Quem come pipoca no cinema está imune às propagandas

A ciência garante: os barulhentos das salas de cinema são os mais protegidos contra aqueles malditos comerciais que substituíram os trailers

Matheus Esperon

Se alguém me aparecesse com uma máquina do tempo, eu já sei pra quando iria. Idade Média? Ver dinossauros? Matar Hitler? Nada disso. Eu voltaria direto pra saudosa época em que trailers passavam antes dos filmes (afinal, eu morreria em 5 minutos na Idade Média). Em tempos onde a internet ainda caía se a sua avó atendesse o telefone, a grande maioria das pessoas ficava sabendo dos próximos lançamentos no próprio cinema. Tal como o vencedor de um jogo de roleta russa, a gente era pego completamente de surpresa. “O QUE?! Vai rolar um Jurassic Park 3? Isso parece uma ótima ideia, vai ser um filmaço!“. Bons e ingênuos tempos.

Ninguém vence o Tiranossauro. NINGUÉM!
Ninguém vence o Tiranossauro. NINGUÉM!

Só que hoje a coisa mudou. Jurassic Park 3 foi uma bosta e agora propagandas dominam aqueles minutos antes do filme começar. Já cheguei a pegar 20 minutos de comerciais e não rola mudar de canal porque corre o risco do cinema acabar pegando sinal aberto e cair na Globo. Aí a gente começaria a ver ‘Amor e Sexo’ e todo mundo esqueceria do filme (sério, você já viu esse programa? É melhor que chuva de profiterole).

E como se já não bastasse isso tudo, ainda tem gente que reclama de quem come pipoca no cinema por causa do barulho (pessoas frescas que também morreriam em 5 minutos na Idade Média). Se você é um desses, da próxima vez que for #mimimizar, pense de novo: psicólogos da Universidade de Colônia, na Alemanha, descobriram que quem come pipoca no cinema tá IMUNE às propagandas que passam antes do filme (e também deseja a própria mãe, como sempre)!  :D

Imune à propagandas e ao amor, não é, Summer?

Os caras botaram as ~cobaias em um cinema e, antes do filme começar, exibiram algumas propagandas de produtos desconhecidos dos alemães. Metade do grupo ganhou pipoca e a outra metade, cubos de açúcar (because fuck you, that’s why). Uma semana depois, todos foram chamados ao laboratório dos psicólogos (TIL que psicólogos têm laboratórios na Alemanha). Os pesquisadores exibiram imagens de diversos produtos e ainda deram uma grana pra alguns realmente comprarem o que quisessem. A galera que recebeu cubos de açúcar mostrou clara preferência por aquelas marcas que apareceram nos comerciais antes do filme. Já a galera da pipoca, cagou baldes e não mostrou preferência por nada em particular.

Por que isso aconteceu? Os psicólogos explicaram que não tem nada a ver com a pipoca em si. Tudo se resume ao simples ato de mastigar. Quando pessoas lêem alguma coisa, elas tendem a “subvocalizar”: mesmo que elas não repitam as palavras em voz alta, elas sutilmente movem os músculos da garganta e da boca relacionados à fala. E a mesma coisa acontece quando escutamos qualquer coisa, principalmente algo desconhecido. Isso tem papel fundamental na nossa memória.

LOGO, como a galera que comeu pipoca tava ocupada demais mastigando pra “subvocalizar” (os cubos de açúcar se dissolvem na boca), as propagandas exibidas não tiveram efeito. Poderia passar um comercial com a Fernanda Lima pelada dando um mortal pra trás num hospital em chamas que o pessoal só pensaria em colocar mais sal na pipoca.

fernandalima
Esqueça o que acabei de escrever

O legal desse estudo é que, se tal teoria for mesmo comprovada, em primeiro lugar será um dedo do meio pros malditos que trocaram nossos amados trailers por comerciais. Em segundo lugar, poderemos começar a prestar mais atenção em onde e quando comemos. Trocando em miúdos, se a relação entre mastigar e a memória for real, comer aquele saco de salgadinhos enquanto você estuda pra prova de álgebra pode ser uma ideia pior que um sorvete sabor fezes.

Your move, publicidade.

Via Bloomberg Businessweek // Texto originalmente publicado no JUDÃO em 15/10/13