Review | As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras

Minha relação com esses filmes das Tartarugas Ninja é como beber a própria urina. Permita-me explicar melhor.

Matheus Esperon

Há uma cena no filme ‘É o Fim‘ em que um dos personagens confessa para a câmera que bebeu a própria urina pela primeira vez devido à escassez de água. “Não é ruim! Sempre achei que xixi fede e tal mas, shhh…” ele revela, rindo, enquanto levanta mais uma taça amarelada.

Essa é a minha relação exata com a franquia ‘Tartarugas Ninja’. Com a cabine de imprensa da sequência se aproximando, fui assistir ao original de 2014 crente que seria um festival de horrores a la ‘Transformers’ — afinal, a produção é de Michael Bay e o estilo de direção é totalmente inspirado nele.

Acabou que fui surpreendido por um filme bobo mas bem divertido. Não é nenhuma maravilha mas com certeza também não é o desastre que eu esperava. O famoso ¯\_(ツ)_/¯.

Com isso em mente, fui conferir As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras de coração mais aberto mas ainda preocupado com o fator “sequência caça-níquel”. E não é que o resultado foi o mesmo? :D

Juro pra você, Raphael.
Juro pra você, Raphael.

Auxiliado pelo dr. Baxter Stockman, o Clã do Pé (esse nome é mesmo 100% desenho animado) planeja libertar o vilão Destruidor durante sua transferência para a prisão. O plano é descoberto por April O’Neal (Megan Fox) e as Tartarugas Ninja entram em ação para impedi-lo. Os répteis falham graças à intromissão de Krang, um cérebro alienígena mastigado que planeja invadir a Terra com a ajuda do prisioneiro. Yep.

A trama é cartunescamente megalomaníaca com vilões cujas motivações são tão claras quanto um livro lido de óculos escuros durante um eclipse. O Destruidor quer destruir tudo porque esse é o nome dele, Krang surge do mais completo nada pra dominar a Terra porque estava entediado, e o cientista que os ajuda tem uma devoção quase incondicional ao vilão asiático que nunca é explicada.

Na parte do humor, algumas piadas são bobas e infantiloides mas outras são legitimamente sagazes, tornando o filme uma comédia surpreendentemente eficaz. Vale destacar o personagem de Will Arnett, Vernon Fenwick, que parecia meio perdido na trama do primeiro ‘Tartarugas’ mas aqui se encontrou e ainda roubou a cena em diversos momentos, se tornando uma das melhores coisas da sequência.

alessandra-ambrosio-and-will-arnett-film-teenage-mutant-ninja-turtles-_2 (1)

O problema é a sexualização e machismo presentes em alguns pontos do filme. Logo no comecinho, o roteiro bola uma situação totalmente forçada apenas para fazer April O’Neal se disfarçar de colegial sexy e explorar o corpo da Megan Fox.

Em outro momento mais pra frente, April e Vernon estão escondidos e precisam passar por um guarda ninja. Ela gesticula mandando-o agir e ele covardemente retruca que ela é quem deveria atacar o capanga. Seria super legal se April revirasse os olhos e fosse mesmo pra cima do cara, resolvendo a situação com total empoderamento.

Mas não, ela solta um “sério?!” e aponta pro próprio corpo num claro “eu sou uma mulher!”, o que leva Vernon a concordar e agir, salvando o dia. ‘Mad Max: Estrada da Fúria’ grita “medíocre!” em algum lugar da Austrália.

Isso sem mencionar as “brincadeiras” de Michelangelo dando em cima da mulher desde o primeiro filme que são, no mínimo, bem desnecessárias.

PAREM.
PAREM.

Voltando pras coisas boas, vale citar Stephen Amell que entregou um Casey Jones completamente diferente do seu Arqueiro Verde de ‘Arrow’. Um personagem divertido, leve, tranquilão e até com voz mais fina em comparação ao vigilante da DC. Bem legal ver que o cara pode entregar atuações diferentes.

E a interação de Jones com o resto dos personagens flui muito bem, formando um futuro par romântico com April e inicialmente reagindo às Tartarugas numa vibe gente como a gente, ou seja, cheio de medo e sem entender nada, o que gera situação divertidas.

No mais, Bebop e Rocksteady são os clássicos e divertidos capangas sem cérebro, as cenas de ação são surpreendentemente ótimas (superando a confusão de algumas sequências do primeiro filme) e o Destruidor é interpretado pelo vilão de ‘Desafio em Tóquio’. Descobri isso enquanto escrevia e achei super pertinente compartilhar.

As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras

A trama de 'Fora das Sombras' é mais bagunçada do que a do primeiro filme mas as cenas de ação e as piadas são melhores, o que acaba compensando. Quem curtiu o original definitivamente vai gostar dessa sequência.

  • Piadas sagazes
  • Will Arnett
  • Stephen Amell mostrando que pode variar
  • Cenas de ação
  • É O MESMO VILÃO DE DESAFIO EM TÓQUIO
  • Roteiro super raso
  • Motivações simplórias ou inexistentes mesmo
  • Krang surge do nada
  • Sexualização e machismo
Nota: 3/5