Review | Venom

Objetivamente ruim, mas paradoxalmente divertido!

Bernardo Dabul

Durante a cabine de imprensa de Venom, só conseguia pensar como eu estava assistindo um filme objetivamente ruim. Porém, ao mesmo tempo, algo mágico aconteceu: eu me diverti. O único problema é que eu estava rindo de cenas que, supostamente, eram para ser sérias. Esse é o limbo existencial do mais novo filme da Sony, que parece querer sugar cada centavo possível dos direitos cinemáticos do Homem-Aranha.

Começamos nossa história seguindo Eddie Brock (Tom Hardy), um jornalista investigativo conhecido por não largar nenhuma oportunidade para ter um furo. Convenientemente, essa versão do personagem teve que se mudar de Nova York, para não haver menção ao Clarim Diário ou ao Homem-Ara– QUER DIZER, porque ele se meteu em uma enrascada jurídica graças a uma de suas reportagens e precisava começar do zero em um lugar novo.

Paralelamente, uma nave espacial retornando à Terra após uma missão de exploração traz como carga alguns simbiontes, ou seja, formas de vida que não sobrevivem por conta própria, dependendo de anexação a um hóspede compatível. Não é preciso um engenheiro espacial para adivinhar que um desses simbiontes é o Venom e não demora muito para ele encontrar Eddie e estabelecer a conexão clássica dos quadrinhos.

Infelizmente, é aí que se torna claro um dos principais problemas do filme. Em nenhum momento a obra estabelece se quer ser uma comédia ou uma ficção séria sobre aliens que tomam conta do corpo de humanos. Em um momento, as cenas são tensas, com música pesada e iluminação baixa, enfatizando o “horror” da situação. Mas logo em seguida temos Venom e Eddie conversando entre si, fazendo piadinhas como em filmes da Marvel Studios. Não só as partes cômicas são majoritariamente forçadas, como as sérias são tão exageradamente dramáticas e destoantes, que minha única reação foi rir do absurdo.

Nem como um filme de ação ‘Venom’ funciona. O simbionte, quando transformado, é uma criatura preta gigante, mas a maioria de suas cenas são à noite. O resultado disso é que quando tiros e socos começam a voar, é muito difícil identificar o que está acontecendo. Em especial, a batalha final no clímax do filme, chega a níveis Transformers 1 de poluição visual. É impressionante como esse detalhe não recebeu mais atenção.

Dando o devido crédito para ‘Venom’, o filme tem uma ou outra ideia interessante. Algumas piadas são legitimamente engraçadas e o uso do “poder” do simbionte tem aplicações interessantes (especialmente na perseguição de moto no meio do filme). Até mesmo Tom Hardy faz uma atuação decente, apesar do roteiro que lhe foi entregue. Mesmo assim, não é o suficiente para salvar o caminhão de lixo em chamas que é o resto da obra.

O mais estranho é que, apesar de TUDO… eu me diverti. Claro, talvez estivesse rindo pelos motivos mais “errados” possíveis, mas ainda foi uma experiência interessante. O filme está LONGE de ser bom, mas dependendo do quanto você conseguir abstrair ao entrar na sala de cinema, é possível que se divirta também.

Divulgação

Venom

‘Venom’ não é um filme bom. Ação confusa, tom inconsistente e um roteiro fraco tornam a segunda versão do personagem nos cinemas um fracasso cômico. Porém, talvez seja possível se divertir, rindo dos defeitos e das (poucas) piadas que funcionam.

  • Uma ou outra boa piada
  • Vários momentos engraçados...
  • ... só que eram para ser sérios
  • Ação confusa
  • Tom inconsistente
Nota: 2/5