Review | Frozen – Uma Aventura Congelante

Não sei você, mas pra mim, a Disney nos anos 2000 pra frente parecia o Sr. Incrível: um ídolo que realizou feitos fantásticos no passado mas hoje estava limitado apenas a tentar reviver as glórias dos seus anos dourados, muitas vezes de forma desastrosa.

Matheus Esperon

Não sei você, mas pra mim, a Disney nos anos 2000 pra frente parecia o Sr. Incrível: um ídolo que realizou feitos fantásticos no passado mas hoje estava limitado apenas a tentar reviver as glórias dos seus anos dourados, muitas vezes de forma desastrosa. Antes que você grite “mas e Procurando Nemo? Monstros S.A.? Toy Story 3?! “, quero deixar claro que estou falando da Disney, DISNEY, não da parceria com a Pixar.

O único filme realmente bom que o estúdio lançou nesse período foi A Família do Futuro, em 2007, que passou batido por muita gente. A Princesa e o Sapo? EnroladosDetona Ralph? Todos legaizinhos, mas muito distantes dos clássicos dos anos 90. Justamente por causa desse retrospecto, a última coisa que eu esperava quando fui assistir a Frozen – Uma Aventura Congelante era ser transformado em criança novamente e presenciar o nascimento de um clássico moderno, exatamente o que aconteceu.  :)

November 1st, 2013 @ 20:51:56

::: HISTÓRIA :::::::::::::::

Em Frozen, as princesas Elsa e Anna (Kristen Bell <3) têm uma amizade no nível J.D. e Turk, até que Elsa — uma dobradora de gelo em termos de Avatar — acidentalmente acerta sua irmã caçula com seus poderes (#CLIMÃO). Os pais das meninas então decidem separá-las para que a mais velha aprenda a controlar suas habilidades. Após a morte deles (lembre-se, é um filme da Disney, tem que ter desgraça), as duas crescem completamente isoladas, até o dia da coroação de Elsa como rainha de Arendell. É claro que ocorre um novo acidente, todo o reino é congelado (please, Elsa, come to Brazil), e a rainha se exila nas montanhas da região. Anna então parte imediatamente à procura de sua irmã, posteriormente se aliando ao vendedor de gelo Kristoff, sua rena Sven e o boneco de neve Olaf.

Já dá pra dizer de cara que a Disney finalmente conseguiu trazer suas histórias de princesa pros dias modernos. Não literalmente, claro — Anna não manda um WhatsApp pra sua irmã perguntando “kd vc?!” —, mas pro público e as temáticas de hoje. Ainda é uma grande história de amor. Tem príncipe encantado, realeza, cavalos altivos, vestidos e tudo mais, mas — como vou explicar melhor ali embaixo na seção com spoilers — a antiga mensagem de “corra atrás do homem e faça tudo por ele” não se faz mais presente aqui. Ou melhor, se faz, mas com uma puta lição de moral no fim.

Além disso, a história por si só é uma das mais ousadas que já vi numa animação. Há personagens dúbios, com motivações escondidas, com direito a plot twist. Sim, um plot twist de verdade num filme infantil. Dá pra ver chegando, mas muita gente gritou “ÓH!” e xingou em voz alta na minha sessão.

Pra fechar, o humor. Ah, o humor! O que já era uma realidade em quase todos os filmes da Pixar, aparece aqui com força total: as piadas pros adultos. Seja com humor nonsense ou referências que apenas os mais velhos vão pescar — em um momento, por exemplo, Anna está defendendo as qualidades do homem ideal e diz “o tamanho do sapato não importa!” —, Frozen é mais uma prova de que filme infantil não precisa ser infantiloide, bobo ou burro.  ;D

Film Review Frozen

::: PERSONAGENS ::::::::::::

Toda animação precisa de bons personagens. Mas em Frozen – Uma Aventura Congelante, a Disney chutou o balde mais do que você nesse ano novo e simplesmente fez com que TODOS os personagens do filme fossem memoráveis. Não é exagero: dos protagonistas, interpretados por um elenco de “desconhecidos” que fez um trabalho primoroso, à figuras que aparecem por poucos minutos na tela — como o vendedor de sotaque escandinavo logo no início —, cada um foi muito bem pensado e construído, com pequenos mas significativos detalhes e traços de personalidade de dar inveja à grande maioria dos blockbusters live action.

Agora, tem um personagem que merece um parágrafo próprio. Aliás, não só um parágrafo, como um espaço no coração de qualquer adulto ou criança que viu o filme. Olaf, o boneco de neve, é simplesmente um dos melhores sidekicks da história das animações. Mais uma vez, não é exagero: TODAS as cenas em que ele aparece são de fazer você chorar de rir, graças ao humor nonsense previamente citado, um roteiro de primeira e um puta trabalho do ator Josh Gad. Nenhuma piada dele passa batido ou te faz apenas sorrir. Nada disso, qualquer fala do Olaf te faz gargalhar. Se prepare pro que eu vou te dizer: em termos de sidekick, o boneco de neve só perde pra peixinha Dory, e talvez apenas por um fator de nostalgia.

