Review | O Dono do Jogo

Roteiro fraco, direção sonsa e atuações não convincentes colocam o filme em xeque. (Desculpe, o trocadilho foi mais forte do que eu)

Rafael Mei

O Dono do Jogo conta a história real do enxadrista americano Bobby Fischer (Tobey Maguire) que ficou famoso nos anos 60 e 70 no país e no mundo. Em plena Guerra Fria, Fischer ganhou fama por seus maiores competidores serem soviéticos, sendo sua partida contra o campeão mundial Boris Spassky (Liev Schreiber) televisionada e vendida como uma grande batalha entre os EUA e a URSS.

O filme apresenta Fischer como um jogador excepcional – o que realmente foi – mas também como uma pessoa extremamente perturbada. No início da projeção temos uma sequência de cenas mostrando a relação complicada com sua mãe, o início de se interesse por xadrez e os primeiros indícios de seus distúrbios.

E logo ai o longa já começa a dar sinais de problemas. As transições desses períodos da sua vida e a forma como somos apresentados a seu interesse por xadrez são muito clichês e, por falta de palavra melhor, bregas, com transições manjadas e diálogos expositivos.

Pior ainda é notar que o ator que aparece por duas ou três cenas como Fischer adolescente (Seamus Davey-Fitzpatrick) consegue convencer mais que o próprio Maguire. Por sinal, a atuação do protagonista é fraca e mecânica. Liev Schreiber que interpreta Boris Spassky, o maior rival de Fischer, faz um trabalho tão melhor que a vontade é que sua relação com Fischer e, por consequência, participação no filme fossem maiores.

Essa expressão resume a profundidade dada por Maguire ao personagem
Essa expressão resume a profundidade dada por Maguire ao personagem

Não é possível culpar apenas Maguire, no entanto. O roteiro é simplista por um lado e repetitivo demais em outras questões. Somos apresentados diversas vezes ao protagonista imaginando agentes russos a sua porta, ouvindo grampos telefônicos que não estão lá e fazendo comentários polêmicos carregados de antissemitismo – o que por si evidencia a loucura do indivíduo que era, ele mesmo, judeu – e teorias de conspiração. Essas questões são importantes para entendermos sua mente, mas são feitas sempre do mesmo jeito. Na metade do filme você já entendeu que ele tem esses problemas, e ainda somos apresentados diversas vezes a eles.

A pior consequência dessa repetição é que vemos incessantemente os distúrbios do personagem mas não somos apresentados a sua genialidade. Sua habilidade como jogador é apresentada a nós apenas por outros personagens falando o quão genial ele é, mas não há esforço nenhum do roteiro para que possamos entender o que o torna tão especial.

O longa também mostra o impacto que o jogador teve no mundo e, principalmente, nos EUA, mostrando o interesse massivo da população na sua partida de campeonato mundial. A forma que isso é abordado é tão artificial e exagerada que a sensação é de ser tudo invenção do roteiro – embora, pesquisando posteriormente, tenha constatado que realmente foi assim.

Essa é conhecida como a maior partida de xadrez da história. Pelo menos é o que o filme diz.
Essa é conhecida como a maior partida de xadrez da história. Pelo menos é o que o filme diz sem explicar o por quê.

Acaba ficando uma história sem peso emocional e tão repetitiva que a sensação é que o tempo de projeção de 2 horas se transforma em umas 4 no mínimo. E o mais bizarro disso tudo é que depois de diversos pontos naturais para o término, a projeção termina de forma súbita e inesperada, além de extremamente clichê com os famosos letreiros falando o que ocorreu com os personagens posteriormente.

O Dono do Jogo

Com uma história real interessante e um protagonista extremamente complexo, o filme é destruído por um roteiro simplista e repetitivo, uma direção clichê e brega e uma atuação principal sem profundidade.

  • A história real abordada é fascinante
  • Liev Schreiber convence
  • Tobey Maguire não convence
  • Roteiro fraco
  • Direção muito padrão
  • Foca tanto nos distúrbios do protagonista que falha em apresentar sua genialidade
Nota: 1/5