Review | Era uma vez… Em Hollywood

Tarantino fez um filme um pouco diferente do que estamos acostumado a ver dele…

Bernardo Dabul

Quentin Tarantino é um diretor famoso por ter um estilo muito específico quando se trata de seus filmes. Nesse aspecto, Era uma vez… em Hollywood talvez seja um dos filmes menos Tarantino de sua carreira. Ainda assim, é uma experiência incrível.

O filme segue o ator Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) e seu dublê/braço direito Cliff Booth (Brad Pitt) em busca de novos filmes e séries para atuar. A verdade é que a narrativa desse filme lembra muito a de obras dos Irmãos Cohen, onde não existe exatamente uma narrativa principal e o filme consiste mais em acompanhar os protagonistas no seu dia à dia.

A questão toda é que esses acontecimentos vão ocorrendo em paralelo com a história da atriz Sharon Tate (Margot Robbie). Quem conhece os acontecimentos envolvendo ela e Charles Manson já podem ter uma ideia da direção que o filme vai, e isso acaba servindo como uma guia para a história de Rick e Cliff também, por mais que esses dois especificamente sejam personagens fictícios.

Ainda assim, a história contada é extremamente interessante, em parte pela forma que Tarantino sempre constrói seus personagens. Os diálogos muitas vezes não adicionam à narrativa, mas elas nos ajudam a entender quem são essas pessoas, quais as motivações delas e qual a relação delas umas com as outras de forma fluida e divertida. Ajuda também que DiCaprio, Pitt e Robbie têm carisma o suficiente para carregar qualquer filme sozinhos, quem dirá juntos.

No quesito violência, é impressionante como o mesmo diretor de Kill Bill e Bastardos Inglórios conseguiu manter ‘Era uma vez… em Hollywood’ relativamente higienizado, resultando em um filme com um ritmo muito mais tranquilo que os demais do Tarantino. O foco claramente está nas performances dos atores, que é simplesmente espetacular.

Infelizmente, o filme ainda sofre com um mal que permeia grande parte do filme: objetificação feminina. A fixação do diretor com pés continua firme e forte neste filme, mas existem diversos outros exemplos de cenas onde o objetivo é apenas mostrar os corpos das atrizes em cena. Diz muito também que, salvo algumas poucas exceções, mulheres quase não tem participação na trama.

Divulgação

Era uma vez... Em Hollywood

“Era uma vez… Em Hollywood” é um filme diferente do que estamos acostumado a ver do Tarantino, mas o elenco principal é tão carismático e os diálogos são tão bem feitos e dirigidos que continua sendo uma experiência divertida. Uma pena que o filme perde tanto tempo explorando a anatomia feminina.

  • Filme com estilo diferente do normal para Tarantino
  • Atuações incríveis do elenco principal
  • Foco no dia a dia dos personagens
  • Objetificação das mulheres no filme
Nota: 4/5