Chris Recomenda | Metro 2033

As desventuras de um pequeno Christian por um mundo pós-apocalíptico, melancólico e magicamente “calmo”, sua futura fixação por trens subterrâneos e grandes minhocas.

Christian Kaisermann

O cenário é o seguinte:

Um não-tão-pequeno Christian, lá pelos seus 17 anos estava numa onda de jogar todos os jogos que pudesse em seu computador. O jovem encontrou um singelo jogo, um tal de Metro 2033. Que nome esquisito, que nome curioso, por que esse número? A capa mostrava uma figura humana vestida de cima a baixo com uma porção de casacos, luva, armas, máscara de gás. Tudo aos trapos. Curioso o jovem ficou.

Acontece que Christian ainda não tinha desenvolvido seu método infalível* para jogar jogos de suspense e terror.

* Se você, assim como eu tinha, tem um problema com jogos de suspense, crie uma raiva do nada. Jogue com raiva dos monstros, espíritos, aberrações. Alguém “deu um susto” em você? GRITE DE ÓDIO “MONSTRO MALDITO, VTNC AHHHH *atira todos os clipes no teto*”. Sério, funciona. Consegui terminar Dead Space assim e foi só “”””alegria””””.

Todo serelepe, abriu o jogo, iniciou a campanha e seguiu com a história. Logo descobrira que Metro 2033 se tratava de um mundo pós-apocalíptico.

O começo

Em 2013, uma (terceira) guerra nuclear ocorreu e a Rússia foi um dos países atingidos por várias bombas nucleares, o que acabou por gerar uma bela quantidade de radiação pela sua capital, Moscou, e seus arredores. Enquanto as bombas voavam em direção ao seu alvo, Moscou já alerta, soava um alarme de emergência e uma parte de sua população conseguiu se abrigar no metrô da cidade (aha! Metade do título começou a fazer sentido).

Você pode ver essa “belíssima” cena no seguinte video:

Os sobreviventes da catástrofe foram obrigados a viver no metrô desde então. Acontece que, os humanos viram as bombas e correram para o subterrâneo, beleza. Já os animais… Nem todos tiveram a sorte de ser um gatinho ou cachorro ou urso (russos, sei lá né) de estimação. Vamos fazer uma conta aqui: “bomba nuclear + pós apocalipse + radiação + animais = …. Mutantes”. Ou seja, além de uma superfície completamente irradiada e inabitável, agora há novos animais (mutantes) pairando por lá.

Vinte anos se passam. Estamos no ano de 2033 (AHA! Agora sim). Estação VDNKh (sim, as estações do metrô de Moscou têm nomes BEM doidos, estejam avisados e se preparem). O seu nome é Artyom, 20 anos, mora num pequeno casebre, é segurança da estação e você tem um sotaque irado. Logo de começo você vai sendo aos poucos apresentado às mudanças em que o ser humano teve que se adaptar para viver no subterrâneo.

“I was born in Moscow. But I remember nothing of that time. I was just an infant when the old world was destroyed in the flames of nuclear fire. I, along with 40 thousand others, were saved by retreating to the Metro stations deep under the city. Now, 20 years had passed, and going up into the embrace of an endless winter was left to a few brave souls. The Metro was our home, and our fortress against the nightmarish mutants who roamed the tunnels. Still, we never gave up hope that we would return to the surface. But one day, a new threat appeared… and we found ourselves in a war to determine the very existence of our species…” – Artyom

No fim de uma das rondas de Artyom, um homem misterioso chamado Hunter chega na estação por uma porta que ligava à… superfície. A cena envolve um portão BEM pesado. Fica bem claro que ir para a superfície não é algo comum ou trivial. Conforme Hunter se aproxima, pelos seu traje, acessórios e armas é notável que idas á superfície não são pra qualquer um, que envolvem muitos perigos e bastante treino.

Em seguida a estação é atacada por um grupo de criaturas negras e misteriosas, na qual as pessoas que estão ao seu lado se referem como os “Dark Ones”, ou os “os escuros” em tradução livre. Após sobreviver a pequena investida, Hunter diz que investigará de onde os Dark Ones estavam vindo e que se ele não estiver de volta pela manhã, que Artyom deveria ir até a estação capital Polis (um nome não complicado, mas continue se preparando) para avisar sobre a situação atual da VDNKh. Para que os conhecidos de Hunter em Polis deem ouvidos a Artyom, Hunter lhe dá suas dogtags e parte em sua missão.

Bem, não preciso dizer que o Hunter não volta e nessa hora eu imagino o Artyom com aquela cara de “me lasquei”. Surpreendentemente não relutante, Artyom começa a preparar sua jornada. A capital Polis fica no centro do metrô de Moscou e a VDNKh na parte superior, logo tem um bom chão entre elas. Ah, não preciso dizer que os trens do metrô não estão funcionando, né?

