Review | Aladdin

É muito bom retornar a Agrabah

Bernardo Dabul

Toda vez que a Disney decide recriar uma de suas animações clássicas em live-action, existe uma expectativa grande por trás do filme. Afinal, por que fazer uma nova versão para ser pior que o original? Felizmente Aladdin consegue se diferenciar o suficiente do desenho de 1992 para justificar sua existência, sendo uma experiência divertida de início a fim.

Para aqueles que não são familiarizados, a história, o filme segue Aladdin (Mena Massoud), que é órfão e vive nas ruas da cidade de Agrabah junto com seu macaco de estimação Abu, roubando o que podem para sobreviver. Porém, sua vida muda quando eles são enviados em uma missão para recuperar uma lâmpada mágica que, quando esfregada, invoca um gênio (Will Smith) que pode realizar três desejos.

Vamos deixar algo bem claro logo de cara: qualquer um que aceitasse o papel do Gênio nesse filme jamais iria substituir a interpretação lendária de Robin Williams no desenho original. Se existe algum caso de “ator perfeito para o papel” foi esse. Dito isso, Will Smith aproveita essa oportunidade para deixar todo o seu carisma fluir por essa interpretação do personagem, criando um Gênio mais camarada e espalhafatoso. Quanto ao momento “Amigo Insuperável”, fiquem tranquilos que continua sendo tão espetacular quanto no desenho.

‘Aladdin’ também faz um ótimo trabalho em introduzir alterações à narrativa para se tornar mais contemporâneo. Especialmente quando se trata da Princesa Jasmine (Naomi Scott), a personagem recebe seu próprio arco narrativo junto com uma música nova arrepiante, dando a ela um papel mais relevante no filme do que ser apenas uma donzela necessitando ajuda.

O resto do elenco não se destaca tanto quanto Smith e Scott, mas Mena Massoud faz um trabalho competente como Aladdin e Marwan Kenzari como Jafar é divertido de assistir graças à sua atuação exagerada. Me sinto obrigado a elogiar Abu e Iago que, apesar de serem feitos completamente de computação gráfica, ainda se destacam no filme.

A direção de Guy Ritchie não se arrisca muito, salvo em alguns momentos específicos. É triste, pois esses momentos mais inspirados se destacam com um jogo de câmera interessante e dinâmico. A impressão que fica é que a visão do diretor talvez tenha sido suprimida por executivos da Disney com medo de arriscar mais com um filme grande assim.

Apesar disso, o filme continua sendo uma experiência divertida, colorida e leve, muito semelhante ao original. Talvez umas cenas à noite pudessem ser um pouco menos escuras, mas o resultado final ainda vai colocar um sorriso no rosto, especialmente para quem assistiu o desenho original.

Divulgação

Aladdin

‘Aladdin’ é uma recriação do original, mas também é uma atualização. Sem perder os grandes momentos que o tornaram icônico, o filme adiciona elementos contemporâneos a sua narrativa que funcionam muito bem. Talvez pudessem ter deixado o diretor ter mais liberdade, mas fora isso, o resultado final ainda vale a compra do ingresso!

  • Naomi Scott e Will Smith se destacando
  • Atualização do original
  • Abu e Iago impressionam
  • Filme se arrisca pouco na direção
Nota: 4/5