Review | It: A Coisa

DEIXA COMIGO, DABUL!

Matheus Esperon

Filmes de terror pra mim são como montanhas-russas ou comer uma pizza inteira sozinho: Tenho medo mas gosto muito. O gênero, no caso, só consigo prestigiar se estiver assistindo em casa com total controle do volume – para abaixar o som assim que sinto um grande susto chegando.

Mas me inspirei pela coragem do Dabul, colega do 10de10 e um ser humano consideravelmente mais assutado do que eu (como você pode ver no seu review), e decidi acompanhá-lo na cabine de It: A Coisa.

O filme começou com nós dois assustados. O filme terminou com nós dois mais assustados ainda. Mas também completamente surpreendidos por uma produção que definitivamente está entre as melhores e mais surpreendentes de 2017.

oq disse reviewista?

‘It: A Coisa’ acompanha (literalmente, até) sete crianças oprimidas que precisam se unir quando um monstro, tomando a forma do palhaço Pennywise, começa a raptar fedelhos* na pequena cidade de Darry, no Maine.

O ritmo da trama é excelente, sabendo dosar os momentos de susto com pausas para respirar e desenvolver os personagens. Aliás, e que personagens! Todos os sete membros do “Clube dos Perdedores” são muito bem escritos, cada um com medos particulares e comuns à transição criança-adolescente.

Medo de passar vergonha na frente dos amigos, “medo” de lidar com garotas, medo de um palhaço assassino arrancar sua mão numa mordida, etc. Há também temas mais específicos, como culpa, abuso familiar e pedofilia, que tornam alguns dos protagonistas ainda mais tridimensionais.

Mas uma boa escrita também precisa de boas atuações, o que o filme tem de sobra. Todos os atores mirins são competentes, com algumas ótimas promessas para o futuro e um trabalho surpreendente de Finn Wolfhard – por entregar algo completamente diferente de seu sereno Mike de ‘Stranger Things’.

O grande destaque no elenco fica por parte de Bill Skarsgård e seu Pennywise. A performance do palhaço é cheia de detalhes, nuances e mudanças repentinas entre amigável e ameaçador, tornando o vilão inquietante e surpreendente – é difícil saber o que ele fará em seguida.

Os efeitos do filme também contribuem para o terror do personagem, com diversas sequências muito criativas, sejam com uso de computação ou efeitos práticos mesmo. A direção afiada de Andy Muschietti e a fotografia certeira de Chung-hoon Chung conseguem gerar algumas cenas memoráveis, incluindo uma que literalmente me deixou arrepiado (não lembro disso ter acontecido antes num filme de terror).

Pena que a atmosfera em si da produção não consegue ser tão enclausurante quanto o roteiro propõe. Talvez isso não chamasse atenção há alguns anos mas depois de ‘A Bruxa’ – que consegue aterrorizar apenas com sua trilha sonora, direção e criação de expectativa -, fica difícil não ficar ligeiramente desapontado.

Outro ponto criticável é justamente a trilha do longa: Ela existe e está lá. Não passa muito disso.

Alguns sustos infelizmente são telegrafados…

Por fim, um dos grandes trunfos do filme é a alternância  entre terror e humor. Sim, ‘It’ é aterrorizante mas também engraçadíssimo, com diversas piadas que fizeram o cinema gargalhar, sem nunca parecerem forçadas (como *certos* filmes de herói). Isso é ótimo porque ao mesclar gêneros, em tese, tão opostos, a produção consegue te deixar tranquilo e quase “desarmado” antes do medo voltar com tudo.

*Precisei de um sinônimo para não repetir “crianças” e o Google sugeriu “fedelhos”. Achei maravilhoso.

‘It: A Coisa’ estreia em 7 de setembro de 2017.

It: A Coisa

O mais surpreendente sobre 'It: A Coisa' é que ele não se limita apenas a ser um excelente filme de terror. 'It' é simplesmente um excelente filme e um dos melhores de 2017. Que venha a sequência!

  • Ritmo perfeito
  • Personagens tridimensionais
  • Atuações excelentes
  • Humor nota 10
  • Trilha sonora medíocre
  • A atmosfera poderia ser melhor
Nota: 4/5