Review | Invocação do Mal 2

Apesar de algumas falhas como cair no clichê de barulhos e sons desnecessários para assustar, o filme conta com uma boa (e real) história.

Sabine d'Alincourt

Nos últimos anos apenas dois filmes de terror realmente me marcaram positivamente: ‘A Bruxa’ e ‘Invocação do Mal’.  O terror que está na moda não me agrada porque suas histórias seguem o mesmo roteiro — amigos se perdem em uma viagem, encontram uma casa com algo assustador, a mocinha sobrevive —  e seus sustos são desnecessários e forçados.

Como fã assumida de ‘Jogos Mortais’ e ‘Invocação do Mal’, ambos dirigidos por James Wan, estava contando os dias para assistir a continuação do filme. E confesso, com muito medo do longa cair no clichê dos filmes do século 21.

Invocação do Mal 2 traz a história do casal de investigadores sobrenaturais Lorraine e Ed Warren, contando casos que solucionaram. Sim, os filmes são inspirados em fatos reais.

Lorraine Warren ao lado de Vera Farmiga, que a representou em Invocação do Mal
Lorraine Warren ao lado de Vera Farmiga, que a representou em Invocação do Mal

O filme começa com um dos casos sobrenaturais do casal, o famoso Amityville. Lorraine está sentindo as presenças da casa e revivendo o brutal assassinato de uma família, quando vê uma figura diabólica. Não estou falando de um fantasma à la ’13 Fantasmas’ ou uma figura humana pálida, mas sim um demônio em uma figura assustadora de freira para desafiar a fé da personagem.

Warner Bros

Que tal esse quadro para a sua sala?

Corta a cena, estamos agora em Londres, 1977.  A família Hodgson vive uma época frágil, já que o pai dos quatro filhos os abandonou.  Aproveitando da fragilidade da família, um fantasminha maroto resolve dar as caras. Sabe aqueles fantasmas que só aparecem quando a pessoa está sozinha em casa e tem vergonha de se manifestar quando outras pessoas estão junto? Não é o caso.

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Apenas mais um dia comum na residência dos Hodgson com móveis voando e barulhos surgindo do além.

A presença nada tímida do espírito cria situações cômicas para o telespectador. A família correndo no melhor estilo ‘Scooby Doo’, a polícia apavorada ao ver móveis se mexendo, e até a própria normalidade da família ao aceitar que há um espírito na casa ao conviverem juntos.

Madison Wolfe, como Janet Hodgson
Madison Wolfe, como Janet Hodgson

Mesmo incluindo cenas clichês, como puxadas de cobertores ou objetos se movendo quando você já sabia que iam se mover, o terror consegue te surpreender e ser impactante. Porém, o que marca mesmo em ‘Invocação do Mal 2’ é sua carga dramática.

Mais um ponto alto do filme é a atuação. Poderia usar um parágrafo para elogiar a Vera Farmiga, mas a estrela dessa vez foi a pequena Madison Wolfe. Com 13 anos, a atriz te dará muito calafrios ao interpretar a possuída Janet Hodgson.

Não consigo decidir se prefiro a sequência ao primeiro filme, mas posso afirmar que entrou para a lista dos meus filmes de terror atuais preferidos.

Warner Bros

Invocação do Mal 2

Apesar de algumas falhas como cair no clichê de barulhos e sons desnecessários para assustar, o filme conta com uma boa história: você vai chorar de emoção, rir e também levar grandes sustos.

  • Fantasma camarada
  • Boa adaptação de uma história real
  • Madison Wolfe dando um show de atuação
  • Fotografia, sequências e angulação que te prendem na tela
  • Créditos com arquivos do caso real
  • A figura do demônio te assombrará por muitas noites
  • Sons e barulhos repentinos e desnecessários para dar sustos
Nota: 5/5

Pera ai!

Além de comparar fotos originais com as do elenco durante os créditos, a tensão da história não para por aí.  O site The Conjuring 2, apresenta áudios do caso real, uma experiência de realidade virtual pela casa da família Hodgson, a oportunidade de se transformar na figura assustadora do filme, gravar sua voz com tom demoníaco  e muito mais!

A verdadeira família Hodgson

Já viu o filme? Quer ficar ainda mais assustado(a)? Termino este texto com o documentário original.