Olha os pontinhos vermelhos. Parece perto né?
Olha os pontinhos vermelhos. Parece perto né?

Nesta parte somos introduzidos à um dos fatores mais geniais e preocupantes do universo de Metro 2033: a munição é a moeda corrente. Isso mesmo, a mesma coisa que você atira nos inimigos é a coisa que você usa para comprar itens de sobrevivência como kits médicos, armas, entre outros.

Você pega sua arma “bastarda” feita de sucata, conversa com uma caravana que está para viajar em cima de um pequeno veículo ferroviário manual e precisava de proteção. Ok, os túneis do metrô também não são seguros pelo visto. Que vidão. Partem. Eis que no meio do caminho, obviamente, um portão encontra-se com defeito e a caravana se vê obrigada a tomar um desvio por um caminho que só posso descrever como “indesejável”.

A mitologia do Metrô

Assim que o desvio é feito, você começa a ser apresentado à mitologia do metrô. Das vozes. Dos canos que cantam e enlouquecem as pessoas. Das aparições. Das anomalias sobrenaturais. Das criaturas. É acreditado que o metrô se tornou um organismo vivo.

E não dá outra. O trilho vai ficando cada vez mais macabro, todos da caravana começam a ouvir barulhos e de repente *PAAAAH*, pequenos seres de quatro patas começam a atacar a caravana e é tiro pra lá, tiro pra cá, perde-se um cara ali, outro aqui e, do nada, *PUM* todo mundo desmaia, menos você. O pequeno trenzinho da não-alegria perde o freio, começa a acelerar descontroladamente, bate em uma porção de madeiras e todo mundo é jogado pra longe. Quando Artyom acorda, a coisa tá feia e é o primeiro momento do jogo em que você se encontra completamente sozinho.

Ok, o jovem Christian começou a ficar nervoso.

Umas andadas depois, os animais de quatro patas vieram me atacar novamente, mas dessa vez não havia mais ninguém atirando neles, somente Artyom. Eram muitos. Tava escuro. Fodeu. Munido de minha arma bastarda, metralhei tudo que se mexia naqueles túneis escuros. Sobrevivi.

Segui minha vida pelos escombros e ruinas até chegar outro grupo de pequenos animais mutantes. Eram muitos. Tava escuro. Munição tava quase negativa. Me caguei.

Parei. Desisti. Rendi-me à força do cagaço e deixei o jogo de lado.

A aventura de verdade

Lá está o não-mais-tão-jovem Christian, dois anos depois, navegando por um site de troca de jogos e eis que surge a oportunidade de obter o Metro 2033 praticamente de graça para seu Xbox 360. Lembrando que foi um jogo bonito, com uma ambientação linda (e medonha), Christian não pensou duas vezes e adquiriu o jogo.

Agora sim começa a aventura. Da primeira vez que joguei Metro 2033, não liguei para quase nada da ambientação, do cenário e dos personagens. Queria jogar um jogo apenas por jogar. Se tivesse uma história boa era bônus.

Estando um tanto quanto mais maduro, com um novo gosto por jogos com uma boa história já com a minha técnica de jogar jogos cheios de suspenses e sustos desenvolvida, resolvi entrar de cabeça no jogo.

Ambientação

Falando com alguns de seus companheiros de estação e explorando um pouco do ambiente, além de notar que grande parte da iluminação vem de luzes de emergência, já que consomem menos energia, você aprende que a VDNKh é a estação especialista em produção de chá de cogumelo (crescem no escuro). Também é notável uma pequena criação de porcos. Comecei a me apaixonar já no cenário inicial do jogo. Imaginar e “viver” como aquelas pessoas viviam, como a vida delas eram diferentes das nossas, os problemas que passavam, as pequenas coisas que geravam imensa alegria, me fez amar cada vez mais o universo de Metro 2033.

metro-kumbaya
A estação toda reunida para o simples espetáculo de um homem tocando sua viola <3

Passando da parte em que passei vergonha por desistir do jogo, você e introduzido às outras estações (porquê obviamente  caminho até Polis não vai ser simples), à personagens malandros, espirituais, nervosos; cada um com sua personalidade marcante. Poucos momentos em seguida ao acontecimento do desvio, você começa a ter visões com os Dark Ones, aonde todos em sua volta pareciam ficar insanos, menos você. Cria-se um mistério ao redor dessa suposta conexão que Artyom possa ter com seja lá o que for essas criaturas.

É, nem um pouco assustador.

Chega de contar a história

Não estou aqui para te contar tudo que acontece e você desistir de jogar. Quero tomar uns minutos do seu tempo para que você possa apreciar comigo esse universo que é triste, destruído, perigoso e melancólico ao mesmo tempo que é intrigante, rico, variado e, de certo modo calmo. Espera aí, sei que me contradigo ao dizer “calmo”. Também não sei dizer o porque, mas aquela imagem da roda “kumbaya” me traz uma paz que não consigo explicar. Talvez porque ela representa a famosa regra #32, na qual deve-se aproveitar as pequenas coisas. Por um lado, é triste a situação em que os seres humanos vivem nesta período, mas por outro, a simplicidade dos prazeres da população é algo que invejo. Pessoas ao redor de uma fogueira, ouvindo música e é isso.

