O dia em que chutei algo inusitado numa prova de ciências

Béquer? Tubo de ensaio? Bico de Bunsen? Se alguém constrói uma casa, a pessoa adicionou algo novo ao mundo ou apenas combinou materiais ja existentes?

Matheus Esperon

Existem dois “nuncas” que regem a minha vida: nunca se recusa McDonald’s e nunca se deve deixar uma questão de prova em branco.

Deixar uma pergunta sem resposta numa avaliação é sinônimo de ganhar um total de zero pontos ali. É como se Tony Montana se visse cercado de inimigos no fim de ‘Scarface’ e simplesmente desistisse.

Mas não. O cocainado personagem os enfrenta mesmo sabendo que não tem chance e ainda é cortês o suficiente para tentar lhes apresentar a um pequeno amigo que nunca aparece.

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Lá estava eu com esse sentimento numa prova de ciências da 5a série. Tudo ia bem até questão final que me mostrou a seguinte imagem e pediu o nome do objeto.

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Ah, esse é fácil!”, pensei. “Isso é uma…” Tacada de sinuca. Branco. Foi como se o universo subitamente puxasse o plug que ligava meu cérebro a todo conhecimento que eu tinha sobre o mundo no ensino médio.

“Béquer? Tubo de ensaio? Bico de Bunsen?”, me perguntava, cada vez mais nervoso e confuso. “Uma semente de árvore já é uma árvore? Será possível reverter a entropia do universo? Se alguém constrói uma casa, a pessoa adicionou algo novo ao mundo ou apenas combinou materiais já existentes?”.

De repente uma fagulha de conhecimento foi acesa no fundo da minha mente — talvez por Deus ou algo ainda mais complexo, quem irá saber? No clarão foi possível enxergar as seguintes letras: ETA.

“ISSO. Seja lá o que for esse maldito objeto, seu nome termina em ETA!”.

Vendo o tempo escorrer pelas minhas mãos e determinado a não perder a sanidade por conta de uma simples prova de ciências, decidi chutar uma opção insana mas melhor do que nada.

Escrevi minha resposta e entreguei a prova junto com um amigo. Assim que saímos da sala e a lei do silêncio foi revogada, virei pra ele e disse:

— O que você colocou na última questão?! Deu um branco forte e chutei qualquer coisa…
— O que você chutou?
— Lambreta.
— Lambreta?! Hahaha, mas lambreta é uma moto!
— EU SEI. Mas melhor do que nada, sei lá.
— Justo.
— E o que você respondeu?
— Poliéster.

P. S.: A resposta era “proveta”.