ‘Love and Monsters’ consegue se descolar da produção de zumbis não apenas por trocar os mortos-vivos por monstros, mas por todo um trabalho criativo do roteiro na hora de construir o seu universo, desde com informações literalmente faladas pelos personagens até dicas bem sutis durante a progressão do protagonista. O mundo pós apocalíptico do filme acaba se tornando extremamente único, a ponto de te deixar com a vontade de ver uma série ambientada naquela Terra monstruosa.

Dylan O’Brien, protagonista dos filmes ‘Maze Runner’, aqui tem muito mais espaço e liberdade pra mostrar como, nas mãos certas, pode ser um ator extremamente carismático e talentoso mesmo. Por mais que o filme seja majoritariamente uma comédia alto astral, há pelo menos dois grandes momentos de drama nos quais Dylan entrega uma performance verdadeiramente tocante.

Aliás, esse é mais um daqueles filmes que não foram gravados com a pandemia em mente, mas acabam se encaixando perfeitamente no nosso cenário. Uma das partes mais tocantes do filme mencionadas aí em cima, inclusive bate fundo em que ficou ou ainda está há muito tempo sem ver quem ama por causa da pandemia. Essa conexão é uma coincidência do destino, mas uma coincidência muito bem vinda.

É uma pena que ‘Love and Monsters’ não tenha ido pros cinemas ou pelo menos pra uma Netflix da vida. Mesmo sendo um dos melhores do ano, provavelmente vai se tornar um daqueles ótimos filmes que pouca gente conhece — e os poucos que o descobrem ficam com o desejo quase platônico de ver uma série naquele universo, de tão legal que ele é.

Divulgação

Love and Monsters

Sabendo se inspirar nos pontos fortes de 'Zumbilândia', sem nunca se tornar uma cópia, 'Love and Monsters' consegue construir um universo pós apocalíptico interessantíssimo pra ser um dos destaques de 2020 e te deixar com aquele gostinho de quero mais.

  • Ótima atuação de Dylan O'Brien
  • Universo interessantíssimo
  • Energia alto astral com pequenos toques de drama
  • Efeitos especiais de primeira
Nota: 5/5