Review | A Bela e a Fera

A Bela e a Fera é uma ótima adaptação do desenho original, mesmo com pequenos problemas!

Bernardo Dabul

A Disney entrou numa onda de transformar suas animações clássicas em filmes live action. Em alguns casos deu certo (Mogli: O Menino Lobo), já em outros, nem tanto (Cinderella). Agora a Casa do Mickey mirou em recriar A Bela e a Fera e o resultado foi, em grande parte, positivo.

Caso você seja uma das 7 pessoas no mundo que não conhece a história do filme, aqui vai uma breve sinopse: Bela (Emma Watson) é uma jovem que vive em uma cidade francesa pacata, mas quer mais da vida do que casar, ter filhos e viver para sempre no mesmo lugar. Seu pai, Maurice (Kevin Klein) é capturado por Fera (Dan Stevens) e levado para o castelo onde a besta mora. Bela vai barganhar com a criatura para trocar de lugar com seu pai. Com o tempo, ela vê que Fera não é tão ruim assim, iniciando uma das histórias de amor mais icônicas da Disney.

‘A Bela e a Fera’ é, em sua maioria, uma tradução direta da história original, então não vá esperando grandes mudanças narrativas. Porém, mesmo depois de 26 anos do lançamento do desenho, o enredo continua sendo cativante, tendo personagens interessantes e números musicais excelentes!

Lumière é um dos personagens mais engraçados no filme!

O mais impressionante no filme é a forma como conseguiram traduzir móveis e utensílios do castelo em personagens que não destoam completamente quando dividem a cena com humanos reais. Desde Lumière (Ewan McGregor) até Madame Samovar (Emma Thompson), todos os personagens são carismáticos e muito bem animados. O destaque é o Fera, uma mistura de atuação real e CG que podia ter resultado em uma criatura falsa e indevidamente cômica mas, graças a uma combinação de talento por parte do ator e efeitos visuais de primeira qualidade, o resultado também foi ótimo.

Uma menção honrosa também deve ser feita para Luke Evans e Josh Gad como Gaston e LeFou, respectivamente. Ambos são hilários em seus papéis, com uma dinâmica incrível. Nessa versão uma novidade é que LeFou é gay, o que é ótimo em termos de representatividade, mas não altera a história de forma significativa.

Quanto à dupla principal, tanto Emma Watson quanto Dan Stevens atuam muito bem, apresentando uma química natural, apesar de Watson ter que interagir com uma besta gigante na maior parte do filme. Ambos cantam bem, mas não a ponto de se esperar que ganhem prêmios por isso.

Para aqueles se perguntando se o filme é uma total cópia do desenho, existe um pouco de conteúdo original inserido nessa versão. As músicas novas são interessantes, mas nada de memorável, e os personagens principais são um pouco mais desenvolvidos. Estas adições são bem vindas, uma vez que dão mais dimensão a personagens principais e coadjuvantes. Dito isto, tenha em mente que ainda é a mesma história de antes..

O mais importante em ‘A Bela e a Fera’ é que captura o espírito do original, mesmo quando toma certas liberdades artísticas, como em ‘Be our Guest’, por exemplo. Por outro lado, ver a cena dos protagonistas dançando ao som de ‘Beauty and the Beast’ irá deixar todos que amam o original arrepiados (se não com lágrimas nos olhos).

Quanto à fotografia do filme, esta é definitivamente fiel ao desenho, o que é tanto uma vantagem quanto desvantagem. Muitas vezes, o espectador irá sentir nostalgia, porém existem certas cenas onde o que foi feito em animação não funciona tão bem em live action.

Divulgação

A Bela e a Fera

‘A Bela e a Fera’ é um remake, mas feito com muito carinho. Claramente todos que trabalharam nele se esforçaram tanto para fazer uma homenagem aos fãs antigos quanto introduzir a história para novatos. O resultado foi excelente, mesmo com o leve problema de fotografia.

  • Ótima tradução do original
  • Química entre Emma Watson e Dan Stevens
  • A dupla de Luke Evans e Josh Gad
  • Personagens em CG acreditáveis
  • Fotografia que nem sempre acerta
Nota: 4/5