Review | Voando Alto

O filme que junta Kingsman e Wolverine tem um coração muito maior do que o seu roteiro…

Matheus Esperon

Todo mundo tem um sonho. O do Michael Bay, por exemplo, é destruir a indústria cinematográfica, um ‘Transformers’ de cada vez. O meu era ser astronauta — até descobrir que astronautas não podem ser míopes e me recusar a fazer aquela cirurgia laser que mais parece uma cena de ‘Laranja Mecânica’.

Já o sonho do inglês Eddie Edwards era ser um competidor olímpico. Desencorajado por todos à sua volta, incluindo seu próprio pai e o comitê olímpico britânico, Eddie fez o possível e quase o impossível para fazer história nos Jogos Olímpicos de Inverno de 1988.

Imagine ‘Jamaica Abaixo de Zero’ mas com salto de esqui no lugar de trenó. E mais Wolverine. Esse é Voando Alto.

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Logo no começo do filme vemos Eddie durante a infância tentando emular as mais diversas categorias dos jogos sem sucesso até perceber que sua vocação é o esqui. O garoto fica mais velho, pêlos começam a crescer em lugares estranhos e ele adere à descida livre (downhill).

Após ser esnobado pelo comitê britânico por causa de sua personalidade atrapalhada, Eddie (Taron Egerton) decide partir pro salto de esqui, modalidade sem competidores nacionais. Ao longo de sua jornada para se classificar para os Jogos de 88, ele se junta ao alcoólatra Bronson Peary (Hugh Jackman) que acaba se tornando seu nada ortodoxo técnico.

A história real de Eddie ‘A Águia’ Edwards é o clássico conto do personagem desacreditado e subestimado que com a força do coração não consegue sumonar o Capitão Planeta (afinal ele ainda precisaria de Água, Fogo e Terra) mas consegue vencer todos os obstáculos — o tipo de coisa que o cinema adora.

O roteiro é super previsível, mas sendo baseado em algo que aconteceu de verdade é injusto criticar essa parte com dureza. O que é possível apontar sem remorso é como roteiristas mais “afiados” e uma montagem mais rápida teriam feito muito bem ao filme, principalmente em cenas de diálogos e piadas que perdem a força com o timming pouco inspirado do roteiro.

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O ponto mais positivo de ‘Voando Alto’ com certeza é a atuação de Taron Egerton. É ótimo ver que o cara consegue ir de espião classudo, letal e sedutor em ‘Kingsman’ para o bobão e atrapalhado Eddie Edwards. Fica comprovado que Taron é mesmo uma das maiores promessas de Hollywood.

É engraçado que a interpretação inicialmente parece forçada com trejeitos demais (o famigerado “overacting”), mas ao que tudo indica, o personagem real era exatamente desse jeito. Então, assim como a previsibilidade da trama, não dá pra criticar isso — pelo contrário, a fidelidade merece ser elogiada.

Wolverine, aka Hugh Jackman, também se destaca como o problemático treinador de Eddie, tirando uma cena orgásmica totalmente vergonha alheia e outra na qual ele interpreta o pior bêbado da história recente do cinema (sério, conhecidos sóbrios meus querendo chamar atenção em sociais já fingiram estar alcoolizados melhor do que ele).

O resto dos personagens é pouquíssimo desenvolvido e os atores estão apenas batendo ponto, com direito a uma ponta de luxo que me pegou completamente de surpresa no cinema. O nome começa com “C”, você consegue adivinhar quem é?

Voando Alto

O filme tem um coração e uma ambição muito maiores do que a qualidade do roteiro. Poderia ter sido uma produção muito mais grandiosa, engraçada e emocionante com um pouco mais de coragem de arriscar.

  • Ótima atuação de Taron Egerton e Wolverine
  • Mensagem bacana
  • O cabelo ridículo de Hugh Jackman
  • Roteiro pouco inspirado
  • Os diálogos e as piadas poderiam ser mais afiados
  • O cabelo ridículo de Hugh Jackman
Nota: 3/5