Review | Baywatch: S.O.S Malibu

Corpos bronzeados, crimes salgados e tanquinhos flamejantes.

Gustavo Angeleas

Antes de começar a falar sobre Baywatch, filme recém-lançado e dirigido por Seth Gordon, preciso explicar uma coisa sobre meu gosto peculiar em relação a produções ruins: quanto mais cliché, melhor. Protagonistas bonitinhos, vilões megalomaníacos e roteiros previsíveis me fascinam. Se forem usados de forma a subvertê-los, então, a probabilidade de um 10/10 aumenta. Já já conto se é o caso desse filme em questão (ou você pode ver a nota lá embaixo e ser aquele tipo de pessoa que lê a última página do livro pra descobrir que o mordomo é o assassino).

Baseado na série de TV homônima dos anos 1990, foi lançado em maio de 2017 lá fora o filme “Baywatch – SOS: Malibu”, enquanto aqui no Brasil chega às salas de cinema no dia 15 de junho.

equipe inicial de salva-vidas

A história começa mostrando a rotina de Mitch Buchannon (Dwayne Johnson), o herói da praia de Malibu, na Califórnia. Bronzeado, forte (sério, The Rock tá ficando monstruoso), estiloso, querido por  todos e desejado pelas mulheres, Mitch comanda o posto de salva-vidas com muita dedicação e competência, enquanto a praia se prepara para os testes de novos recrutas. Nesse momento são apresentados mais três personagens que ainda não pertencem à equipe: o nerd tímido Ronnie Greenbaum (Jon Bass), obcecado por uma das salva-vidas; a recruta de olhos incrivelmente azuis e dedicada aos estudos Summer Quinn (Alexandra Daddario); e o bicampeão olímpico de natação, mas com problemas para trabalhar em equipe Matt Brody (Zac Effron). Completam a equipe a estonteante, gente boa e frequentemente em slow motion CJ Parker (Kelly Rohrbach) e a sub-líder do grupo só que quase sem destaque Stephanie Holden (Ilfanesh Hadera). Logo depois é introduzida a vilã Victoria Leeds (Pryianka Chopra), que quer acabar com a praia e os salva-vidas vão tentar impedir, apesar de não terem poder de fazer isso, já que não são policiais, mas o dever de salvar o seu local de trabalho é maior do que qualquer amarra judicial (que nem certos presidentes…………).

The Rock tá tão grande que em breve vai ter a própria força gravitacional

Ao contrário deste texto, os personagens são apresentados de forma bastante rápida, fluida e bem feita. O espectador entende bem a função de cada um no grupo e o papel que eles vão desempenhar na trama. Os atores têm uma boa química entre si, com destaque para Johnson e Effron, que trocam farpas em vários momentos hilários que se estendem por toda a história, e para Kelly Rohrbach e Jon Bass, que entregam uma boa relação de tensão sexual entre o nerd inseguro e a musa bronzeada. Para somar com tudo isso, o filme tem participações legais (mas nada além disso) de David Hasselhoff e Pamela Anderson, o que não é um spoiler porque é entregue logo nos créditos iniciais. Poderia ter sido escondido e a surpresa seria muito mais engraçada.

Hasselhoff e a sina de só ser chamado para pontas

Voltando à minha paixão por clichés, Seth Gordon – também diretor de “Quero Matar Meu Chefe” (2011) – usa muitos, mas sabe brincar com eles. Desde corpos esculturais de homens e mulheres em câmera lenta, passando por tanquinhos definidos e besuntados em óleo, chegando ao nerd que não sabe o que está fazendo ali mas acaba tendo uma função importantíssima. Baywatch não se leva a sério e executa bem sua função de divertir quem quer ver um filme leve, fazendo referências à obra original e abrindo espaço para uma franquia (quem não quer uma franquia de filmes para chamar de sua, não é Paramount?). Dado que o filme custou cerca de U$ 69 milhões, o que não é lá muito barato, mas não chega perto dos maiores blockbusters do ano. Podemos imaginar que vem uma sequência por aí…

Zac Effron é um campeão olímpico problemático que precisa aprender uma lição

O que coloca o filme para baixo é a direção pouco ousada. Apesar dos diálogos serem interessantes, as tomadas não apresentam nada de novo e a forma como a ação é filmada é bem qualquer nota. A resolução do problema final com a vilã é inteligente, levando em consideração que os mocinhos do filme não têm o direito de usar armas, mas é filmada de um jeito que beira a displicência. Se as cenas de ação tivessem uma direção mais interessante, o filme seria mais memorável e sua nota seria maior. Outro problema é a presença de algumas pontas soltas: o filme estabelece diversos problemas do personagem interpretado  por Effron, mas deixa vários destes sem resposta.  Se isso for proposital para ser explicado em uma sequência, não fica claro; se não for, é falha de roteiro.

Além disso, há um problema que não sou capaz de discutir, que é a objetificação dos corpos das mulheres. Vou elencar aqui os fatos e vocês tirem as próprias conclusões ou podem perguntar para alguma mulher que viu o filme. Apesar de terem um papel importante na trama, as mulheres não são protagonistas e têm seus corpos como foco em diversas cenas. Ok nº1: também há cenas em que o foco é o corpo dos homens – inclusive do gordinho nerd -, mas acontecem menos. Ok nº 2: essa objetificação é tratada como piada pelo filme mais de uma vez, mas acaba passando despercebido. Outra coisa que talvez “alivie a barra” do filme é que tem uma vilã e, não, um vilão. Novamente, ressalto que é o tipo de coisa que não tenho como avaliar por não ser mulher e não ter passado pela objetificação que elas passam diariamente. Assista o filme e conclua por conta própria.

a vilã megalomaníaca que só é uma agente do capitalismo neoliberal

Baywatch está longe de ser ruim: entrega o que prometeu na sua divulgação e diverte com piadas leves, mas é esquecível. Se você gosta de clichés e quer ver corpos esculturais numa tela grande, vá ao cinema. Caso contrário espere para ver nas plataformas de streaming ou nas locadoras coreanas, que é uma distração leve para momentos em que se procura algo mais despretensioso para assistir.

Baywatch - SOS Malibu

Um bom filme de comédia, mas um fraco filme de ação. Vale pelo bom uso dos clichés e pelos diálogos entre os protagonistas. Se acerta numa perna, erra na outra e fica no meio do caminho: 3/5

  • Boa química entre os atores, principalmente Dwayne Johnson e Zac Effron
  • Diálogos Engraçados
  • Boas atuações
  • Cenas de ação esquecíveis
  • Pouca ousadia na direção
  • Há algumas pontas soltas no roteiro
Nota: 3/5