Review | ‘Sputnik’ traz novas ideias pro sci-fi com sua mistura de ‘A Chegada’ com ‘Alien’

Por que choras, Ridley Scott?

Matheus Esperon

Além de vodka de qualidade, estações de metrô artísticas e, aparentemente, vacina contra o coronavírus, a Rússia também se meteu a fazer filmes interessantíssimos de ficção científica, com o surreal ‘Koma’ no começo do ano e agora o inventivo SPUTNIK, sobre um cosmonauta que retorna de sua missão espacial na reta final da Guerra Fria com um organismo alienígena dentro de si.

A jovem doutora Tatyana Klimova é então convocada para ajudar a investigar o caso, numa versão soviética de ‘A Chegada’ que, de acordo com a progressão da história, vai migrando cada vez mais pro horror de ‘Alien’ – e realizando com muita competência tudo que o diretor Ridley Scott sonha em fazer com sua franquia desde ‘Prometheus’ em 2012.

Desde os primeiros minutos de filme, fica claro que ‘Sputnik’ se propõe a ser acima da média na sua direção e fotografia. A economia nos cortes e a ausência de balançadas na câmera se unem à uma iluminação sempre certeira pra criar o clima constante de mistério (e eventualmente horror), seja apertada cápsula dos cosmonautas ou dentro da base militar soviética.

Toda a parte técnica, incluindo efeitos especiais dignos de grandes produções hollywoodianas(!), fica a serviço de um roteiro extremamente criativo na construção do seu universo (a escolha de situar o filme na URSS de 1983, por exemplo, não é à toa) e, principalmente, criatura: sua forma de agir e (co)existir é alicerçada em ótimas explicações (no sentido de serem diferentes, pra falar sobre a veracidade só perguntando pro Átila), conseguindo a proeza de trazer novidade para um gênero tão saturado quanto a ficção científica.

Além disso, o ritmo da história é quase sempre bem dinâmico, sendo interrompido apenas por deslocados cortes para um diminuto núcleo secundário (ligado à motivação de um dos protagonistas) – essas poucas cenas poderiam ter ficado na mesa de edição. E por mais que o final fique um pouco abaixo do resto, é um desfecho honesto que conta com o apoio de algumas reviravoltas interessantes ao longo da trama.

‘Sputnik’ não é perfeito, mas prova que criatividade é o fator determinante que pode fazer até mesmo uma pequena produção russa se agigantar perante blockbusters americanos. O filme só sofre de um mesmo problema de Hollywood: tentar vender qualquer filme de suspense como terror nos trailers – aqui temos no máximo uns toques de horror, mas sem nenhum susto. Comemorem, cagões e cagonas de todo o Brasil!!! 🙏

Sputnik, 2020
Direção: Egor Abramenko
Disponibilidade: Seuspuloflix

Divulgação

Sputnik

Um filme extremamente criativo que consegue trazer novidade para um gênero saturado. Não é perfeito, mas coloca muitos blockbusters americanos pra mamar. Por que choras, Ridley Scott?

  • Direção, fotografia e iluminação em prol do suspense
  • Efeitos especiais de ótima qualidade
  • Explicações interessantes pra criatura
  • Boas revelações
  • Final poderia ser mais inspirado
Nota: 4/5