Caso você não saiba, Moscou possui algumas das maiores e mais mirabolantes estações de metrô do mundo. Em Metro 2033 não é diferente. Cada estação é como uma cidade, um micro-universo dentro do enorme metrô. Cada uma vive de um modo, produz algo, exporta algo, presta tal serviço.

metro-2033-station

E é claro que, como sempre, o ser humano mesmo que estando em uma situação bem ruim, vira contra si mesmo. Facções foram formadas: a ‘linha vermelha’, ‘quarto reich’ e quem não se encaixasse em nenhuma dessas duas era considerado “neutro”, embora podendo ser inimigo de ambas. O clássico conflito socialismo, fascismo e outros “ismos”.

O universo me cativou tanto que superei todos os momentos solitários, enfrentei todas as hordas de mutantes e pude solucionar o maior mistério no final do jogo. Desde então fiquei completamente apaixonado por histórias pós-apocalípticas.

E aí acabou. Fim daquela história, daquele universo. Ficou aquele gostinho de quero mais, “to mals”.

Ou será que não?

Livro

Isso mesmo que você leu! Algum tempo depois, descobri que o jogo havia sido baseado em um livro! Escrito por Dmitry Glukhovsky (saúde), o livro conta a mesma história do jogo, MAS como você pode esperar, ele entra em MUITO mais detalhes. Lendo-o, pude conhecer aquela história e universo melhor do que nunca. Soube detalhes do passado de Artyom (relevantíssimos para a história principal do jogo), de seus pais, da origem dos Dark Ones. A dinâmica entre estações é incrível e o constante conflito entre facções te empoe de nervosismo á medo. Volta e meia, Artyom se encontra em uma situação completamente “Ó MUNDO CRUEL, POR QUE???”.

O livro tem um cuidado minucioso em explicar toda a mitologia que cerca os trilhos subterrâneos de Moscou. Entra-se em detalhes nas superstições (que podem não ser tão superstições assim…), no desespero de se viajar sozinho ou a pé pelos trilhos. A história a cerca dos Dark Ones é bem mais elaborada, sendo explicado os ataques à VDNKh, do por que eles estarem ali, do que são.

Uma das maiores diferenças entre o livro e o jogo se dá pelo seu final. O jogo possui um final padrão e um final pseudo-secreto que é alcançável dependendo de certas ações que podem ser feitas no decorrer da história. Já o livro, como todo e qualquer livro, possui apenas um final. Se você jogou o jogo antes de lê-lo e obteve o final pseudo-secreto assim como tive, talvez fique um pouco frustrado, mas não em um sentido ruim. O final do livro pode não ter sido o mesmo final que preferi do jogo, mas te garanto que é tão impactante quanto. Dmitry te deixa no chão (ou nas nuvens) no final.

Chega de falar, vão ler!

Infelizmente o livro só foi traduzido de sua linguagem original, Russo, para algumas outras como inglês, italiano, espanhol, etc e não há português neste meio. Há traduções em português feitas por fãs, basta uma simples busca no Google que isso se resolve!

Ufa, acabou. Espero que tenham gostado da…

Uma luz no fim do túnel

PERA PERA PERA. Será que acabou mesmo?

Você realmente achou que acabava por ai? Não só o livro tem duas continuações chamadas Metro 2034 e Metro 2035 (quem diria?!?!) como o jogo também, chamada Metro: Last Light.

Metro 2034 basicamente explica o que acontece com Hunter (lembram dele?) após seu primeiro encontro com Artyom e muito mais. Ainda não tive a chance de ler este, pois quando o estava procurando, não tinha tradução em inglês, apenas em espanhol e italiano. Pois é, vai entender.

Metro:Last Light e Metro 2035 contam a mesma história, sendo o desenrolar dos acontecimentos principais de Metro 2033. O jogo oferece diversas melhorias gráficas e, principalmente, de gameplay. Recomendo fortemente jogá-lo após o término de Metro 2033 (boa sorte com o urso).

Agora sim, acabou. Prometo.

OU SERÁ QUE NÃO???????

Filme?

Não consigo largar vocês ou o metrô que não me larga, porque é bastante provável que aconteça um filme de Metro 2033! Não há muitas informações sobre, mas a idéia é que vire uma franquia. Ou seja, Metro 2033, 2034 e 2035? Será? Venham ficar animados comigo, porque eu to enlouquecendo só com a possibilidade (provável) da existência deste filme!

Espero que tenham gostado desta pequenina recomendação, que se apaixonem por este mundo tanto quanto eu e lembrem-se: TODOS SAÚDAM A GRANDE MINHOCA.