Review | A Lenda de Tarzan

Tudo que Mogli: O Menino Lobo fez de certo, A Lenda de Tarzan faz de errado.

Bernardo Dabul

Sendo bem sincero, eu já não esperava grandes coisas de A Lenda de Tarzan. Desde o primeiro trailer era claro que seria um filme de ação genérico e que os únicos atrativos seriam a presença de Christoph Waltz, Samuel Jackson e Margot Robbie. Dito isso, o filme ainda assim consegue surpreender com o quão ruim ele é. Vamos começar pela história.

Você, caro leitor, alguma vez se perguntou o que raios aconteceu com o Tarzan e a Jane depois que eles saíram da floresta? Se você é uma das duas pessoas que respondeu sim, esse filme AINDA não é para você (ou humanos em geral). Segundo o roteirista, Tarzan (Alexander Skarsgård) voltou para a Inglaterra e assumiu os títulos de nobreza de seus falecidos pais. Lá, ele tenta deixar para trás seu tempo como selvagem e se reintegrar na sociedade.

Porém, quando George Washington Williams (leia-se: não o primeiro presidente dos EUA com mais um sobrenome), interpretado pelo Samuel Jackson, aparece e começa a falar que o rei da Bélgica está escravizando a população do Congo para fins nefários, Tarzan não tem escolha senão voltar à sua terra natal para investigar o problema.

Apresento a vocês a única coisa que presta nesse filme.
Apresento a vocês a única coisa que presta nesse filme.

Por outro lado, o braço direito do rei da Bélgica, Leon Rom (Christoph Waltz), precisa dos diamantes sendo protegidos por uma tribo indígena, que só irá entregá-los se Rom os trouxer Tarzan em troca.

Se a trama parece confusa e complicada demais, é porque ela é. Frequentemente os vilões tomam decisões que simplesmente não fazem sentido, os heróis descobrem elementos cruciais da trama por pura e absoluta sorte e a Jane (Margot Robbie) só está presente no filme para ser uma donzela em perigo, por mais que ela afirme o contrário.

O filme também insiste em mostrar flashbacks da época em que Tarzan crescia na floresta e conheceu Jane. Se o ritmo do filme já era estranho antes, essas cenas puxam o freio de mão com a fúria de mil sóis. Elas poderiam ser facilmente cortadas e substituídas por diálogos mais diretos.

Alexander Skarsgård incorporando o Eric de True Blood, versão selva.
Alexander Skarsgård incorporando o Eric de True Blood, versão selva.

As cenas de ação também são horrendas. Na maior parte do tempo, a câmera se mexe tanto e corta em velocidade tão frenética que fica quase impossível distinguir o que está acontecendo. Esse estilo não se limita apenas às lutas que usam CG (que poderia ser uma forma de cortar custos), mas se estende para humanos lutando entre si também.

O mais triste de tudo é que os atores provavelmente sabiam do erro que haviam cometido ao aceitar fazer esse filme, porque a maioria deles atua em piloto automático. Alexander Skarsgård poderia facilmente ser substituído por uma porta que o resultado seria o mesmo. Christoph Waltz em algumas cenas tenta fazer o vilão ser carismático, porém o roteiro não ajuda. Margot Robbie, por sua vez faz o que pode, mas na maior parte do tempo a personagem é um cliché ambulante, então suas opções são limitadas. O único que de fato consegue fazer seu personagem funcionar (minimamente) é Samuel Jackson, pegando o papel, simplesmente se divertindo e sendo extremamente exagerado.

Divulgação

A Lenda de Tarzan

A Lenda de Tarzan começou de forma muito similar a Mogli: O Menino Lobo. Ambos são uma versão mais real de desenhos onde uma criança é criada na floresta. Porém tudo que Mogli fez de certo, A Lenda de Tarzan fez o completo oposto. TL;DR: Peguem seus cipós de 70km/h (isso acontece no filme) e fujam o mais rápido possível.

  • Samuel Jackson sendo Samuel Jackson
  • Literalmente o resto do filme inteiro
Nota: 1/5