Review | Inside

Inside é um daqueles raros jogos onde tudo funciona, criando uma experiência fantástica!

Bernardo Dabul

Nota importante: Este review será intencionalmente curto e vago de forma a preservar a experiência de Inside, que se beneficia MUITO da “ignorância” do jogador em relação a sua história e acontecimentos.

A expressão “obra de arte” costuma ser usada com certa inconsequência quando se trata da indústria de jogos. Eu mesmo sou culpado disso. Porém existem alguns jogos específicos onde essa definição é realmente a mais apropriada. ‘Inside’ é um desses.

Se você é familiarizado com ‘Limbo’, o jogo anterior da desenvolvedora Playdead, não será muito difícil ver as semelhanças com ‘Inside’. A movimentação é 2D, o jogador só consegue pular e interagir com objetos, o protagonista é um garoto solitário sem nome e a narrativa nunca é explicada.

Inside-garoto

Porém onde ‘Inside’ vai além de seu antecessor é em sua direção de arte. O jogo continua com uma temática sombria, repleto de cinzas e pretos, somente com o vermelho solitário da camisa do protagonista dando alguma cor ao cenário. Porém Playdead faz ótimo uso da iluminação em seus ambientes e consegue fazer um jogo de câmera que sempre direciona a atenção do jogador para o lugar certo. Seja uma área submersa ou um hangar de caminhões, toda foto tirada deste jogo tem o potencial de tornar-se um retrato ou papel de parede.

A trama segue um pequeno garoto que se infiltra em uma fábrica e vai se esgueirando cada vez mais por suas profundezas. Quem é o menino? Por que ele entrou na fábrica? Estas perguntas não são respondidas, mas a cada nova área que ele chega, mais detalhes sobre a fábrica são revelados, junto com seus mistérios tenebrosos. O desenrolar da trama ocorre de forma inusitada, sempre deixando o jogador um pouco perplexo com os acontecimentos, e ainda fomentando a curiosidade para que ele continue a jornada até o fim. Não espere, porém, uma conclusão mastigada e clara. Este jogo tem o objetivo de fazer você refletir sobre sua experiência e discutí-la com outros. Faz parte da graça.

A principal mecânica, assim como em ‘Limbo’, se encontra em desafios que o jogador deve superar para progredir. Estes são precisamente elaborados para utilizar tanto o cenário, como elementos manipuláveis (essa palavra toma outro sentido em ‘Inside’) pelo jogador. Durante meu tempo de jogo nunca fiquei preso em uma área por mais de cinco minutos e sempre foi uma sensação muito satisfatória conseguir ultrapassar os obstáculos na minha frente.

inside-desafio

A reclamação mais fácil a ser feita sobre ‘Inside’ é sua duração, tendo apenas por volta de três horas de conteúdo. Mas até esta não é válida, uma vez que o jogo é tão meticulosamente calculado, que fica a impressão de que, caso houvesse mais conteúdo, só serviria para encher linguiça.

Review também disponível no vgBR.com

Foto: Divulgação

Inside

'Inside' é um jogo que se propõe a fazer algo e consegue cumprir tudo de forma espetacular. Gameplay, arte e intriga todos se juntam para criar uma experiência fantástica. Quanto menos você souber deste jogo, melhor ele será. 'Inside' valeu cada centavo e gostaria de apagar minha memória para poder aproveitá-lo novamente.

  • Desafios bem desenvolvidos
  • Direção de arte fantasticamente tenebrosa
  • Segredos da fabrica
  • O Final
  • Eu não posso esquecer o jogo pra jogar de novo
Nota: 5/5