Review | Rogue One: Uma História Star Wars

Rogue One: Uma História Star Wars prova no cinema o que muitos fãs já sabiam há anos: Star Wars é muito mais do que apenas a saga principal.

Rafael Mei

O anúncio de Rogue One foi um daqueles que traz consigo um grande peso e uma grande expectativa. A promessa de termos o universo de Star Wars sendo explorado no cinema com histórias antológicas em outros âmbitos que não apenas a saga principal era animadora. E como primeiro passo nesse caminho, Rogue One é um grande acerto.

O longa conta a história de como a Aliança Rebelde conseguiu os planos da primeira Estrela da Morte, que possibilitaram a destruição da mesma no episódio IV da saga. Esses planos foram conseguidos por um grupo de rebeldes encabeçado por Jyn Erso (Felicity Jones) e Cassian Andor (Diego Luna). Sua missão é encontrar o pai de Jyn, Galen Erso (Mads Mikkelsen) que tem envolvimento com a criação da Estrela da Morte.

Apenas pela descrição o sentimento de estarmos explorando novas áreas da galáxia muito muito distante já se encontra presente. Sim, existia antes o universo expandido, mas seu caráter aberto e quantidade absurda de obras, sem uma visão única por trás delas, o tornava confuso e de difícil inserção. Rogue One é o contrário, é possível notar um claro cuidado e apreço para que tudo se encaixe bem com as outras obras da franquia – sem que perca foco com isso.

É nos personagens que a narrativa encontra sua maior força e – em alguns momentos – maior fraqueza também. O grupo principal é, no geral, muito bom e vale destacar Chirrut Îmwe (Donnie Yen) que é, depois de Yoda, provavelmente o melhor personagem da franquia toda em termos de ligação com a força – sendo que o mesmo sequer é um Jedi, além do droid K-2SO (Alan Tudyk) que também é ótimo.

A fraqueza começa pela própria Jyn Erso que é uma personagem interessante porém com algumas mudanças em suas atitudes que surgem de forma um tanto súbita – além da importância que a mesma personagem ganha com a Rebelião parecer artificial. Não é uma personagem ou uma atuação ruins, mas também não cativa. Outro ponto fraquíssimo é Saw Guerrera (Forest Whitaker) que poderia ser cortado sem grandes perdas para o decorrer da história.

A trama começa um pouco confusa e sem sinal claro de para onde está indo, mas, depois que se encontra, conta uma história excelente. Somos apresentados a diversos novos planetas – nada de Tatooine aqui – e vemos um lado mais humano não só da Aliança Rebelde – dando foco aos sacrifícios e dificuldades vividos por seus membros – mas também, em alguns momentos pontuais, dos próprios membros do Império.

Uma rebelião construída não só com esperança, mas também com pessoas.

E é exatamente nisso que Rogue One encontra seu maior trunfo, é um filme sobre pessoas. Mesmo que esteja contando uma história de escala, literalmente, galáctica, os roteiristas compreendem que o importante de qualquer narrativa são os indivíduos. Cada personagem – com algumas pontuais exceções – tem suas motivações, medos e desejos bem desenvolvidos – até mesmo o Saw Guerrera, de certa forma -, fazendo com que possamos entender como cada um chegou até ali. Algumas falas, no entanto, são tão redundantes ao explicar os sentimentos do personagem que acabam destoando do resto.

Esse lado humano faz também com que as cenas de ação bombásticas e de escala gigantesca tragam consigo mais peso emocional. O longa conta com, provavelmente, as melhores cenas de ação da franquia – incluindo batalhas espaciais fantásticas – que fazem um excelente trabalho em transparecer a intensidade desses conflitos.

Em termos visuais também é uma produção ótima. A direção de arte explora o estilo da trilogia original, trazendo novos veículos e equipamentos que se encaixam perfeitamente com os antigos, dando um aspecto mais moderno para o cinema atual, mas sem tornarem os antigos antiquados. Do ponto de vista de direção também há momentos incríveis, com alguns planos que figuram entre os mais impressionantes da franquia como um todo, a ação é bem coreografada e fluida.

Vale notar, ainda na questão visual, que o filme traz dois personagens – um apenas como um breve cameo – da trilogia original numa versão recriada em computação gráfica. Não se pode dizer que é completamente imperceptível que foram criados artificialmente, mas funciona bem o suficiente para ser impressionante.

Por fim, Rogue One: Uma História Star Wars não é perfeito. Com ritmo inicialmente estranho, alguns personagens – e falas – desnecessários, o filme não causa a melhor das primeiras impressões. Mas depois de encontrar seu próprio ritmo e estabelecer seus personagens, conta uma das histórias mais cativantes de toda a franquia.

Rogue One: Uma História Star Wars

Rogue One: Uma História Star Wars é um primeiro passo retumbante no futuro da franquia Star Wars, mostrando que não apenas é possível fazer filmes fora da saga principal, como que eles podem se tornar tão cativantes quanto os originais.

  • Personagens bem desenvolvidos
  • Expansão do universo Star Wars
  • Narrativa cativante
  • Visuais incríveis
  • Alguns personagens redundantes
  • Falas e diálogos às vezes fracos
Nota: 4/5