Review | Creed II

Creed II: o inimigo agora é grande, musculoso e assustador, mas ainda russo

Gustavo Angeleas

Um ponto que recebe pouca atenção em Creed II é uma herança deixada por Apollo Creed (interpretado na trilogia original por Carl Weathers) para seu filho, Adonis (Michael B. Jordan): um carro antigo, já sem valor financeiro, mas que sentimentalmente representa muito para o protagonista.

Michael B. Jordan entrega uma atuação muito boa, além de ser muito gato

É um Mustang, que parece representar a própria franquia Rocky: as novas gerações não conhecem os filmes com profundidade, talvez olham até com um certo desdém e não têm nenhuma ligação emocional com os ringues por onde Balboa tanto apanhou e triunfou.

Os fãs mais velhos, entretanto, nutrem um carinho enorme por Rocky, seus personagens e pelas histórias contadas ao longo dessas três décadas. Creed II consegue agradar a estes dois grupos.

Desta vez, ao contrário do primeiro, quando vemos um lutador em formação e com dificuldade de se estabelecer no cenário do esporte, nos é apresentado um Adonis já consagrado, bem de vida, estabelecido tanto no pessoal quanto no profissional (ôloco).

essa fera aí

Neste momento da trama, nosso herói é desafiado pelo jovem, promissor e GIGANTE (sério, o cara é ENORME) pugilista Viktor Drago (Florian Munteanu), filho de Ivan Drago (Dolph Lundgren).

Os Drago sabem que Creed não tem como negar este desafio, já que o personagem de Lundgren foi responsável pela morte de Apollo Creed em Rocky IV.  Os russos usam a mídia para forçar a luta e o filme aproveita para  explicar aos novos espectadores partes importantes do passado da franquia.

ó os cara gigante

O roteiro de Creed II não é inovador, mas, assim como no filme anterior, acena com as versões da década de 1980 ao mesmo tempo em que apresenta uma personalidade própria. Além disso, em nenhum momento fica confuso qual é a história pregressa entre os personagens de Lundgren e Stallone, com explicações rápidas para os novos fãs.

Stallone e Jordan têm uma química excelente no filme

Se, por um lado o roteiro é apenas eficiente, por outro as atuações e a direção são muito boas. Até mesmo os Drago, que têm menos falas, sendo muitas delas em russo, são muito bem representados – Florian Munteanu, então, consegue entregar cenas boas apenas com olhares, dado que ele praticamente não fala em cena.

Michael B. Jordan, como já estamos acostumados, dá um show e tem uma química incrível com Tessa Thompson e  Sylvester Stallone.

De negativo, Creed II estende muitas explicações, principalmente na parte final da trama. Logo após a luta principal, há um reencontro em que as conclusões são jogadas na cara do espectador, sendo que grande parte delas já está óbvia – enquanto alguns temas tratados são esquecidos e ficam sem conclusão – pra quem já viu o filme, há a história da lâmpada que recebe atenção na primeira metade, mas fica esquecido.

ai meu deus eu quero apertar as bochechas dessa criança e beijar esses dois na boca

Um outro problema – menor, é verdade, mas que vai incomodar aos mais chatos como eu, quem ouve os podcasts sabe dessa minha característica – é que não há absolutamente NENHUMA explicação de como um cara leve, magro e ágil, com 1m82 de altura, está na mesma categoria de peso que um MONSTRO DE 1m93 DE PURO MÚSCULO (eu avisei, o maluco é gigante). Esse é o tipo de coisa que, com uma linha de texto é resolvida e o filme não parece se importar. Há outros detalhes como este que incomodam na obra.

No geral, Creed II é como o Mustang recebido por Adonis: não é lá uma máquina potente, não inova e não impressiona, mas te leva onde precisa levar com segurança, traz boas memórias e consegue divertir com boas atuações e uma história envolvente.

Review | Creed II

Creed II é nostálgico na medida certa, mas acaba se esforçando demais pra se explicar e prejudica seu final.

  • Atuações excelentes
  • Roteiro eficiente
  • Nostalgia na medida certa
  • Direção boa
  • Conclusões muito explicadinhas
Nota: 4/5