Review | Jogador N°1

Jogador N°1 é uma chuva de referências, mas ele consegue também ter substância!

Bernardo Dabul

Ao longo dos anos, várias obras tentaram juntar referências à cultura popular em uma história só. Filmes como Uma Cilada para Roger Rabbit e Detona Ralph imediatamente vem à mente, trazendo vários personagens de desenhos animados e games respectivamente e integrando-os em suas histórias. Agora chega Jogador N°1, baseado no livro homônimo, que já no trailer tem uma DeLorean, a moto de Akira, O Gigante de Ferro, Gundam, Tracer de Overwatch e muito mais. Porém será que essa chuva de referências consegue resultar em algo bom? A resposta curta é sim, mas existem alguns poréns.

Nossa história começa em 2045, seguindo Wade Watts, um jovem que mora na zona pobre de Ohio e gasta a maior parte de seus dias vivendo no mundo virtual de OASIS, onde qualquer um pode entrar e assumir a forma que quiser (é assim que o filme insere a maioria de suas referências). Lá ele é conhecido como Parzival, um caçador do Easter Egg, objeto deixado pelo falecido criador do jogo, onde o primeiro que encontrá-lo herdará a empresa trilhardária que é dona do Oasis.

Naturalmente, não são apenas pessoas normais que estão em busca do Easter Egg. Como se trata da maior empresa do planeta, outras corporações também estão visando a posse do OASIS. Uma dessas é a IOI, que contrata centenas de pessoas para tentar descobrir o segredo por ela, além de começar a implementar táticas mais agressivas quando Wade descobre a primeira pista do desafio.

Um dos primeiros elogios que posso dar para esse filme é o senso de escala que é dado para o OASIS desde seu início. Sem gastar tempo demais com exposição, Jogador N°1 nos apresenta a esse mundo virtual e nos leva à inúmeros ambientes diferentes em questão de minutos. É fácil de acreditar o porquê da maior parte da população mundial preferir passar todo seu tempo livre dentro do jogo. As possibilidades realmente parecem ser infinitas.

As cenas de ação também são espetaculares e épicas. Há muito tempo Steven Spielberg não entrega um filme tão engajante no quesito visual. Dentro do OASIS, tudo em cena é animação, abrindo as portas para batalhas e corridas cada vez mais elaboradas que são sempre extremamente divertidas de presenciar. Até quando as lutas são no mundo real (onde tudo é live action), elas são interessantes o suficiente, pois os jogadores usam o que aprenderam no mundo virtual como vantagem.

Quanto às referências, fico feliz em dizer que elas estão presentes e em grande quantidade. Seja você fã de filmes, jogos, quadrinhos ou qualquer outra faceta da esfera nerd/geek, é bem provável que encontrará algo para te agradar. Dito isto, é meio triste ver que, embora jogadores tomem a forma da Tracer, Master Chief, Rash e outros personagens famosos, nenhum desses têm suas personalidades originais. Parte da graça em ver misturas assim na tela grande é poder ver estes personagens, que em nenhuma outra situação se encontrariam, interagirem entre si. Infelizmente, ‘Jogador N°1’ não proporciona isso.

Outra pequena crítica a ser feita é quanto ao ritmo da história. Embora ela seja extremamente divertida, tanta coisa acontece que, mesmo com 2h20 de duração, ainda tem alguns detalhes que são difíceis de entender, se você não estiver prestando muita atenção. São muitos termos técnicos, muitas regras e (especialmente próximo do fim) muitos personagens para acompanhar ao mesmo tempo. Está longe de estragar o filme, mas é bem possível que você saia da sessão com algumas dúvidas.

Divulgação

Jogador N°1

'Jogador N°1' podia ter sido só mais um filme socado de referências, mas sem substância alguma. Porém, fico feliz em informar que a história é cativante e, acima de tudo, o OASIS é um lugar extremamente interessante de se ver. O filme não é perfeito, mas a diversão é garantida!

  • OASIS é um espetáculo visual
  • Um mundo capaz de se acreditar
  • Referências para todos
  • História cativante...
  • ... mas um pouco corrida
Nota: 4/5