3 grandes lições que o cinema me ensinou – Parte 2

A sétima arte é responsável pelas mais diversas lições que um ser humano pode aprender. Propagação do som no espaço e o fato de tiranossauros não conseguirem te enxergar se você ficar parado são apenas péssimos exemplos disso, visto que estão todos errados. Isso mesmo, o T-Rex poderia facilmente enxergar o Dr. Grant naquela clássica cena de Jurassic Park. STEVEN SPIELBERG MENTE.

Matheus Esperon

A sétima arte é responsável pelas mais diversas lições que um ser humano pode aprender. Propagação do som no espaço e o fato de tiranossauros não conseguirem te enxergar se você ficar parado são apenas péssimos exemplos disso, visto que estão todos errados. Isso mesmo, o T-Rex poderia facilmente enxergar o Dr. Grant naquela clássica cena de Jurassic Park. STEVEN SPIELBERG MENTE.

Jurassic Park
E VELOCIRAPTORS TINHAM PENAS

Mas o cinema não é alicerçado apenas por mentiras e muitas de suas lições podem ser verdadeiros aprendizados pra vida. Continuando a ideia do longínquo post de maio de 2014, cá estão mais 3 lições, sem ordem de importância, que os filmes me ensinaram. ;)

1) “No fim, a vida é um ato de desapego” (As Aventuras de Pi, 2012)

Vamos começar logo com o aprendizado mais “triste” da lista. As Aventuras de Pi, tanto o livro quanto o filme, foi muito divulgado como uma obra capaz de fazer o consumidor acreditar em Deus. Como me considero agnóstico — acredito que deva haver alguma coisa superior, mas não sei o que é (provavelmente são aliens) –, fui ao cinema preparado pra ser convertido, ávido pela poderosa mensagem espiritual prometida pelo marketing.

Acabou que a lição foi completamente blasé (“escolha em que você quer acreditarzzZZzzZZzz”) mas houve uma moral mais secundária no longa que mexeu bastante comigo. Logo após o adulto Pi Patel terminar de contar sua aventura, citando como foi basicamente abandonado por Richard Parker, seu companheiro felino, ele para pra refletir acerca das muitas coisas que deixou pra trás: sua família, o zoológico, a Índia… e eis que Piscine manda:

“Eu acho que no fim, a vida é um ato de desapego. Mas o que mais machuca é não tirar um momento pra dizer adeus”.

Pode não ser um pensamento muito positivo, mas tem coisa mais verdadeira que isso? Quantas pessoas, experiências e locais você já deixou pra trás? E quanto mais ainda vai deixar? Por mais difícil que seja, é uma realidade da vida de qualquer espécime da fauna humana.

Mas dá pra tirar algo bem legal dessa fala: às vezes esse ato de desapego vem do nada, então, agradeça. Seja sempre grato e, principalmente, deixe as pessoas saberem o quão grato você é por tudo que elas representam pra você. :)

 

2) “Se alguém reza por X, você acha Deus lhe dá X? Ou Ele lhe dá a oportunidade de ser X?” (A Volta do Todo Poderoso, 2007)

Sim, eu sei o quão ruim a sequência do fantástico filme do Jim Carrey é. Mas a existência de uma lição dentro de uma produção tão caída é por si só uma lição (INCEPTION!).

Quando o personagem do Steve Carell abraça de vez seu papel como um Noé moderno, sua mulher — vamos chamá-la de Anck-Su-Namun — o toma como louco (louco mesmo é quem aprovou esse filme), bota os filhos no carro e vai embora. Anck-Su-Namun então para em uma lanchonete pra pensar na vida e eis que, sem saber, ela encontra Morgan Freeman (Deus). Eles começam a conversar, ao ponto que Anck-Su-Namun revela suas dúvidas em relação à missão divina de seu marido, e O homem pergunta:

“Se alguém reza por paciência, você acha que Deus lhe dá paciência? Ou Ele lhe dá a oportunidade de ser paciente? Se ele rezou por coragem, Deus lhe dá coragem, ou será que Ele lhe dá a oportunidade de ser corajoso? Se alguém rezou pela família ser mais unida, você acha que Deus lhe dá uma carga de sentimentos afetuosos, ou Ele lhes dá a oportunidade de amar uns aos outros?”

Por mais que eu seja agnóstico e essa mensagem envolva especificamente Deus, creio que ela possa ser assimilada por todos que acreditam em alguma coisa. Pode ser em Vishnu, Buda, Monstro de Espaguete Voador, aliens, no universo ou apenas em si mesmo. Se você pede alguma coisa, faz muito mais sentido que a vida te dê uma oportunidade pra mudar do que faça você acordar transformado da noite pro dia.

 

3) “Faça ou não faça. Tentativa não há” (O Império Contra-Ataca, 1980)

Uma lição clássica pra encerrarmos o post. Quem pensa que Star Wars é apenas uma historinha de fantasia pra nerds está redondamente enganado. A antiga trilogia tem morais super profundas e alguns dos aprendizados mais impactantes da história do cinema. Toda a passagem de Luke por Dagobah, por exemplo, está recheada de lições. Mas uma delas, entregue de forma curta e direta, se destaca.

Após um breve período de treinamento, Skywalker, extremamente desesperançoso perante suas habilidades na força, diz que vai tentar tirar sua X-Wing do pântano. Com a sabedoria de um gigante, Mestre Yoda o censura e crava:

“Faça ou não faça. Tentativa não há”.

De forma super direta e simples, Yoda passa um aprendizado incrível: seja determinado e confiante. Não vá com o intuito de tentar, pois isso abre margem pro erro, mesmo que ainda na sua cabeça. Vá pra fazer. Vá com tudo e dê o melhor de si. Já visualize o resultado positivo. :D