Review | X-Men – Dias de Um Passado Futuro Esquecido do Presente

Honestamente não sei como surgiu a expressão “queimar a língua”. Se você imaginar um cenário pra sua criação, não faz sentido. Imagine uma criancinha em frente ao fogão, esperando sua mãe fazer o brigadeirão de domingo na panela quando, tomada pelo espírito YOLO, ela dá uma colherada no conteúdo marrom do utensílio de metal e queima sua língua com o doce néctar de chocolate em forma de lava. “Queimar a língua” então deveria ser uma expressão pra ser apressado e fazer algo antes da hora.

Matheus Esperon

Honestamente não sei como surgiu a expressão “queimar a língua”. Se você imaginar um cenário pra sua criação, não faz sentido. Imagine uma criancinha em frente ao fogão, esperando sua mãe fazer o brigadeirão de domingo na panela quando, tomada pelo espírito YOLO, ela dá uma colherada no conteúdo marrom do utensílio de metal e queima sua língua com o doce néctar de chocolate em forma de lava. “Queimar a língua” então deveria ser uma expressão pra ser apressado e fazer algo antes da hora.

E justamente nesse momento, depois de escrever tudo isso, acabo de perceber que a expressão faz todo o sentido. Não planejei isso aqui, sem sacanagem (estou rindo muito). Eu mesmo me fiz entender esse termo, inconscientemente. Sinta como a minha mente funciona.

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“wow”

A questão é que quem me conhece e/ou segue no Twitter, sabe que desde o anúncio de X-Men – Dias de Um Passado Futuro Esquecido do Presente (nunca sei qual o nome certo), eu apostava que o filme seria uma BOMBA. E não no sentido bacana que os Braga Boys trouxeram até nós nos anos 90.

Por que? Por causa a retrospectiva dos mutantes no cinema. De todos os longas dos Homens X, apenas UM conseguiu ser bom: Primeira Classe, do Matthew Vaughn (e ainda assim não é essa Coca-Cola toda). Os dois primeiros X-Men — por mais importantes que sejam pra trajetória dos filmes de super-herói — são bem ruinzinhos. X-Men 3 e os dois filmes solo do Wolverine são ruins no nível holocausto nuclear. Um levantamento do IBGE aponta que 11 a cada 10 pessoas que assistiram a essas produções no cinema sofreram queimaduras de terceiro grau. E não se inventa uma coisa dessa.

Quando saíram então as primeiras imagens e fotos dos personagens de Dias do Passado Futuro, tal como um fazendeiro instalando seu novo espantalho na plantação, eu cravei: será uma grande surpresa se o novo X-Men for qualquer coisa acima de “horrível”.

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Sério, você pode me julgar?

Mas, meu amigo(a), se “queimar a língua” fosse um filme ruim, eu seria o Ataque dos Clones da queimação de língua. Dias de Um Futuro Passado é um ótimo filme e eu não tenho vergonha nenhuma de admitir o quanto eu estava errado. Tá longe de ser perfeito, mas com certeza está muito acima do “horrível” que eu esperava. ;)

História

FUTURO! Os mutantes são caçados e exterminados pelos Sentinelas, robôs criados por Tyrion Lannister (Peter Dinklage). Entre os poucos sobreviventes estão o capitão Picard (Patrick Stewart), Gandalf (Ian McKellen), Mulher-Gato (Halle Berry) e Wolverine (Hugh Jackman), que buscam um meio de evitar que o extermínio continue. Com a ajuda de Kitty Pryde (Ellen Page) — que a princípio só podia atravessar paredes mas agora também pode realizar viagens no tempo (because fuck you, that’s why) — eles decidem enviar a mente do Carcaju pros anos 70, onde ele deve encontrar Sarah Connor os jovens Xavier (James McAvoy), Magneto (Michael Fassbender) e Mística (Jennifer Lawrence) para impedir esse terrível futuro.

