Review | Devil May Cry 5

Hora de surrar uns capeta.

Bernardo Dabul

Devil May Cry sempre foi uma franquia focada mais em ação e estilo do que necessariamente uma história no nível de um drama Iraniano. Muitas vezes, os jogos até abraçam a galhofa de seu protagonista caçador de demônios espertinho e amante de pizza. Devil May Cry 5 de forma alguma desvia dessa tradição, mas mesmo assim surpreende com seu combate e variedade de personagens.

Começamos DMC5 com Nero, o protagonista de DMC4, indo encontrar Dante para ajudá-lo a derrotar Urizen, que quer dominar a Terra e libertar os demônios do submundo. Os heróis são acompanhados pelo misterioso novato V, que pouco sabemos, além de que ele também deseja acabar com os planos do vilão.

Como falei no início, está longe de ser a história mais envolvente e dramática do mundo, porém ela ainda faz um trabalho decente em manter o jogador investido. Existe um jogo de adivinhação em relação ao V que é especialmente interessante, tentando descobrir de onde veio essa pessoa, quais as motivações dela e qual a relação dele com os eventos ocorrendo no mundo? Além disso, ainda é uma diversão imensa ver o Dante e o Nero exercerem seu bravado infinito, independente do tamanho do inimigo que eles enfrentam.

Mas não há como negar que o prato principal do jogo é seu combate. Nesse aspecto, Devil May Cry 5 é uma porção completa capaz de alimentar três pessoas. Enquanto DMC4 colocava o jogador como Nero para depois assumir o papel de Dante, o quinto tem uma abordagem mais mista. Além de incluir V como personagem jogável, cada missão tem como protagonista um herói diferente, com algumas deixando você escolher livremente.

Quanto a jogabilidade de cada um, Dante continua sendo muito semelhante ao anterior, tendo uma quantidade absurda de armas em seu arsenal (como, por exemplo, uma MOTO QUE DIVIDE EM DUAS E É USADA COMO PORRETE), além de possuir quatro estilos de luta diferentes, proporcionando uma quantidade imensa de opções para combos estilosos.

Já Nero não tem tanta diversidade em suas armas, oferecendo mais opções no departamento de braços. O herói possui um braço mecânico, que pode ser trocado para outros com funcionalidades diferentes. Enquanto o tradicional permite o jogador eletrocutar inimigos próximos, outro deixa você lançar um punho a jato que ataca inimigos por você, por exemplo. Os efeitos são variados e, como várias opções podem ser levadas em cada missão, permite bastante experimentação.

Mas talvez a adição mais interessante seja V, uma vez que, diferente dos outros personagens, não é ele que diretamente ataca inimigos. No seu lugar, ele invoca três lacaios das trevas para fazer seu trabalho sujo: uma águia para ataques a distância, uma pantera para ataques de corpo a corpo e um golem quando ativa seu Devil Trigger. Tudo que V faz é dar o golpe final depois que a vida dos inimigos se esvaiu. Assim, sua jogabilidade é bem mais tática e requer melhor posicionamento para conseguir combos maiores. As vezes é meio complicado acertar o posicionamento das feras, mas depois que se pega o jeito, é muito divertido.

Embora o gameplay parece ser muito complexo, Devil May Cry 5 tem várias ferramentas para ajudar jogadores novatos a se acostumarem com todos os diferentes estilos dos personagens. The Void é um espaço em que é possível testar tudo que o jogo oferece, desde armas e combos específicos, até a eficiência de golpes em tipos de inimigos diferentes. Além disso, o jogo também oferece uma opção de auto combo, que permite que certas ações sejam feitas com uma combinação mais simples de botões. Assim, DMC5 consegue ser o mais acessível dos jogos da franquia.

Visualmente, o jogo é muito bonito, especialmente durante cinemáticas. As animações faciais são impressionantes e a iluminação nos cenários é excelente, dando o clima certo para cada cena. Porém a segunda metade do jogo se passa quase toda no mesmo ambiente. Depois de tanto tempo no mesmo local, o cenário começa a ficar repetitivo. Um pouco mais de variedade teria sido muito bem vinda.

Também sou obrigado a criticar a forma que a Nico, Trish e Lady foram apresentadas nesse jogo. Embora seja compreensível elas terem menos tempo em cena do que os protagonistas, as três mulheres praticamente não tem participação na trama, servindo apenas para serem hiper sexualizadas. Nos tempos atuais era de se esperar que jogos grandes como esse não cometeriam um erro tão básico, mas cá estamos.

Divulgação

Devil May Cry 5

Devil May Cry 5 é um grande retorno para a franquia. Contando com uma jogabilidade incrível, um personagem novo interessante e uma história que abraça o espírito da série, esse é o melhor momento para voltar a caçar demônios. É uma pena que o jogo tropeça feio quando se trata de representatividade feminina.

  • História que abraça o espírito da franquia
  • V é um personagem intrigante com jogabilidade única
  • Muita variedade na jogabilidade
  • Opções para ajudar iniciantes
  • Fim do jogo tem muitos cenários semelhantes
  • Representação feminina deixa muito a desejar
Nota: 4/5