Review | O Lar das Crianças Peculiares

Tim Burton consegue entregar um filme visualmente interessante e com um mundo cativante, mas o Orfanato não é perfeito.

Bernardo Dabul

O Lar das Crianças Peculiares é um filme que eu não esperava sair do cinema com uma impressão positiva. Seja pelo fato da premissa ser semelhante demais a X-Men ou pelo diretor ser o Tim Burton, cujo estilo visual e de direção não sou fã. Porém o longa conseguiu entreter, apesar de um segundo ato arrastado.

A história começa com Jake (Asa Butterfield) tentando lidar com a morte de seu avô, a única pessoa próxima na sua vida. Um mês após o ocorrido, Jake resolve ir para o País de Gales visitar um orfanato que seu avô viveu e contava histórias sobre. É óbvio que estas eram reais e ele logo encontra a Srta. Peregrine (Eva Green) e as crianças sob sua proteção, todas com alguma habilidade especial.

Este primeiro momento, quando o universo apresentado finalmente começa a expandir, é um dos mais divertidos. Pode haver uma dose grande de exposição, mas o mundo em que estes personagens habitam consegue captar o interesse de forma a não ficar maçante. O único problema é que até chegar a esse ponto já se passaram bons 20 minutos de filme e com isso o ritmo começa a ficar um pouco arrastado. O segundo ato em geral tira todo o gás que a narrativa acumulou até então, só conseguindo se recuperar no clímax.

As crianças do orfanato, cada uma com seu próprio poder
As crianças do orfanato, cada uma com seu próprio poder

Outro problema que o filme apresenta é sua inconsistência no tom. Embora muito do que é apresentado passe a impressão de ser uma obra para crianças, existem momentos específicos na trama que são tão sombrios ou macabros que é duvidoso se os pequenos devem assistir ou não.

Já as atuações conseguem ser bem competentes (na maioria dos casos). Todos os grandes atores presentes certamente se divertiram bastante com seus papéis. Eva Green vende a Srta. Peregrine como uma mulher alegre, mas que não aceita nenhuma agressão contra suas crianças. Samuel Jackson rouba absolutamente todas as cenas em que está presente como Barron, levando sua atuação ao extremo como o vilão da história. Asa Butterfield é competente como Jake, mas não consegue entregar com eficácia os grandes momentos emocionais. As demais crianças fazem bem seu papel, porém sem nenhum destaque.

Quanto à direção de Tim Burton, nesse filme ele não vai tão longe quanto em Alice ou em suas outras obras. Ao invés disso, a visão de Burton traz cor e vida a esse universo de forma diferente, sem excessos ou bizarrices extremas.

Divulgação

O Lar das Crianças Peculiares

‘O Lar das Crianças Peculiares’ está longe de ser perfeito, mas dessa vez Tim Burton conseguiu fazer um filme que entretém e te leva para um mundo não tão bizarro, mas certamente interessante.

  • Mundo cativante
  • Atuação de Eva Green e Samuel Jackson
  • Visual interessante
  • Primeiro e segundo ato lentos
  • Tom inconsistente
  • Muita exposição
Nota: 3/5