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Review | Tom Clancy’s The Division

Talvez daqui a alguns meses tudo se resolva, mas atualmente o jogo não atinge o seu potencial.

Bernardo Dabul

Tom Clancy’s The Division é um jogo complicado de se fazer um review. Levando em consideração seu aspecto “vivo”, onde o jogo está constantemente mudando devido ao feedback dos usuários e a adição de novo conteúdo, daqui a um ano o cenário poderá ser completamente diferente. De qualquer forma irei falar aqui minhas impressões do jogo em seu estado atual (22/03/16). Vamos nessa.

Uma Nova York Tomada

No mundo de The Division, Nova York foi tomada por um vírus mortal que aniquilou grande parte da população e transformou a ilha de Manhattan em uma terra sem lei. Criminosos escaparam da prisão e rondam as ruas aterrorizando qualquer civil que não tenha conseguido escapar e, além disto, facções paramilitares lutam pelo controle da região.

Para tentar amenizar a situação, o governo manda os agentes da Division (pense no equivalente ao 007) para tentar reestabelecer a ordem na ilha e descobrir uma cura para o vírus. Como a primeira onda de soldados desaparece misteriosamente, uma nova leva é enviada para terminar a missão. Nesta segunda leva é onde entra o jogador.

Agentes da Division são bem eficientes. (Foto: Reprodução/Bernardo Dabul)
Agentes da Division são bem eficientes. (Foto: Reprodução/Bernardo Dabul)

A premissa de The Division é muito interessante e o mundo é apresentado de uma forma acreditável, vendendo completamente a ideia de uma Manhattan totalmente devastada e abandonada. Infelizmente, além dos primeiros minutos de jogo, a história não mantém o mesmo impacto. Os personagens são extremamente rasos, o protagonista é somente um peão faz-tudo e até mesmo o mistério dos agentes desaparecidos da primeira onda não tem uma conclusão satisfatória. O foco do jogo é seu gameplay, mas não explorar melhor esse mundo criado foi uma oportunidade perdida.

Loot, Skills e Muitas Missões

Falando em gameplay, é nessa área que The Division começa a se redimir. O jogo é um de tiro em terceira pessoa, mas seu maior triunfo está no sistema de equipamentos (ou Loot). Toda vez que um inimigo morre, existe a chance de cair um equipamento que pode ser melhor do que o que jogador já tem. Isto cria um ciclo de progresso constante, dando um senso de satisfação para tudo que é feito. Este modelo não é nada novo ou revolucionário, uma vez que jogos como Diablo e Borderlands já usam sistemas similares há muitos anos, mas o balanceamento eficaz do The Division é o que torna a experiência toda tão divertida.

Para muitos, o jogo não acaba até tudo ficar amarelo. (Foto: Reprodução/Bernardo Dabul)
Para muitos, o jogo não acaba até tudo ficar amarelo. (Foto: Reprodução/Bernardo Dabul)

O sistema de habilidades também é muito interessante. Enquanto jogos como Destiny forçam o jogador a escolher uma classe, The Division deixa isso totalmente aberto para o jogador. Tendo três árvores de habilidades (Médico, Tech e Segurança), escolher melhorar uma não trava as demais, dando bastante liberdade para experimentar e ver qual a sua preferência.

O jogo apresenta três linhas de missões principais para seguir, além de uma gama de eventos secundários para cumprir. Infelizmente a imensa maioria destes pode se resumir em: vá ao lugar x e mate todos os inimigos. Isto tornaria a experiência como um todo muito monótona se não fosse pelo bom sistema de loot. O jogo permite também que até mais três jogadores se juntem a você, o que faz a campanha ser um pouco mais divertida também.

 

Foto: Reprodução/Bernardo Dabul

Entra a Dark Zone

Dark Zone e End Game

Após certo ponto na história, o jogador ganha acesso a Dark Zone. Esta área, separada do resto do mapa, é um dos melhores aspectos de The Division. Esta região é totalmente tomada pelo vírus e tem toda comunicação com o lado de fora cortada. Todo equipamento adquirido na Dark Zone é infectado e deve ser extraído por helicóptero antes de poder ser usado. Existem inimigos controlados pela máquina (que são mais fortes do que os normais), porém o real diferencial é que jogadores podem matar uns aos outros para roubar equipamentos. Jogadores que atacam outros agentes são marcados e, quando mortos, dão mais recompensas que o normal. O resultado disto é que toda vez que eu encontrava um outro jogador, não sabia se poderia confiar nele ou não. Em zonas de extração a tensão é maior ainda, já que qualquer um com uma granada bem colocada consegue acabar com o dia de todos. É um clima muito diferente que faz com que todo encontro seja uma pequena guerra moral.

Muitos argumentarão que o real jogo começa quando o seu personagem chega ao nível 30, atualmente o máximo. É nesse momento que começa o “end game” (fim de jogo), que deveria ser o conteúdo mais desafiador com as melhores recompensas. Porém, com o meu tempo como um soldado nível 30 em The Division, senti uma falta imensa do que fazer. Todas as atividades do jogo servem o propósito de ajudar a chegar no nível máximo e, além de versões mais difíceis das missões de história, não há nada que apresente um real desafio. Somente a Dark Zone e suas aventuras sem roteiro restam, sendo que até isso se torna cansativo depois de um tempo.

Já foi anunciado que serão adicionadas incursões e expansões no futuro, porém atualmente o jogo não oferece muito para aqueles mais dedicados que querem jogar depois de terminarem a história.

Foto: Reprodução/Bernardo Dabul

Tom Clancy's The Division

Tom Clancy’s The Division tem muitos elementos que funcionam bem, porém vários problemas que atrapalham a experiência como um todo. Talvez daqui a alguns meses tudo se resolva, mas atualmente o jogo não atinge o seu potencial.

  • Sistema de loot
  • Dark Zone
  • História rasa
  • End game fraco
  • Missões repetitivas
Nota: 3/5