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Review | SUPERHOT

SUPER. HOT. SUPER. HOT. SUPER. HOT.

Bernardo Dabul

SUPERHOT me instruiu a falar por aí a seguinte frase: “SUPERHOT is the most innovative shooter I’ve played in years!” (Tradução: SUPERHOT é o jogo de tiro mais inovador que eu já joguei em anos!). Depois de ter jogado a narrativa principal até o fim, minha reação a essa frase pode ser definida em um vídeo:

MAS/PORÉM/ENTRETANTO/TODAVIA, SUPERHOT ainda é excelente, apresentando uma mecânica principal muito interessante e tematização que dá um ar retro para o jogo.

STOP! BULLET TIME!

A mecânica principal de SUPERHOT é bem simples e fácil de compreender. Enquanto o jogador estiver parado, o tempo desacelera a ponto de quase estar congelado. Se algum movimento for feito (andar, pular, atirar, etc.) o tempo volta a andar normalmente durante a execução da ação.

Enquanto a maioria dos jogos de tiro no mercado incentiva o jogador a estar constantemente em movimento, a abordagem de SUPERHOT é focada na alternância entre planejamento e execução. Isto é realçado pelo fato do jogador (assim como os inimigos) morrer em um tiro. O jogo também incentiva tentativa e erro, adotando um estilo parecido com Hotline Miami, onde ao apertar apenas um botão o nível inteiro é reiniciado. O resultado é aquela vozinha no fundo da cabeça falando “só mais uma vez”, até que você repara que são 4 da manhã e ainda nem jantou. A fórmula é extremamente eficaz e, mais importante, divertida.

A ação em si também é extremamente bem executada. Não só é possível utilizar armas soltas pelo ambiente, como também jogá-las (e outros objetos) nos oponentes, fazendo suas armas caírem podendo então serem usadas pelo jogador. Essas mecânicas permitem que cenas incríveis aconteçam durante o jogo, passando a sensação de estar em um filme de ação. No fim de cada nível, é mostrado também um replay em tempo real de tudo que ocorreu, reforçando ainda mais a sensação de ser um mestre de combate armado.

Foto: Reprodução/Bernardo Dabul

Liberdade no Mundo de Outros?

A história de SUPERHOT segue um jogador que baixou o título homônimo ilegalmente através de um amigo e está começando a jogar pela primeira vez. Ao longo do caminho, o jogo vai questionando o senso de liberdade do jogador, trazendo à tona a grande discussão de quanta escolha temos em um mundo digital criado por outros.

É um assunto que já foi muito exposto em jogos, especialmente nos últimos anos, mas SUPERHOT ainda assim consegue ser um pouco perturbador e opressor em sua abordagem. Enquanto jogava fiquei desconfortável com alguns momentos, porém continuava curioso para ver a história até sua conclusão. Não é algo que estou muito acostumado a sentir.

SUPERHOT também apresenta algumas outras modalidades de jogo após a finalização da história principal, que dura por volta de duas horas. Existe Speedruns para aqueles que querem completar o jogo o mais rápido possível, Survival que coloca o jogador em uma arena para ver quanto tempo ele sobrevive e a campanha normal com uma série de modificadores diferentes (Ex: Somente Katanas). Embora sejam divertidos, não dão grande sobrevida ao jogo, uma vez que as fases são sempre as mesmas da campanha.

Dedicação ao Tema

A apresentação também age em serviço da história. Todos os menus remetem a sistemas operacionais DOS. Existem até alguns jogos baseados em texto, além de outras surpresas. Claramente foi dedicado bastante tempo para fazer estes menus e o resultado é excepcional.

Superhot-menu
É quase um DOS rodando no seu computador. (Foto: Reprodução/Bernardo Dabul)

Os gráficos em si também não deixam a desejar. O jogo utiliza somente três cores: vermelho para inimigos, preto para armas e branco para o resto do ambiente. Isto torna tudo em cena facilmente identificável, facilitando no planejamento de cada ação. Os modelos poligonais também se encaixam bem com a estética do jogo, que tenta ao máximo se distanciar do real (por ser, dentro da narrativa, um jogo).

Review também disponível no vgBR.com

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SUPERHOT

O resultado de SUPERHOT é muito positivo. Embora sua narrativa não apresente conceitos novos, a forma com que estes são trabalhados é interessante. O gameplay também é muito divertido, criando um jogo de tiro que recompensa planejamento acima de reflexos. Sua duração deixa um pouco a desejar, mas os modos adicionais ajudam a remediar isto. Para aqueles procurando algo novo, vale a pena dar uma olhada.

  • Slow-Mo é sempre divertido
  • Tematização muito boa
  • Usa conceito de liberdade em jogos...
  • ... mas não deixa de ser um tema batido
  • Relativamente curto
Nota: 4/5