Review | ‘Gangs of London’ leva a porradaria asiática pro Reino Unido

O gênero que vem influenciando o cinema de ação americano chega na Inglaterra em forma de série.

Matheus Esperon

Um dos gêneros favoritos de uma a cada uma pessoa escrevendo esse texto é o da porradaria asiática: filmes de ação de países como Indonésia, China e Coreia do Sul que compensam seus baixos orçamentos com muita criatividade em suas coreografias e direção – essa última sendo notável por não repicar as cenas, o que evita coisas como 54 cortes em uma sequência de 35 segundos.

Já consolidado há décadas no outro lado do mundo, esse gênero finalmente começou a influenciar as produções americanas nos últimos anos, sendo ‘John Wick’ talvez o primeiro grande resultado (em termos de reconhecimento da crítica, faturamento e influência) desse tipo de intercâmbio cinematográfico.

E agora chegou a vez do Reino Unido começar a seguir esse caminho, com ninguém menos que Gareth Evans, diretor de ‘The Raid’ e ‘The Raid 2’ (os maiores filme de porradaria asiática da década passada), criando sua própria série: Gangs of London.

Após o estranho e abrupto assassinato do patriarca da família criminosa mais poderosa de Londres, tudo vai pro caralho quando seu filho começa a destruir a cidade (e seus próprios aliados) em busca de respostas, ao mesmo tempo em que um policial infiltrado na organização começa a se envolver cada vez mais com seus alvos.

A história não traz inovação, pelo contrário: em um nível macro, é uma trama já muito explorada de disputa de poder entre bandidos poderosos durante um vácuo de liderança, enquanto em nível micro os personagens principais preenchem papeis esperados e seguem arcos previsíveis, cercados de reviravoltas e traições que não surpreendem. Não é ruim, mas não é nada que a gente já não tenha visto em outras séries e filmes.

‘Gangs of London’ se diferencia mesmo nas suas atuações, com um núcleo principal de umas 10 pessoas todo muito competente – destaque pra Michelle Fairley (esposa do bandidão assassinado e nossa eterna Catelyn Stark de ‘Game of Thrones’) –, e, claro pela ação.

Gareth Evans, aqui como co-criador e produtor executivo da série, emprega toda sua experiência de porradaria asiática desenvolvida na Indonésia. As cenas de luta e tiroteio, especialmente nos episódios que Evans pessoalmente dirige (primeiro e quinto) são de tirar o fôlego, com coreografias muito bem boladas (dá pena dos dublês, viu), muita violência e uma direção que sabe exatamente como e quando mexer a câmera – seja pra reenquadrar o foco da ação, seguir personagens ou balançar tudo pra dar um senso certeiro de confusão. E isso tudo, claro, sem nunca picotar as sequências, como é digno do gênero.

‘Gangs of London’ poderia ter um roteiro um pouco mais inspirado, mas assim como o gênero no qual se inspira, compensa suas falhas com uma ação extremamente criativa e bem coreografada. Não à toa já foi renovada pra uma segunda temporada!

Gangs of London, 2020
Disponibilidade: Seuspuloflix

Divulgação

Gangs of London

Uma série que não inova na sua história, mas traz com maestria a porradaria asiática pra mais uma produção ocidental, criando cenas de ação que seguram com facilidade os nove episódios da temporada.

  • Porradaria asiática
  • Elenco todo muito bom
  • Direção que sabe o que faz
  • Roteiro fica no feijão com arroz
Nota: 4/5