Minha retrospectiva cinematográfica de 2017!

A retrospectiva atrasa mais não falha!

Matheus Esperon

Se você parar pra pensar, os seres humanos catalogam os filmes que assistem há muito mais tempo do que parece. Quando um alegre homo sapiens chamado Gilberto saía pra dar uma volta há 8 mil anos e presenciava um mamute conversando com um bicho preguiça, ele desenhava a situação na parede de sua caverna ao voltar pra casa – sem saber que tal cena especificamente daria origem ao documentário ‘A Era do Gelo’ (2002).

Numa época ainda sem cinema e AirFryers, os filmes eram as situações da vida real. E reunir os outros sapiens para falar sobre os melhores desenhos da caverna era a retrospectiva cinematográfica da pré-história.

Com o progresso da humanidade, hoje não precisamos mais insistir em comportamentos neandertais, como desenhar em pedras ou assistir a Fórmula 1. Utilizando o Letterboxd, é possível catalogar todos os filmes com a data quando você os assistiu, junto com notas e críticas pessoais (o que é ainda mais excelente pra quem tem memória ruim). E é exatamente o que eu faço já há 4 anos. :)

Vamos então pra minha 2ª retrospectiva cinematográfica aqui no 10de10 (a primeira você pode ler aqui).

E por favor, continue não sendo essa mulher em 2018.

Em 2017 assisti a 121 filmes (contando lançamentos do ano e filmes antigos), 37 a menos que em 2016. Isso é explicado pelo fato de que quando você começa a trabalhar, o seu tempo livre diminui mais do que um pênis numa piscina gelada (mas, hey, você precisa de dinheiro pra ver filmes e você precisa de um emprego pra ter dinheiro).

Foram 12 filmes com nota 5/5;
10 com nota 4.5;
37 com nota 4;
18 com nota 3.5;
17 com nota 3;
5 com nota 2.5;
14 com nota 2;
5 com nota 1;
2 com nota 0.

Sendo binário como um sith, foram 94 filmes bons (notas 3 à 5) e 43 ruins (notas 0 à 2.5).

Saldo positivo!

Deste total de 121 filmes, 66 foram lançamentos de 2017.

9 com nota 5/5
4 com nota 4.5;
23 com nota 4;
9 com nota 3.5;
7 com nota 3;
2 com nota 2.5;
10 com nota 2;
1 com nota 1;
1 com nota 0.

Ou seja, 52 filmes bons e 14 ruins.

A decepção de 2017


Star Wars: Os Últimos Jedi não é um filme ruim, calma! Dizer isso certamente é exagero. Mas é um filme com um roteiro altamente problemático, com sequências inteiras que freiam a trama, alguns furos estranhos e muitas piadas completamente exageradas ou fora de lugar.

Mas o principal problema no quesito expectativa é como ‘Star Wars 8’ pareceu queimar todas as pontes que o 7º filme construiu. Uma coisa são fãs delirantes que criam teorias próprias e as veem desbancadas na telona, outra coisa é a própria franquia pegar o hype que ela mesma estava construindo e simplesmente jogar tudo no lixo.

Então por toda a expectativa gerada na construção da história e por ser um Star Wars que lembra demais os prequels, ‘Os Últimos Jedi’ é a minha decepção de 2017. Você pode escutar nossa discussão acalorada no 10deCast #29.

Menções [des]honrosas: Thor Ragnarok; Pequena Grande Vida; It Comes at Night, Em Ritmo de Fuga.

A surpresa de 2017


Extraordinário. Entrei no cinema esperando um filme meloso como uma panqueca e forçado nas mensagens como blogueiras no Instagram que postam selfies com frases good vibes. O que eu vi na verdade foi uma história suave e lindíssima sobre um menininho com deformidade facial que vai para a escola pela primeira vez.

Atuações excelentes, roteiro criativo com perspectivas de diferentes personagens, maquiagem primorosa (não à toa indicada ao Oscar) e mensages verdadeiramente extraordinárias transformaram o filme na surpresa de 2017!

Menções honrosas: Liga da Justiça; The Babysitter; mãe!; It: A Coisa; Death Note; The Big Sick; O Poderoso Chefinho.

O melhor Star Wars de 2017


Valerian e a Cidade dos Mil Planetas. Sério. Visualmente impecável, direção de arte incrível, ação de primeira, universo instigante (o mais próximo que temos de uma adaptação de ‘Mass Effect) e história interessante cheia de momentos criativos. Só precisava de uma dupla principal mais carismática.

