Review | Trials Rising

Hora de voltar ao guidon e buscar o melhor tempo!

Bernardo Dabul

Sempre fui um fã enorme de Trials. Desde o primeiro, Trials HD, a franquia se destacou com sua mistura inusitada de motocross com jogo de plataforma, implementando um uso excelente de física e temáticas absurdas para tornar cada corrida um desafio, mantendo também leveza e humor ao longo do percurso. Trials Rising segue esses conceitos principais, tentando elevar ainda mais o nível.

Trials nunca foi conhecido por ter uma narrativa intrigante. O contexto de “você é um motoqueiro dirigindo por pistas malucas” sempre foi o suficiente, uma vez que é o gameplay que mantém a atenção dos jogadores. ‘Rising’ não é muito diferente, apenas colocando o jogador como um novato e querendo crescer até ser o melhor de todos, conquistando patrocinadores e contratos especiais ao longo do caminho.

O pretexto para viajar o mapa está lá, explorando inúmeras pistas em países diferentes, começando nos EUA e dando a volta ao mundo, chegando no Japão, Rússia, China e outros. Conforme o jogador vai avançando, seu nível sobe, o que em torno desbloqueia pistas mais difíceis.

O maior problema desse sistema é que, às vezes, apenas completar as pistas com medalha de ouro não é o suficiente para seu nível atingir o patamar necessário para progredir. O jogador é forçado a ficar voltando à pistas anteriores, tendo que completar contratos de diferentes patrocinadores, uma vez que estes são a maior fonte de experiência do jogo. Infelizmente, isso quebra muito o ritmo do jogo, as vezes sendo necessário fazer 10 a 20 contratos antes de conseguir progredir.

Felizmente, as pistas são simplesmente fantásticas, amenizando um pouco da dor de ter que ficar repetindo conteúdo. Todas elas abraçam o humor e surrealismo inerente em Trials, criando experiências únicas. Um momento, você pode estar correndo por um estúdio de Hollywood, contando até com efeitos especiais que inserem aliens no percurso. Em outro, a pista é dentro de um avião que ocasionalmente faz mergulhos que simula gravidade zero. Sempre há uma novidade na temática das pistas, tornando a descoberta delas um prazer.

Isso não quer dizer que não há desafio. Embora no início seja simples completar todas as pistas em uma tentativa só, conforme a dificuldade vai subindo, se torna cada vez mais necessário dominar técnicas avançadas do jogo. Sem elas, há pistas que são literalmente impossíveis de se completar.

Para os novatos da franquia, há um modo tutorial excelente que vai lhe ajudar a aprender e treinar todas as técnicas necessárias para chegar ao fim de Rising. Essa função é especialmente bem vinda, uma vez que os jogos anteriores dificilmente faziam um bom trabalho de explicar essas técnicas e mecânicas bem.

Também presente no jogo é a ferramenta de criação de pistas. Infelizmente, eu não tenho a habilidade de criar muita coisa nesse jogo, mas tendo visto algumas das ofertas da comunidade, fica evidente que há muita flexibilidade, além de suplementar a necessidade de pistas novas a longo prazo.

É importante dizer também que há lootboxes em ‘Trials Rising’. O sistema parece ser implementado de última hora, mas não influencia muito na jogabilidade, uma vez que os itens recebidos são apenas cosméticos e não é possível comprar lootboxes diretamente. A venda por microtransações é de apenas ítens únicos, o que não é tão predatório como vemos em outros jogos no mercado.

Por fim, temos a trilha sonora. Trials sempre foi conhecido por suas músicas genéricas, porém divertidas, e Rising não é exceção. Só é uma pena que a seleção é extremamente limitada, dando a impressão que depois de apenas uma hora já começa a repetir músicas.

Divulgação

Trials Rising

‘Trials Rising’ é mais uma adição divertida à franquia, abraçando o humor e loucuras pela qual a série é conhecida, elevando-as a novos patamares sem sacrificar desafio. Infelizmente o sistema de progressão do jogo deixa um pouco a desejar e a trilha sonora podia ser mais extensa, mas o pacote completo ainda vale muito a pena!

  • Quantidade enorme de pistas
  • Jogo mantem o senso de humor e jogabilidade dos anteriores
  • Modo tutorial excelente para iniciantes
  • Ferramenta de criação de pista robusta
  • Progressão estranha
  • Lootboxes mal implementadas (pra que sequer estar lá?)
  • Trilha sonora limitada
Nota: 4/5