Minha Jornada em Dota 2

Eu sou apaixonado por Dota 2. Pronto, falei.

Bernardo Dabul

Eu sou apaixonado por Dota 2. Pronto, falei.

Pode parecer brincadeira, mas acho que não existe nenhum outro jogo que eu tenha consistentemente jogado tanto quanto Dota 2.  Talvez o mais próximo seja Halo: Reach, mas no final das contas, o total de horas é bem menor.

Hoje tenho quase 2000 horas registradas, segundo a Steam. Como cheguei a este ponto? É isto que pretendo explorar neste texto, mas antes vou dar um pouco de contexto para aqueles que não estão familiarizados com o jogo.

Dota 2 é um MOBA (Multiplayer Online Battle Arena), onde dois times de cinco jogadores têm o objetivo de destruir a base do inimigo. Para fazer isso, devem ir conquistando território e derrubando todas as torres no exterior da base, com isso podendo continuar o avanço até destruir a estrutura central da base inimiga, ganhando então o jogo.

Essa é a explicação mais genérica que consigo dar sem colocar todos vocês para dormir, já que Dota (e MOBAs em geral) envolve MUITO MAIS que só estes princípios básicos. Existem centenas de heróis, cada um com habilidades distintas e dezenas de ítens, todos trazendo benefícios diferenciados. Assim, dificilmente duas partidas são iguais, dando bastante diversidade ao jogo mesmo que o objetivo principal sempre seja igual.
Ok, agora que os n00bs já estão por dentro dos básicos (não desanimem, todos já estivemos onde vocês estão!), podemos entrar no real assunto desse texto: como raios eu cheguei nesse jogo e por que jogo tanto?

Acreditem se quiserem, mas eu comecei no mesmo bonde que muitos de vocês, falando mal de MOBAS e zoando todos que jogavam. Meu na-época-cunhado, que jogava Dota 2 24/7, em especial era meu alvo. Como ele tinha alguns convites sobrando para o jogo eu, mais por curiosidade do que qualquer coisa, resolvi tentar entender o porque de todo esse auê.

No início admito que foi BEM complicado. Não tinha noção nenhuma do jogo, não fazia ideia que herói fazia o que, quais os papéis de cada um e que itens comprar. Era constantemente xingado pelos meus aliados e chamado de noob pelos oponentes.

Depois que convenci alguns amigos da faculdade a jogar comigo, o cenário mudou completamente. Ao invés de ter vários aliados completamente desconhecidos prontos para jogar baudes de veneno na minha direção após o primeiro erro, tinha agora amigos que estavam na mesma situação, aprendendo comigo. Só com isso, a experiência toda já se tornou bem mais agradável.

Porém, com o tempo, só jogar com um time de amigos online não era mais suficiente. Ainda sofríamos derrotas ferozes e era bem claro que os times oponentes tinham uma noção de jogo muito superior à nossa. Nesse momento decidi que precisava começar a estudar o jogo.

DotaFire, minha fonte de aprendizado

Pausa para analisar o que acabei de falar. Eu ESTUDEI um jogo. Gastei tempo da minha vida lendo vários guias online para aprender táticas gerais, o que cada herói fazia e a melhor forma de usá-los. Não é qualquer jogo que exige esse nível de dedicação do jogador, mas valeu à pena.

Quando retornei, tinha uma noção MUITO maior do que fazer, sabia melhor quais heróis encaixavam no meu perfil de jogo e como me comportar com eles. Mais por prática do que qualquer coisa, também fui memorizando como formar os itens mais avançados, os tempos de nascimento dos monstros da jungle e aprendi táticas mais avançadas como dar deny e atrasar minha lane.

A essa altura, eu já era bem mais competente no jogo. Talvez um pouco afobado demais na hora de puxar uma briga, mas em geral, não morria à toa e conseguia jogar em outros papéis além de hard carry (um dos mais fácies de se aprender). Desde então, acredito que não tenha muito como melhorar a não ser que eu dedique minha vida inteira para jogar, o que não é uma opção.

Agora você pode estar se perguntando: “E por que não fica cansativo?”. A resposta é que apesar de não estar mais evoluindo em termos gerais, Dota 2 tem mais de cem heróis, cada um com seu set de habilidades e papéis que se encaixam melhor. Volta e meia decido testar um herói novo, tornando a experiência completamente diferente. A alguns me adapto rapidamente (Bristleback), enquanto a outros já aceitei que jamais vou saber jogar bem (Naga Siren). O importante é que sempre tem um ar de novidade para não deixar que o jogo se torne chato.

Outra motivação depois de tanto investimento é o fato de ter juntado uma grande quantidade de amigos, o que faz com que sempre tenha alguém online para uma partida ou duas, já que não gosto de jogar sozinho. Como dou muito valor a comunicação e entrosamento de time, pessoas aleatórias da internet não me atraem.

Finalmente, tem também o cenário profissional que comecei a acompanhar desde 2013, através do The International, que é o maior torneio de Dota 2 do ano. Normalmente não torço para um time específico, mas adoro ver profissionais jogando. Com isso, acabo também aprendendo ao assistir às partidas.

The International 2015

Obviamente ninguém é de ferro. De vez em quando dou umas pausas de alguns dias ou até meses, caso haja algum outro jogo que prenda minha atenção (como Destiny, por exemplo). Mas no final das contas, sempre acabo voltando para o dotinha de sempre, especialmente quando tem alguma atualização nova ou um herói novo sendo lançado.

Para mim, Dota 2 exige muito do jogador, mas quando a curva de aprendizado é finalmente vencida, é possível aproveitar um dos jogos mais desafiadores e, na minha opinião, divertidos dessa geração.