A sorte é que a Disney não é a DreamWorks, ou seja, a chance de vermos um filme solo que amerdalhe o personagem é zero. ¯\_(ツ)_/¯

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::: AS MÚSICAS :::::::::::::

A grande crítica que eu tenho aos números musicais dos filmes Disney — até mesmo os clássicos — é que a cantoria parece sempre muito solta. O personagem simplesmente entra na cozinha e, sem motivo algum, começa a cantar “EU GOSTO DE QUEIJO, VOCÊ GOSTA DE QUEIJO?! ” e o pneu ganha vida e começa a matar pessoas por aí. Não, calma, acho que esse é outro filme.

Enfim, eu audaciosamente afirmo que nunca tinha visto uma animação na qual as canções fluem com tanta naturalidade. Frozen conta com muitos musicais mas nenhum deles parece forçado. Em nenhum momento você pensa “putz, lá vão eles começar a cantar de novo…” como já aconteceu comigo em diversos outros filmes da própria Disney. É tudo encaixadinho, no momento certo.

Além disso, a qualidade das músicas é impressionante. Na minha particular opinião pessoal baseada no meu gosto próprio, nenhuma delas é ruim. Pelo contrário! Congelado (risos) com certeza tem uma das melhores trilhas sonoras originais que eu já tive o prazer de escutar. Essa aqui debaixo é a minha favorita (se você ainda não assistiu ao filme, recomendo escutar apenas os 10s iniciais só pra sentir a vibe e não estragar sua experiência no cinema!). Ah, vale avisar que assisti à versão legendada do filme, não sei dizer como ficou a qualidade das músicas na versão dublada.  :/

 

 

::: COM SPOILERS :::::::::::

Quero rapidamente falar sobre o surpreendente desfecho do filme. Se você ainda não assistiu, continue descendo e vá pra conclusão!  ;)

Se você ainda está aqui, provavelmente já sabe: Anna leva uma rajada de gelo no coração, começa a congelar e “só ato de amor verdadeiro pode salvar um coração congelado” (mais uma mensagem iradíssima!). Kristoff então a leva de volta pro castelo, pra que ela possa encontrar o príncipe Hans, e depois vai embora. Rola aquele plot twist: o cara é um filha da puta e só queria o reino. O que todos pensam? “É claro, o Kristoff que é o verdadeiro amor dela! Eles precisam se encontrar e se beijar!“. E é aí que o filme surpreende, ainda mais sendo uma história de princesa da Disney:

1) Anna, prestes a congelar completamente, está se aproximando de Kristoff mas vê sua irmã indefesa contra Hans. Ela então precisa escolher pra onde ir. Pro seu verdadeiro amor ou pra sua família? Após um momento de hesitação, ela corre até Elsa, salvando-a do príncipe mas congelando. Pode não parecer muito, mas essa mensagem de “família vem primeiro” vinda de um estúdio que até pouco tempo pregava que as meninas tinham que focar apenas nos seus pretendentes é algo digno de aplausos.

2) “Ah, já sei. O Kristoff vai tascar um beijo nela pra descongelá-la” qualquer pessoa normal pensou. NOPE! Depois de um alguns segundos e um abraço da Elsa, a Anna descongela! Ou seja, o tal verdadeiro ato de amor foi uma irmã dar a vida pela outra, não o beijo de um maluco qualquer! Uma mensagem poderosíssima!  :D

::: CONCLUSÃO ::::::::::::

Sem enrolação — até porque esse post já tá mais longo que a abertura de The Newsroom (é muita coisa boa pra comentar, não teve como!) —, Frozen – Uma Aventura Congelante  é simplesmente a Disney de volta aos seus anos dourados. O longa é o melhor filme do estúdio desde O Rei Leão. SIM, ISSO MESMO QUE VOCÊ LEU.

Não tá acreditando? Só pra você ter uma noção, seis semanas após sua estréia, o filme voltou ao topo das bilheterias americanas (um feito inédito), desbancou A Desolação de Smaug, se tornou o título mais bem sucedido da empresa do Mickey desde o previamente citado longa do Mufasa, e a quarta animação de maior sucesso da história. Tá achando que é pouca bosta?! É UM BALDE CHEIO!

Sem banalizar essa expressão, Frozen é mesmo um clássico moderno. História bacana, músicas lindas, personagens memoráveis, humor que deixa muito filme de comédia no chinelo, 3D de qualidade, efeitos sensacionais, mensagens poderosíssimas, e por aí vai. Não dá pra dizer que é perfeito, tem uma coisinha aqui e ali que incomodam, mas nada que tire o seu mérito.

Este texto foi originalmente postado no Eleve Seu QI.

Frozen - Uma Aventura Congelante

Pode ser muito cedo pra afirmar isso, mas tenho certeza que a história de Anna, Elsa, Kristoff e Olaf será futuramente lembrada pelas crianças que a assistiram hoje com o mesmo carinho com o qual nós, nascidos no início dos anos 90, lembramos de Toy Story, Mulan, e tantas outras jóias da nossa infância. :)

  • Músicas incríveis
  • Mensagens lindas
  • Humor de primeira
  • LET IT GOOOOOOOO
  • Deus ex no final sem explicação
Nota: 5/5