Review | Resident Evil 2

21 anos depois, finalmente voltamos a Raccoon City!

Bernardo Dabul

Faz 21 anos desde a última vez que vimos a Delegacia de Polícia de Raccoon City. Porém mesmo depois desse tempo todo, Resident Evil 2 continua sendo um dos jogos mais famosos da franquia de terror (e em certas ocasiões, ação). Agora, a Capcom lançou não apenas um remaster, mas sim um remake completo do jogo, mudando a perspectiva da câmera para terceira pessoa e usando a RE Engine (a mesma de Resident Evil 7) para recriar a experiência para uma nova geração. No fim, salvo alguns pequenos problemas, o esforço gerou ótimos resultados.

‘Resident Evil 2’ segue a história de Claire Redfield e Leon Kennedy, que estão chegando em Raccoon City após um vírus se espalhar ferozmente pela cidade, transformando todos os seus habitantes em zumbis. Claire está em busca de seu irmão, Chris, enquanto Leon quer entender porque seus companheiros policiais pararam de responder seus chamados. Porém, essas motivações são rapidamente substituídas uma vez que os protagonistas ficam presos na delegacia, com poucos recursos e muitos zumbis.

Cada personagem tem sua própria campanha, porém, infelizmente, existe muito conteúdo repetido entre elas. Vários locais, inimigos e quebra cabeças são praticamente iguais, matando um pouco do senso de descoberta ao jogar pelo segundo ponto de vista. Porém, o que muda bastante é o arco narrativo, com cada personagem seguindo um fio diferente, que juntos explicam melhor a história do que causou esse desastre, tornando a experiência de jogar novamente mais interessante.

Esse cara só aparece na campanha do Leon, por exemplo.

Outra diferença entre as campanhas é o arsenal disponível ao jogador, onde Claire tem acesso a um lança granadas e SMG, enquanto Leon possui uma shotgun e lança chamas. Cada arsenal proporciona abordagens diferentes para os conflitos, o que mitiga um pouco a sensação de familiaridade ao jogar com o segundo personagem.

O gameplay em si também não decepciona. Embora os ângulos fixos e as transições ao abrir cada porta do original tenham sido abandonadas para o remake, o resultado final é uma mescla dos controles e mecânicas de Resident Evil 7, porém em terceira pessoa. Sendo assim, a administração de espaço de inventário, recursos e até mesmo saúde é essencial para conseguir avançar no jogo. RE2 também faz um excelente trabalho em dosar itens de forma que sempre haja o suficiente para o jogador não ficar sem nada, mas em quantidades limitadas o bastante para que em todo combate seja necessário pensar “quantas balas estou disposto a gastar neste zumbi?”.

Mas talvez o que ‘Resident Evil 2’ faça de melhor seja sua atmosfera. Explorar a delegacia e seus arredores é sempre uma caixinha de surpresas da morte, com zumbis de diversos tipos podendo surgir a qualquer momento. Porém, fique atento aos corpos que você foi deixando no seu caminho! Se algum deles não estiver onde os deixou, é porque provavelmente o zumbi levantou novamente e está rondando por aí.

Preste atenção, se não isso pode acontecer com você!

A iluminação e a trilha sonora também ajudam muito a contribuir com a sensação de perigo constante. Todos os ambientes hostis são escuros e com uma tonalidade mais azul, que combinando com a música sutil, porém macabra, consegue deixar qualquer um desconfortável e pronto para tomar um susto (que vai acontecer). Até mesmo certas situações, mesmo depois do susto, inspiram terror, uma vez que o apresentado é demais para o jogador lidar, sendo forçado a fugir enquanto tem uma horda atrás dele.

Talvez o único aspecto que quebre um pouco a imersão seja a atuação dos protagonistas. Os diálogos parecem ter sido retirados diretamente dos anos 90, o que por si só não é ruim, dado que o jogo de fato se passa em 1998, porém as atuações deixam muito a desejar. Leon, em especial, tem umas falas que chegam a doer de tão dura que é a performance. Vale dizer que não foram chamados os mesmos atores do original para reprisar seus papéis, o que é uma pena.

Divulgação

Resident Evil 2

‘Resident Evil 2’ é um exemplo de remake bem feito. Ele mantém o espírito do original enquanto atualiza o gameplay e gráficos para a última geração. Infelizmente, existem problemas com a repetição de conteúdo e as atuações, mas o resultado final ainda é memorável para os fãs do original e um ótimo ponto de entrada para novatos!

  • Ótima atualização dos gráficos e gameplay
  • Campanhas oferecem pontos de vista diferentes da história
  • Dosagem de recursos bem feita cria escolhas interessantes
  • Atmosfera muito bem feita
  • Conteúdo repetido nas campanhas
  • Atuações deixam a desejar
Nota: 4/5