Review | O Justiceiro S02

A segunda temporada tenta nos mostrar como se segue em frente após a vingança, mas o resultado deixa muito a desejar.

Bernardo Dabul

O Justiceiro sempre foi uma história de vingança, desde os quadrinhos até a primeira temporada da série da Netflix. Como se segue em frente depois que esse arco foi fechado? É isso que essa nova temporada quer tentar mostrar, tanto literalmente quanto figurativamente (no caso de Frank Castle). Só é uma pena que essa jornada seja repleta de oportunidades perdidas e que a série provavelmente não terá uma chance de corrigir o curso, em uma próxima temporada, dado o fim prematuro das demais séries da Marvel/Netflix.

‘O Justiceiro S02’ começa alguns meses depois que vimos o anti-herói pela última vez, com um nome novo e a chance de começar do zero. Em suas viagens pelo coração dos Estados Unidos, Frank (Jon Bernthal) tenta achar algum propósito para viver, agora que sua vingança foi executada e não há mais motivo para lutar. Bom, sendo uma série de ação, não demora muito para Frank pular na primeira oportunidade de socar pessoas na cara em nome da JUSTIÇA e em defesa de uma “adolescente” (digo entre aspas porque, embora a personagem seja escrita como alguém com menos de 20 anos, a atriz Giorgia Whigham definitivamente não aparenta ter essa idade). O problema é que Frank acaba entrando no meio de um conflito entre pessoas muito poderosas e se torna um alvo.

Como se isso tudo não fosse o suficiente, ainda voltamos para Nova York, onde vemos Dinah Madani (Amber Rose Revah) tentando lidar com seus traumas após ter levado um tiro de Billy Russo (Ben Barnes). Billy também está se recuperando de ter sua cara devidamente estraçalhada pelo Justiceiro, porém sem nenhuma lembrança das atrocidades que cometeu nos anos anteriores.

Basicamente: tá todo mundo desgraçado da cabeça.

A vantagem disso é que personagens quebrados normalmente oferecem a maior oportunidade de exploração narrativa. Afinal, conflito interno também é capaz de criar histórias memoráveis. Porém, parece que a série não tem interesse em se aprofundar no que faz as engrenagens desses personagens girar, optando por simplesmente usar desculpas clichês e deixar por isso mesmo.

Talvez quem sofra mais com isso seja Billy Russo. Sua falta de memória poderia ser explorada de forma interessante tanto em relação a ele mesmo, como também seus ex-companheiros de exército (como Frank). Porém pouco é feito com o personagem além dele ser o maluco da vez.

Mas talvez o maior crime da série seja a sua falta de foco. Sem entrar em spoilers, existem vários problemas que Frank deve enfrentar ao longo da temporada. Porém, eles acontecem todos ao mesmo tempo. Então, em um episódio, enquanto ele lida com um desses problemas, fica a impressão de que o outro está na geladeira, esperando sua vez de voltar em cena novamente. O fato da série aderir ao formato de 13 episódios também não ajuda, estendendo arcos que deveriam ter terminado muito antes.

Mas nem tudo na série é ruim, especialmente quando estamos falando da ação em si. Embora não tenha a clássica cena do corredor, ao longo da temporada existem várias lutas diferentes com cenários criativos. A da delegacia de cidade pequena, em especial, deixa uma forte impressão sobre a capacidade do protagonista (você vai saber qual é quando chegar lá.).

Falando do protagonista, mesmo com seus problemas de desenvolvimento nessa temporada, Jon Bernthal ainda dá um show como Frank Castle. Novamente o ator incorpora o personagem muito bem, seja nos momentos íntimos onde ele se revela como um homem quebrado com mais nada na vida, como também nas horas de ação, onde sua fisicalidade muda e se transforma em um monstro que não pode ser parado.

Outro detalhe positivo pequeno, mas que também chamou a atenção, foi a trilha sonora. A maioria esmagadora das músicas são country, mas ainda assim todas encaixaram bem nos momentos que queriam ressaltar.

Divulgação

O Justiceiro S02

‘O Justiceiro’ teve uma ótima primeira temporada e tentou seguir a história mostrando como seus personagens seguiram em frente. Porém, gasta tempo demais girando as engrenagens da narrativa e esquece de explorar as ótimas oportunidades que ela mesmo criou. O resultado final é decepcionante, embora tenha momentos divertidos e boas atuações.

  • Jon Bernthal como Frank Castle
  • Cenas de ações memoráveis e criativas
  • Trilha sonora country delícia
  • Praticamente todo personagem tem um arco desperdiçado
  • Falta de foco na narrativa
  • Billy Russo no geral
Nota: 2/5