Review | Resident Evil 7: Biohazard

Resident Evil VII volta às origens da franquia nesse novo jogo aterrorizante!

Bernardo Dabul

Resident Evil veio sofrendo muitas mutações ao longo dos anos. Os primeiros jogos facilmente se encaixavam no gênero de terror, porém com o passar do tempo, os sustos e a tensão foi sendo substituída por cada vez mais ação. Resident Evil 6 foi o ápice dessa transformação (que não teve um resultado bom).

Cinco anos depois, temos agora um novo Resident Evil numerado, prometendo voltar às origens da franquia, mas também trazendo suas próprias novidades. Fico feliz em dizer que, salvo alguns pequenos problemas, o resultado é ótimo!

A história começa com Ethan Winters, uma pessoa pacata da vida, indo investigar a fazenda dos Bakers, onde sua esposa desaparecida parecia estar localizada. Não demora muito para Ethan (e por extensão o jogador) reparar que tem algo estranho acontecendo no terreno. Para evitar dar spoilers, pararei de falar de forma específica da história agora.

Dito isso, a narrativa faz um trabalho eficiente em guiar o jogador pelos diferentes ambientes do jogo, por mais que não seja a parte mais interessante do pacote. No início uma ótima atmosfera de mistério e terror, porém no ato final quando começam a vir as explicações, elas deixam um pouco a desejar.

Quanto a ambientação de Resident Evil 7, essa é de longe a melhor parte. Toda a casa dos Bakers é ao mesmo completamente normal (ao menos à primeira inspeção), mas ao mesmo tempo horripilante. Passos são altos, portas rangem e barulhos estranhos permeiam os cômodos próximos. Quanto mais tempo se gasta com o jogo, mais bizarro e assustador o ambiente vai ficando. Existe uma quantidade saudável de jump scares ao longo das 8-10 horas da campanha, mas com certeza o mais apavorante é o cenário em si e a história silenciosa que ele conta.

Uma das mudanças de RE 7 em relação aos anteriores é sua mudança de perspectiva para primeira pessoa. Embora alguns fãs da série podem estranhar no início, é uma mudança que faz todo sentido. Os primeiros jogos da franquia tinham ângulo de câmera fixo, impedindo que o jogador visse o que estava ao seu redor com clareza. A câmera em primeira pessoa proporciona o mesmo tipo de sensação, roubando a noção de arredores que a em terceira pessoa proporciona, deixando a experiência ainda mais tensa.

Pode muito bem ter algo te esperando quando você virar

Embora sentir medo seja grande parte da experiência, o jogo também proporciona formas de se proteger com algumas armas de fogo. Dito isso, munição e itens de cura são extremamente limitados, então é preciso ser inteligente com o uso deles, com headshots sendo essenciais. Todas as armas são ótimas de atirar, especialmente a shotgun que derrota vários inimigos com apenas um tiro bem colocado.

Resident Evil 7 também mistura com êxito partes de suspense, exploração e combate. Embora o único jeito de progredir seja explorando a casa, toda vez que um novo ambiente é descoberto há aquela sensação de medo ao não saber o que vem pela frente. Por outro lado, áreas já exploradas quase sempre tem algum detalhe ainda não descoberto. Além disso, o jogo salpica bem momentos de combate para não deixar a experiência como um todo ficar monótona.

Por outro lado, o jogo possui algumas falhas que são difíceis de ignorar. A principal delas são as batalhas contra os membros da família Baker em si. Todas são extremamente repetitivas, sem ser claro o que deve ser feito para vencer. Ainda por cima, o jogo não deixa claro se seja lá o que o jogador está fazendo está surtindo algum efeito. O resultado acaba sendo um de tentativa e erro que deixa de dar medo e só fica frustrante.

Criaturas podem vir de qualquer lugar.

O outro problema são os gráficos. Embora tenha comentado que a ambientação é ótima, os modelos dos personagens especificamente deixam bastante a desejar. A única explicação que consigo imaginar é que sacrifícios tiveram que ser feitos para poder implementar o VR no jogo.

PS: embora este jogo faça parte do universo Resident Evil, a ligação dele com os demais jogos é extremamente superficial. Não vá esperando que o vírus T seja a resposta de tudo.

Resident Evil VII: Biohazard

Resident Evil VII não é perfeito, mas sua ambientação é tão bem feita, que uma vez que você entra na casa dos Bakers, é difícil sair sem seguir essa jornada até o fim. Explore o terreno, procure guias para as lutas de chefe e apague as luzes. Seja bem vindo a família.

  • Excelente ambientação e sonorização
  • Muito assustador, voltando às origens da franquia
  • Variação boa entre tensão e combate
  • Perspectiva em primeira pessoa
  • Batalhas de chefões
  • Gráficos deixam a desejar
Nota: 4/5