Review | Capitã Marvel

ABRE O OLHO, THANOS

Bernardo Dabul

É meio triste pensar que demorou ONZE ANOS para a Marvel finalmente lançar um filme encabeçado por uma heroína. Pelo menos agora, com Capitã Marvel, finalmente entregou uma obra excelente, servindo como uma ótima história de origem para a Carol Danvers, além de abrir espaço para uma representatividade feminina poderosa no MCU.

A história nos introduz à Capitã (Brie Larson) no planeta dos Kree, uma raça alienígena que tem sua própria “polícia espacial”. A protagonista, que tem amnésia e não lembra de nada antes da sua vida como guerreira, faz parte de um dos esquadrões responsáveis por caçar Skrulls, uma raça rival que é capaz de se transformar em qualquer ser vivo que conseguir ver. Durante uma missão, só posso dizer que “dá tudo errado” e nossa heroína se encontra encalhada sozinha na Terra, buscando um dos líderes Skrull antes que ele seja capaz de ameaçar toda a vida no universo (isso porque nem estamos falando do Thanos ainda).

Apesar desse filme se aproveitar da clássica fórmula Marvel de histórias de origem, a narrativa ainda é uma aventura muito divertida e emocionante enquanto a Capitã luta para salvar o universo enquanto, aos poucos, vai descobrindo mais detalhes do seu passado. Além disso, com o filme se passando nos anos 90, são feitos vários comentários a respeito da forma que mulheres são tratadas pela nossa sociedade, alguns muitos que são relevantes até hoje em dia.

É importante dizer que Brie Larson está simplesmente sensacional no papel principal. A atriz exala carisma em toda cena, mas ainda assim mantendo uma presença imponente em todo momento. Há uma cena específica em que ela não fala nada, mas a sua linguagem corporal é tão expressiva, que é impressionante ver em ação. Realmente não existia outra pessoa para o papel.

Dito isso, também é importante destacar a qualidade de atuação vinda de Samuel Jackson, que faz uma versão mais jovem de Nick Fury. Além dos efeitos especiais de rejuvenescimento serem simplesmente assustadores, o ator traz também todo seu charme para o filme, contracenando perfeitamente com Brie. Lashana Lynch fecha perfeitamente o trio, sendo uma mãe ex-militar destemida que não está além de voltar à luta quando a Terra está ameaçada.

(Farei uma menção honrosa ao gato Goose, que está presente no filme. Sinto que todos vão se apaixonar por ele rapidamente.)

Quanto ao vilão, infelizmente voltamos um pouco a clássica formula Marvel de vilão descartável. Embora nesse caso há um porém, uma vez que ele é um homem (por mais que alien), o que também proporciona várias críticas interessantes.

A direção de Capitã Marvel, embora em certos momentos espetacular, também comete alguns erros clássicos. Algumas cenas de luta são filmadas em áreas escuras e tem muitos cortes. O resultado é uma sequência confusa onde é difícil entender o que está acontecendo. É uma pena pois esse erro já esteve presente em vários filmes do estúdio, mas nunca deixa de aparecer.

Apesar destes pequenos problemas, é difícil negar a qualidade ‘Capitã Marvel’ tem e o potencial impacto cultural que pode causar. Pantera Negra, apesar de seus defeitos, foi um filme espetacular para sua época e este não é diferente.

Divulgação

Capitã Marvel

‘Capitã Marvel’ é um filme sensacional, divertido e emocionante que com certeza vale o preço do ingresso. Brie Larson domina completamente o papel, deixando claro que, quando Vingadores: Ultimato chegar, é bom o Thanos abrir o olho.

  • Brie Larson dominando como a Capitã Marvel
  • Samuel Jackson e Lashana Lynch
  • Criticas e comentários certeiros
  • Goose, o gato
  • Vilão semi-descartável
  • Cenas de ação escuras e cheias de cortes
Nota: 5/5