Foto: Reprodução/ Firewatchgame.com

Review | Firewatch

Firewatch consegue ser um jogo espetacular apesar de seus pequenos problemas. A história de Hank e Delilah é uma que vale a pena investir.

Bernardo Dabul

O que falar sobre Firewatch? Não é que eu não tenha o que dizer, mas qualquer vertente que eu escolha pode facilmente levar a território de spoilers e, tratando-se de um jogo totalmente centrado em sua história, a narrativa é algo que o jogador deve ver por conta própria. De qualquer forma, tentarei ao máximo passar as minhas impressões sobre Firewatch dentro destas limitações. Vamos nessa.

A história de Henry e Delilah

A trama do jogo é relativamente simples: Em 1989 um homem chamado Henry está à procura de uma forma de escapar de seu cotidiano e aceita um emprego ao longo do verão como patrulheiro na Floresta Nacional de Shoshone, onde deve ficar em sua torre à procura de incêndios. Durante sua jornada de trabalho, Henry começa a conversar com Delilah, sua chefe e também patrulheira, através de um rádio portátil. Após um incidente, a comunicação dos dois com o resto do mundo externo é cortada, restando apenas um ao outro para se fazerem companhia.

O lugar que você chamará de casa ao longo de Firewatch (Foto: Divulgação)
O lugar que você chamará de casa ao longo de Firewatch (Foto: Divulgação)

Como falei anteriormente, o foco do jogo é sua narrativa e nesse aspecto Firewatch é espetacular. Sem entregar muitos detalhes da trama, Henry e Delilah são duas pessoas com personalidades muito bem exploradas e com experiências que os afetaram profundamente. Sem contar que o diálogo é tão bem escrito e atuado que é muito fácil se envolver na história destes dois, querendo saber cada vez mais sobre seus passados e descobrir onde o relacionamento vai parar. Em certo ponto a trama toma um rumo de mistério, mas apesar de tudo que ocorre, o foco permanece em Hank e Delilah até o fim.

Falando sobre o final… Ele é um pouco decepcionante. O jeito que a narrativa vai escalando até seus momentos finais cria uma grande expectativa para a resolução que no final não consegue ter o impacto esperado. Dito isto, o resto da trama mais do que compensa este tropeço final, sendo ela uma história intrigante de dois humanos se relacionando através de apenas um rádio.

*crr* Aqui é Henry, câmbio *crr*

O gameplay de Firewatch é totalmente focado em avançar a narrativa, sendo bem simples e direto no que quer fazer. Apesar da perspectiva ser em primeira pessoa, o jogador em todo momento tem o corpo do protagonista em cena. Além disso, toda a movimentação da câmera tenta simular a visão de um ser humano real, tentando puxar o jogador para dentro desse mundo. Embora muitos jogos hoje em dia tenham perspectiva em primeira pessoa, não é sempre que se vê tanta dedicação em criar um grau tão alto de imersão.

O jogador desde o início está livre para explorar o mapa, porém não há muito o que ver, além do indicado na história principal. Conforme conversa com Delilah, esta vai lhe passando missões em lugares diferentes. Embora essas jornadas a pé sejam extensas, eventualmente sua companheira irá te chamar no rádio para ter uma conversa rápida. São nesses momentos que uma caminhada chata se torna uma fonte narrativa interessante. Havia momentos em que eu propositalmente não chegava até meu objetivo somente para terminar uma conversa com Delilah. São sempre conversas breves, mas que adicionam muitas camadas novas a estes personagens.

Quem diria que um rádio seria tão divertido de usar? (Foto: Divulgação)
Quem diria que um rádio seria tão divertido de usar? (Foto: Divulgação)

A forma que as conversas são executadas também é bem divertida. Embora o jogo não ofereça caminhos narrativos ou finais diferentes, existe liberdade para escolher quais respostas Henry dará para as perguntas de Delilah. Assim como em jogos da Telltale, estas escolhas devem ser feitas dentro de um tempo limite. Porém uma mecânica simples que foi implementada no jogo, mas que achei incrivelmente inteligente e divertida, é o fato de ter que apertar o botão do rádio para responder. Pode parecer besteira, mas a sensação de tomar esta ação para falar ajuda muito na imersão em um jogo que já está totalmente dedicado a isto.

Um jogo para criar wallpapers

A apresentação de Firewatch também é espetacular, com gráficos cativantes até para os mais xiitas. Seu estilo artístico é uma mistura de cel shading com fotorrealismo que transforma todo e qualquer visual instantaneamente em um wallpaper para o seu computador/celular/tablete. Firewatch ainda incentiva o jogador a apreciar sua versão digital da Floresta Nacional de Shoshone, através de uma câmera descartável adquirida logo no início. Outros humanos raramente aparecem, dando foco total na natureza que rodeia o protagonista. Poucos jogos me fizeram parar para apreciar suas vistas (*cof cof* Bioshock Infinite *cof cof*), mas este sem dúvida é um dos campeões nesta categoria.

Apenas uma das vistas ao longo de sua jornada. (Foto: Reprodução/Bernardo Dabul)
Apenas uma das vistas ao longo de sua jornada. (Foto: Reprodução/Bernardo Dabul)

A parte de áudio também é tão espetacular quanto o visual. Eu já comentei brevemente mais cedo sobre a atuação e o roteiro e como o trabalho feito foi excepcional. Sobre os efeitos sonoros, estes também não decepcionam. Durante grande parte de Firewatch, o jogador tem somente os sons da natureza para escutar. O cantar dos pássaros, o vento batendo na folhagem da floresta e a água correndo em um rio são todos elementos simples por si só, mas combinados com o visual encantador tornam o conjunto da obra algo espetacular de se presenciar.

A trilha sonora é um pouco mais escondida, escolhendo momentos específicos na narrativa para aparecer. Estas músicas ajudam a carregar o tom emocional da trama e aumentam o impacto de grandes revelações ou até mesmo conversas mais pessoais. Ela se apresenta na medida certa para complementar a história, sem se intrometer nos momentos que o jogador quer apreciar a natureza digital.

 

Foto: Reprodução/Bernardo Dabul

Firewatch

Firewatch não é um jogo perfeito. Como falei, seu final deixa a desejar e o mapa poderia ser mais repleto de atividades opcionais para cumprir, mas sua história incrivelmente intrigante, combinada com uma apresentação de deixar o queixo cair tornam este jogo uma ótima adição à sua livraria da Steam/PSN. São 4-6 horas de gameplay, mas por R$36,99 vale cada centavo. Entre nas botas de Henry e vá conhecer Delilah. Você não vai se arrepender.

  • Henry e Delilah
  • Falar com o rádio
  • Apresentação espetacular
  • Podia ter mais o que fazer
  • Final decepcionante
Nota: 4/5