Mas definitivamente foi o melhor Star Wars de 2017. Quer dizer, olha que créditos iniciais fodas:

Troféu Regina Cagarras de Piores de 2017


#3 Alien: Covenant. Pelo amor de Deus, gente, vamos organizar uma intervenção pra tirar a franquia ‘Alien’ das mãos do Ridley Scott. Não dá mais.

Tudo bem que em relação a ‘Prometheus’, ‘Covenant’ é uma grande melhora. Mas isso é o mesmo que dizer que levar uma facada no olho é uma grande melhora em relação a morrer. Roteiro completamente pirado, personagens agindo como crianças, computação gráfica ruim, viradas previsíveis… CHEGA, EU NÃO AGUENTO MAIS FILME DO ALIEN DO RIDLEY SCOTT!!!!!


#2 A Torre Negra. Olha, um filme não só desperdiçar Idris Elba e Matthew McConaughey como deixá-los num nível negativo de carisma é um verdadeiro feito da história do cinema.

História completamente confusa (especialmente pra quem não conhece nada dos livros), efeitos especiais terríveis, atuações ruins (sim!!!), fator criança irritante (todo ano tem pelo menos um filme com criança irritante, tipo Jurassic World), viradas entregues ainda no trailer e logo no começo do filme, trilha sonora inexistente…

A lista é longa e só mostra como a decisão de juntar a história de 8 livros num filme só foi um erro inacreditável (e óbvio).


#1 Internet – O Filme. Um caça níquel nojento e completamente ofensivo que deixa claro tudo de errado que há com a internet brasileira. Piada com gordo, piada com assédio, piada com suicídio, um festival de merda.

Isso sem falar no roteiro que parece ter sido escrito num guardanapo durante uma live de YouTube de tão raso e sem nexo que ele é.

Temos vídeo com a crítica (e o sofrimento) completa:

Os melhores de 2017


#3 mãe!. Desde ‘127 Horas’ um filme não mexia tanto comigo como aconteceu com *grita* ‘MÃE!’. Entrei no cinema apenas com a simples sinopse (obrigado, marketeiros, sério!) em mente: “um casal vê sua vida mudar quando desconhecidos começam a chegar em sua casa”.

O longa de Darren Aronofsky vai por caminhos tão inesperados que qualquer uma das minhas piadinhas de comparação não faria jus ao que acontece dentro dos seus 121 minutos, com direito a uma direção super consistente, sonorização e trilha precisas, ótimas atuações e uma história que alguns acharam óbvia mas eu achei simplesmente genial.

Assista sem saber nada e prepare-se porque, MINHA AMIGA…

#2 O Artista do Desastre. Lembra quando na retrospectiva de 2016 eu escrevi que pura existência de ‘Swiss Army Man’ era um milagre? ‘O Artista do Desastre’, por mais que menos insano, também se encaixa nessa milagrosa categoria. Quem diria que um filme sobre os bastidores do pior filme de todos os tempos não só seria produzido como também seria simplesmente sensacional?

Numa época em que as boas comédias têm se tornado cada vez mais raras, uma produção que te faz gargalhar do início ao fim – com uma atuação surpreendentemente ótima do James Franco – merece todo o reconhecimento possível.

Se você está perdido, fica a dica: junte uns amigos, assista ao terrível/genial ‘The Room’ (sério, é divertidíssimo de ver em grupo) e depois confira ‘O Artista do Desastre’.

#1 Corra!. Assim como ‘mãe!’, o filme de Jordan Peele também é um daqueles cuja sinopse informa muito pouco (graças a Deus) sobre os rumos inesperados que a história vai tomar – além de também ter ponto de exclamação, olha só. Basicamente: um rapaz negro parte para conhecer a família de sua namorada branca e, bem, coisas acontecem.

Impecável na parte técnica e com um roteiro que mescla suspense (definitivamente não é TERROR como foi vendido) com pitadas de comédia (com direito a um personagem que é a gente dentro do filme), ‘Corra!’ ainda é um filme altamente atual e socialmente importante.

Além de contar com diretor e protagonista negros (fazendo com que Peele seja apenas o 5º negro indicado a melhor diretor nos 90 anos do Oscar), o tema central da produção é o racismo, especialmente o preconceito velado que as pessoas acham que é pequeno e aceitável.

E é isso! Se você quiser conferir todos os filmes que eu vi em 2017 junto com suas respectivas notas, só acessar o meu Letterboxd.

Quais foram os seus favoritos, preteridos, surpresas e decepções de 2017? Escreve aí embaixo nos comentários! :)