Como todo filme de viagem no tempo, existem alguns furos na história (se até De Volta Para o Futuro tem os seus erros, imagine um filme dos X-Men). Personagens claramente deveriam se lembrar de alguns eventos, por exemplo, e eu prefiro nem escrever sobre a epopeia do Wolverine com o adamantium. Mas, no geral, as coisas fazem sentido e os erros acabam sendo diminuídos à luz dos acertos da trama.

E o principal acerto do roteiro é ter conseguido arrumar (em partes e na medida do possível) a bagunça que era a cronologia dos mutantes no cinema. Todo filme que a maldita Fox lançava conseguia tirar ainda mais sentido da narrativa geral da franquia. Dias de Um Passado Presente, com a sua conclusão, aperta um grande botão de REBOOT na saga, reescrevendo alguns eventos, simplesmente ignorando outros (leia: X-Men 3 inteiro), e deixando o caminho livre pra galera tocar o barco na direção que quiser. ;)

Personagens

É aqui que o filme brilha mais que um celular sacado durante uma sessão de cinema (sério, seus babacas, deixem o telefone no bolso). Os personagens clássicos, interpretados por atores super carismáticos e competentes (com exceção do Homem de Gelo que deveria se chamar Homem Manequim), já estão tão consolidados depois de 6 aventuras mutantes que vê-los na telona é quase como rever velhos amigos. E é impossível não se importar com os seus amigos, por pior que os filmes anteriores deles tenham sido. ;)

E além das caras conhecidas, como sempre, somos introduzidos a alguns novos personagens, tanto no futuro quanto nos anos 70. Os mais modernos aparecem praticamente só pra dar (e levar) porrada nos Sentinelas e são pouquíssimo desenvolvidos em termos de personalidade — o que é justo à luz da situação apocalíptica cheia de correria do presente retratado. Um desses novos heróis é a Blink, capaz de criar portais que funcionam como mini buracos de minhoca. Seus poderes são visualmente impressionantes e a forma como ela usa os portais é mais bem bolada do que a ideia de juntar biscoito maisena com creme de leite e chocolate pra criar a torta alemã.

Já no passado, além de alguns mutantes que aparecem rapidamente, somos apresentados ao Mercúrio da Fox. Mercúrio esse que eu cravava que seria um desastre pior que Chernobyl. E você sabe qual foi o maior defeito do filme no fim das contas? Terem utilizado-o pouco no longa, em apenas duas ou três sequências. I NEED MORE QUICKSILVER, AND I NEED IT NOW!

O Pietro, ou melhor, Peter (por questões de direitos autorais com a Marvel, o que não impediu algumas referências fantásticas) do Evan Peters é simplesmente sensacional. Um personagem completamente hilário e carismático que rouba TODAS as cenas em que aparece. Aliás, a sequência da foto aí em cima é facilmente a melhor de 2014 até agora. Tanto pelo uso dos poderes, com efeitos incríveis, quanto pelo humor, que é de fazer você chorar de rir no cinema. Passaram um ferro quente na minha língua e eu não ligo: Fox, por favor, faça um filme solo do Mercúrio. ESTOU JOGANDO DINHEIRO NO MONITOR.

Este texto foi originalmente postado no Eleve Seu QI.

Dias de Um Futuro Passado Esquecido do Presente

Esse novo filme dos X-Men com certeza é a melhor aventura dos mutantes no cinema. E a melhor lição de 2014 pra eu reaprender a calar a boca e esperar o produto sair antes de julgá-lo com tanta certeza. ;)

  • Viagem no tempo!
  • Mercúrio é um dos melhores personagens de filmes de herói já apresentados
  • Bom casamento das equipes clássicas de X-Men e os novatos de First Class
  • Reboot muito bem vindo na franquia ao fim do filme
  • Motivações rasas que não fazem muito sentido
  • Alguns furos de roteiro e deus exs
Nota: 4/5