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‘A Maldição da Mansão Bly’ é a prova de que mudar de casa nem sempre é uma boa ideia

A queda de qualidade em todos os aspectos torna a “sequência” de ‘Residência Hill’ uma das maiores decepções do ano.

Matheus Esperon

‘A Maldição da Residência Hill’ foi uma das maiores surpresas de 2018, talvez ali junto com a minha formatura na faculdade e a facada no Bolsonaro, não só por ser uma ótima série de terror, mas por ser uma ótima série mesmo, independentemente do gênero.

Com uma premissa interessantíssima, recheada de mistérios e sustos, alicerçada por direção, fotografia e atuações muito acima da média, a criação do diretor Mike Flanagan se tornou um sucesso da Netflix – e não demorou muito pra série virar uma antologia, com um novo capítulo anunciado pra 2020.

E como muitas coisas nesse ano maldito que acabou com muitas das nossas expectativas, a mudança da residência Hill pra [Maldição da] Mansão Bly foi uma grande decepção…

No final dos anos 80, a jovem Dani (Victoria Pedretti) é contratada por um britânico endinheirado pra se tornar babá de seus sobrinhos na isolada (e claramente assombrada) mansão Bly, no interior da Inglaterra. Chegando lá, Dani conhece os poucos membros do staff da família, além dos pequenos irmãos Miles e Flora (claramente encapetados), que parecem ser o epicentro de algo nefasto na propriedade milenar da família Wingrave.

De cara, a história da vez simplesmente não é tão interessante e criativa quanto a anterior. É ruim? Não. Mas enquanto ‘Residência Hill’ tinha uma trama super intrincada entre os membros da família (em duas épocas diferentes!), o desenrolar da ‘Mansão Bly’ é bem mais lento, contando com um estranho foco em coadjuvantes pouco desenvolvidos e pouco carismáticos.

Falando na lentidão da história, isso se dá muito em parte pelas reviravoltas serem previsíveis, fazendo com que você esteja às vezes até dois ou três episódios já à frente da narrativa do momento, como se a gente sacasse a situação muito antes de quando a série aparentemente queria revelar as coisas pra gente, sabe. Aí fica aquela sensação de “tá, bom, galera, claramente essa situação é [spoiler], vamo seguir em frente???”.

E o grande lance de ‘Mansão Bly’ é ser, como chegam a dizer em certo momento, uma história de amor (cheia de representatividade, o que é muito legal!), não uma história de terror. Essa “enganada” teria sido uma ótima ideia se rolasse desde o começo, brincando com as nossas expectativas de ver o próximo capítulo de uma franquia de terror. Mas como o romance demora demais pra aparecer, dando as caras só ali pela metade da temporada, essa mudança de gênero fica muito negativa, dando um ar de desencontro e indecisão pra produção…

As atuações, como tudo nesse capítulo, não são ruins, mas também ficam muito abaixo da qualidade e quantidade de ótimas performances na temporada anterior, na qual não apenas os sete membros adultos da família eram todos excelentes, como também suas versões mais novas – o que só pode ter sido garantido por um pacto com o demônio pra arranjar cinco atores mirins tão competentes.

Na ‘Mansão Bly’, o núcleo adulto é de ok pra baixo, com exceção da protagonista Victoria Pedretti, veterana da temporada anterior e aqui com uma nova personagem (assim como outros cinco atores de ‘Residência Hill’). E o pacto de antes aparentemente não foi repetido porque os dois atores mirins dessa vez… COMPLICADO.

Outro aspecto que também não se repetiu foi a qualidade da direção, que aqui só contou com o ótimo Mike Flanagan em um episódio, enquanto ele havia dirigido todos os 10 da temporada anterior. Claramente os outros diretores não conseguiram manter o nível, inclusive com um episódio tentando repetir o estilo de ‘Two Storms’ (não só o melhor episódio de ‘Residência Hill’, mas um dos melhores episódios de série que eu já vi) e falhando miseravelmente, tanto em estética quanto em conteúdo.

Com tantas críticas, fica parecendo que o saldo de ‘A Maldição da Mansão Bly’ é extremamente negativo, o que não é verdade. Como série sozinha ela ainda é interessante, com um mistério digno de ser desvendado, mesmo que ele seja previsível e não tenha uma conclusão muito criativa.

O problema é que, como toda continuação (mesmo que sem conexão narrativa), é impossível deixar de compará-la com o anterior. E, nesse quesito, o novo capítulo da agora franquia ‘Maldição’ se torna uma das maiores decepções de 2020.

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A Maldição da Mansão Bly

O novo capítulo da franquia 'Maldição', assombrado pelo fantasma da 'Residência Hill', acaba sendo uma das grandes decepções do ano. Muito pouco se destaca numa estranha temporada que nem parece que é dos mesmos criadores, roteiristas e até mesmo alguns atores da anterior.

  • Ótima atuação da protagonista Victoria Pedretti
  • Mistério interessante de desvendar
  • Direção e atuações muito inferiores à temporada anterior
  • Mistério muito mais sem graça e sem um desfecho que convença
  • Personagens secundários pouco carismáticos
Nota: 3/5