Qual o melhor super poder que alguém pode ter no mundo real?

Há anos somos bombardeados — de maneira figurada, graças a Deus — por super-heróis na mídia. Sejam personagens que podem voar, atirar lasers pelos olhos ou adivinhar que Bruce Wayne é o Batman apenas observando sua triste e rica face. Com tantos exemplos em HQs, séries e filmes, é quase impossível não pensar em como seriam as nossas vidas com algum desses poderes.

Matheus Esperon

Há anos somos bombardeados — de maneira figurada, graças a Deus — por super-heróis na mídia. Sejam personagens que podem voar, atirar lasers pelos olhos ou adivinhar que Bruce Wayne é o Batman apenas observando sua triste e rica face. Com tantos exemplos em HQs, séries e filmes, é quase impossível não pensar em como seriam as nossas vidas com algum desses poderes.

E aí vem a pergunta: se o Sol é uma estrela, por que ele é redondo? qual seria o melhor super poder que alguém pode ter no mundo real?

Joesph Gordon-Levitt The Dark Knight Rises
O telepata John Blake só não adivinhou que o roteiro de TDKR não faria sentido nenhum

Sim, voar seria muito divertido, ser à prova de balas seria ótimo aqui no Rio de Janeiro e se transformar em um balde d’água seria perfeito em São Paulo, mas estamos em busca do poder mais útil pra se ter na nossa sociedade ocidental dos dias de hoje.

Se pensássemos exclusivamente no âmbito da utilidade, a viagem no tempo seria a escolha perfeita, sendo necessário utilizá-la apenas uma vez para minimizar os danos no espaço e tempo contínuo.

Seguem as instruções:

Passo 1: Espere a Mega-Sena acumular e anote os números sorteados;

Passo 2: Volte no tempo e jogue os tais números na loteria;

Passo 3: Vença e fique rico;

Passo 4: Compre um carro esportivo submarino.

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Imagine poder dar o dedo do meio pra tubarões na cara deles

Só que a vida não pode ser focada apenas em utilidade. Algumas das coisas mais divertidas dessa vida não servem pra absolutamente nada, como aquela mola maluca colorida que toda criança dos anos 90 teve. Aquele treco parecia ter vida própria, descendo as escadas do colégio sozinho, pronto pra dominar e escravizar a humanidade.

Enfim, do que adianta ter um poder que funcionaria muito mais como caça-níquel do que como meio de puro entretenimento? Quer dizer, não dá pra usar viagem no tempo apenas para se divertir sem voltar pro futuro e descobrir que aquele mosquito que você matou no passado fez todo mundo amar Ataque dos Clones.

Mas será que existe alguma super habilidade que consegue ser divertida e útil ao mesmo tempo? Sim, caro(a) leitor(a), existe: o poder de teletransporte do filme Jumper.

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Sim, esse mesmo

Pulador, pra você que não conhece ou não lembra do longa, é uma produção de 2008 estrelada pelo andróide Hayden Christensen que decide tentar atuar mais uma vez e acaba por interpretar David Rice, um jovem que descobre poder se teletransportar pra qualquer lugar do mundo.. A chapa esquenta quando David entra no meio de um conflito histórico entre jumpers (pessoas que podem se teletransportar) e seus caçadores liderados por Samuel L. Jackson.

Por que eles querem matar os “saltadores”? Porque “apenas Deus pode ter a habilidade de estar em dois lugares ao mesmo tempo”, um motivo que não faz muito sentido quando você para pra pensar que o teletransporte apenas tira a pessoa do ponto A e a leva pro ponto B, ou seja, ela nunca está literalmente em dois lugares ao mesmo tempo. Mas um filme que tem o Christensen no elenco não quis mesmo fazer sentido nenhum.

Jumper tem ótimas ideias, mas a necessidade de meter um draminha romântico no meio da trama, os assassinos de jumpers terem uma motivação bocó e, novamente, ter Anakin Skywalker como protagonista matam todo o potencial super bacana do longa.

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“Hehehe, estraguei mais esse filme do que a nova trilogia de Star Wars hehehe”

A questão é que a melhor ideia do filme é justamente o teletransporte. Imagine poder aparecer em qualquer lugar do planeta apenas pensando nele? Hora do almoço, bateu vontade de comida japonesa? Lembre-se de Tokyo Drift (um dos melhores filmes do século 21) e num piscar de olhos você tá no Japão pedindo hot filadélfia, descobrindo que é uma invenção ocidental e saltando pra um McDonald’s em Nova York.

