Review | Vidro

M Night Shyamalan resolve fazer sua versão de filme de super herói e o resultado é… polarizante.

Bernardo Dabul

Ao primeiro olhar, Vidro pode parecer só um filme que tenta capitalizar em cima de duas obras de sucesso do M. Night Shyamalan: Corpo Fechado e Fragmentado. Até certo ponto, isso é verdade, mas, ao mesmo tempo, o resultado final ainda consegue entreter do início a fim, apesar de alguns tropeços aqui e ali.

A narrativa se passa pouco tempo após o fim de Fragmentado, com Kevin (James McAvoy) ainda foragido e David Dunn (Bruce Willis) rondando a cidade em busca dele. O filme não perde tempo para colocar os dois personagens, cada um com seus respectivos poderes, em rota de colisão. Porém, a luta é interrompida quando as autoridades capturam e levam os dois para um asilo, para serem tratados por uma médica (Sarah Paulson), que se especializa em pessoas que acreditam ser “além de humanos”.

‘Vidro’ tenta uma abordagem interessante, tentando explicar através de ciência todos os feitos incríveis que esses personagens vêm fazendo ao longo dos anos. Em certos momentos, até cheguei a questionar se foi tudo mesmo uma ilusão criada pela mente dos personagens que nós, como audiência, só acreditávamos por causa do ponto de vista que nos era apresentado. Infelizmente, essa linha deixa de ser o foco do filme, por motivos que não posso mencionar pois seriam spoilers.

O tema de HQs também é bastante abordado em ‘Vidro’, que também foi explorado por Shyamalan em Corpo Fechado. Porém, assim como no primeiro filme, aqui os conceitos de histórias de heróis são expostos de forma pedante. Ainda mais no mundo que vivemos, onde existem filmes de super heróis para todo lado, ter que explicar conceitos como “batalha final” parece ser desnecessariamente exagerado. Para piorar, os diálogos que transmitem essas informações são engessados demais e permeiam o filme de início ao fim.

Mas nem tudo que Shyamalan tenta fazer falha. O triste é que, pela natureza dos filmes do diretor, não posso comentar abertamente aqui sobre. O final é uma reviravolta atrás da outra, que reposiciona os personagens de forma interessante e me deixa curioso sobre o futuro desse universo criado (por mais que acabe não sendo encabeçado pelo próprio diretor).

Além disso, seria um crime não comentar sobre a atuação simplesmente fantástica de James McAvoy como Kevin e todas as suas outras 23 personalidades. A forma com que o ator transita entre cada uma, mudando sua linguagem corporal, sua voz, sotaque e até expressão facial continua sendo simplesmente impressionante.

Infelizmente, o mesmo não pode ser dito sobre Bruce Willis, que mais uma vez comprova a teoria de que só aceita papéis quando precisa renovar a casa ou comprar um barco novo. O ator parece estar dormindo na maioria das cenas, mostrando quase nenhuma emoção.

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Vidro

No fim das contas, ‘Vidro’ vai ser polarizante. Shyamalan tentou fazer sua versão de um filme de super herói e conseguiu um resultado interessante. O problema é que, ao mesmo tempo, não conseguiu se livrar de várias questões que acabam atrapalhando a obra final.

  • James McAvoy como Kevin e suas personalidades
  • Consequências da trama para os persoangens e o universo
  • Shyamalan brinca com o que se deve acreditar...
  • Mas perde o foco nesse tema rapidamente
  • Bruce Willis dormindo no ponto de novo
  • Pedantismo sobre conceitos de HQs
Nota: 3/5