Review | xXx: Reativado

O retorno de Xander Cage é ótimo pra quem procura apenas um filme de ação para desligar o cérebro e se divertir.

Matheus Esperon

Existem filmes que se propõem a entregar uma grande história com um grandioso roteiro. Outros, mais introspectivos, decidem te prender com uma trama simples, talvez até mesmo cotidiana. E aí você tem filmes como xXx: Reativado que só querem te divertir por quase 2h sem nada fazer sentido e com pessoas surfando com motos.

E, olha, dentro dessa proposta, o retorno de Xander Cage é super competente. Ou como um coadjuvante irrelevante diz logo no começo: ¡THAT’S MUY LOKO, CHICO!

O elenco tentando entender as loucuras que rolam nesse filme.

Após um período de exílio, Xander Cage (Vin Diesel) volta à ativa para enfrentar uma misteriosa equipe (liderada por Donnie Yen) que roubou um dispositivo que pode derrubar satélites – com o nome super original de Caixa de Pandora. Sob tutela de Toni Collette, Xander forma um novo time, que inclui Nina Dobrev, Ruby Rose (‘Orange is The New Black’), Rory McCann (o Cão de Caça de ‘Game of Thrones’) e – por motivos que não entendi até agora – um DJ cuja habilidade… É ser DJ.

Como esperado, a história de ‘xXx: Reativado’ não faz o menor sentido e conta com um roteiro digno de filme da Sessão da Tarde dos anos 90, com todos os clichês de ação que você possa imaginar e reviravoltas óbvias. Mas a produção sabe muito bem disso e não se leva a sério em nenhum momento – o que torna tudo divertido se você conseguir “desligar” o cérebro junto.

As cenas de ação extrapolam qualquer limite (de novo, surfe com motos que se transformam em jet-skis) com direito a alguns momentos inspirados – especialmente na cena do avião no final que é incrivelmente bem feita. Também vale dizer que a direção não picota tanto os trechos de porradaria e explosões, ou seja, é possível acompanhar o que está acontecendo – isso parece básico mas nos padrões atuais acaba sendo lucro.

O destaque do filme!

Falando sobre acertos do longa, o time de coadjuvantes – por mais canastrão e, de novo, banhado nos clichês de ação – consegue ser muito bacana, com destaque total para o carisma estelar e a habilidade de luta insana de Donnie Yen. O ator que  o mundo aprendeu a amar com ‘Rogue One’ rouba todas as cenas das quais participa.

Yen só quase é superado pela ponta de luxo do nosso camisa 10, Neymar Jr. O jogador tem meros minutos em cena mas consegue provar que é o melhor ator brasileiro em atividade – e a Paramount liberou o trecho com o atacante se você quiser assistir.

Nina Dobrev como a nerd de óculos da tecnologia, Tony Jaa como o capanga porradeiro dedo na tomada e o próprio Vin Diesel (atuando, como sempre, como Vin Diesel) também são super divertidos. Além deles, há uma participação especial que consegue ser um dos pontos altos da produção.

No panteão dos personagens, o ponto baixo mesmo é o DJ que mencionei anteriormente. Sua convocação para o time (que vai enfrentar, basicamente, terroristas) não faz o menor sentido e ele é tão inútil na trama que fica a impressão de que o ator deve ser filho de algum produtor para estar no filme.

E a Toni Collette também zzZZzz…

De ruim no geral, o filme também tem duas coisas: No último ato, por uns bons 15 minutos, ‘xXx: Reativado’ deixa a ação insana de lado e se transforma num filme mais “pé no chão” (se é que dá pra dizer isso), ficando genérico e até arrastado.

Além disso, é impossível não reconhecer – e condenar – a objetificação e sexualização do corpo feminino presentes no filme. A personagem vai sair da piscina? É claro que a câmera vai percorrer todo o seu corpo de biquíni. Uma festa? Closes em bundas e afins. Vin Diesel é o herói? É claro que 10 mulheres vão fazer uma orgia com ele.

E falando nisso, é engraçado como o longa passa a impressão de ser uma enorme massagem no ego do ator, com todos o tratando como um mito o tempo todo – há uma sequência inteira que basicamente freia o filme para Nina Dobrev elogiar até as “armas” nos braços do cara. Vale dizer que Diesel também é produtor do filme. Tire suas próprias conclusões.

xXx: Reativado

Se você quiser apenas um filme de ação maluca e conseguir desligar o cérebro, o retorno de Xander Cage definitivamente vai te divertir. Pena que o ato final genérico, o personagem DJ inútil e, claro, toda a objetificação fazem com que o longa caia na categoria de "esquecível".

  • DONNIE YEN
  • NEYMAR JR. MELHOR ATOR BRASILEIRO
  • ¡THAT'S MUY LOKO, CHICO!
  • Tony Jaa como o porradeiro animadão
  • Cenas de ação inspiradas (pra quem gosta de "mentirada")
  • Terceiro ato genérico
  • Direção não picota tanto mas ainda não é boa
  • Personagem DJ sem propósito
  • Objetificação
Nota: 3/5