E o potencial desse poder não se resume a isso. É claro que não seria um poder verdadeiramente útil pros dias de hoje se não desse pra ganhar dinheiro com ele (desculpem-me, hippies, mas vivo no mundo real onde é preciso ter grana pra pagar aluguel, comer e comprar coisas). Como um aprendiz da força, você pode escolher dois caminhos:

Dark side: simplesmente salte pra dentro do cofre de um banco e use a justificativa moral que você quiser pra pegar o dinheiro (“bancos têm lucros milionários explorando pessoas”, por exemplo). Ou faça algo menos drástico: salte encapuzado pra uma loja ou armazém, pegue o que quiser — pra vender ou guardar pra você mesmo — e vá embora.

Light side: salte pros EUA assim que um novo iPhone ou aparato tecnológico for lançado, compre e revenda por aqui (isso ainda não está inteiramente dentro da lei, MAS…). Outra opção é trabalhar como um Jason Statham em Carga Explosiva mas sem carro, algo como um serviço de entregas expresso. Cobre o valor que você quiser pra entregar encomendas no mesmo dia em diferentes pontos do mundo.

As possibilidades de ganho financeiro com o teletransporte só dependem da criatividade e da tendência moral de cada um.

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“Onde você conseguiu tudo isso?” “Er… Internet!”

Voltando pra parte da diversão, a habilidade do filme brilha mesmo quando o assunto é viajar. Pensemos na logística envolvida numa viagem. Vamos supor que você seja fã de Procurando Nemo e queira ir até a Austrália tirar uma foto no número 42 da rua Wallaby Way em Sidney.

Uma passagem pro país oceânico custa cerca de 3 mil dólares e a viagem dura mais ou menos 43h. Chegando lá, a não ser que você queira dormir na praça e pedir pro guarda australiano ser seu amigo (e te bater, te prender e fazer tudo contigo), são mais R$ 231,00 por dia num hotel 3 estrelas no centro da metrópole. Se você for ficar uma semana por lá e não fizer mais nada além de procurar a rua do dentista do filme, são R$ 1.617,00 a menos na sua conta.

Toda essa aventura resultaria num valor final de R$ 9.117,00 e 86 horas de viagem — um pouco menos que o tempo total das versões estendidas de O Senhor dos Anéis.

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“Puxa, você deve gostar mesmo de ‘Procurando Nemo’!”

Agora, adicione o teletransporte e situação fica mais interessante que observar um anão bêbado determinado a dar uma enterrada numa quadra de basquete. Com tal habilidade, o gasto com passagens aéreas é obviamente reduzido a zero. Pense em Sidney, VUSH, você está em Sidney. Com o poder de um jumper, aviões se tornam mais supérfluos que semáforos em GTA.

E hotéis também perdem toda a utilidade. Você tá na Austrália lutando com crocodilos e tubarões (que às vezes também lutam entre eles) até que o dia vai acabando e chega a hora de descansar. Simplesmente pense no seu quarto em casa e, VUSH, você está deitado na sua cama, pronto pra dormir (mas tome um banho antes pra limpar as feridas australianas).

No dia seguinte, volte a pensar no país do Outback e, VUSH, lá está você de novo no outro lado do mundo. No fim das contas, o poder reduz o custo de qualquer viagem para exatos zero reais.

A única coisa que o teletransporte não consegue fazer é transformar o número 42 da rua Wallaby Way em um lugar real. Sim, leitor(a), entre as lágrimas da criança dentro de mim revelo que a Disney nos enganou.

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:(

É claro que as possibilidades são infinitas. Esses foram apenas alguns exemplos que mostram o porquê do teletransporte ser a melhor habilidade que alguém pode ter no mundo real. Dá pra se divertir, dá pra ganhar dinheiro, dá pra ir conversar com o Peter Jackson e perguntar o que houve com os Hobbits

Eu provavelmente passaria a vida conhecendo o mundo e escrevendo sobre as minhas aventuras (quem eu quero enganar, saltaria pra dentro do cofre de um banco na primeira oportunidade, meu GTA pra PC não se comprará sozinho).

E você, concorda que o poder de um jumper seria o mais útil e divertido de todos?